Em uma Transilvânia contemporânea, histórias de vampiros se entrelaçam: caçadas, zumbis, Drácula numa greve, ficção científica com Vlad, romance e contos populares se misturam numa celebração única do mito vampiresco.
O novo trabalho de Radu Jude é obsceno, vulgar, desconfortável e hilário num sentido muito positivo. Pra um diretor que não tem nenhum filtro em relação a qualquer assunto que seja, aqui ele extrapola todos os limites e entrega um recorte que trabalha no limiar entre o irônico e o sério. Dentro daquele universo de maluquices, o riso vem naturalmente através do absurdo, da recusa em estabelecer um nexo narrativo ou contextual. Jude não está preocupado em se explicar, ele só quer nos incomodar. Qual seria esse propósito?
Mas o incômodo NUNCA é gratuito. Vem sempre com um propósito. Qual seria esse propósito? Não sei.. mas o que sei é que esse romeno faz um cinema que tira qualquer um da zona de conforto. E isso é maravilhoso.
Fazia muito tempo em que eu não sentia emoções tão conflitantes com um filme. Começando pelo fato de que não é fácil de aguentar não, pelo amor de deus. A história se arrasta muito em arcos que não se conversam muito. Também achei que ele pesou a mão no falocentrismo. Entendo que ele trate a nudez como algo natural e sem sensualizar a todo momento, mas também não precisa ficar fazendo piadinha de piroca o filme inteiro. Não que eu não ria, mas isso não vem ao caso. Por outro lado, acho corajoso jogar ao extremo o uso da IA, assim como se tem feito nos últimos anos. É tudo muito mal feito de propósito, com histórias extremamente genéricas (mesmo quando se critica o capitalismo usando o Drácula como um patrão de pessoas cujo trabalho literalmente não existe), sem necessariamente dizer que a inteligência artificial é má ou algo do gênero, mas sim como quem diz "vamos pisar na merda e abrir os dedos, vamos abraçar o diabo de vez". Também gosto de como é mostrada a precarização do trabalho no capitalismo tardio. O Drácula de hoje é um idoso que não consegue emprego e é morto em serviço. Acho que é tudo uma grande tentativa de mostrar um mundo em que tudo é uma referência de alguma coisa, seja Bram Stoker ou Wim Wenders, mundo no qual se recorre à tecnologia do momento para qualquer atividade, até as mais simples, seja por falta de tempo, economia de verba ou pelo lobby internacional que existe para incentivar o uso dela. Daqui 15 anos eu revejo pra tentar absorver melhor. Pra quem gostou, recomendo a sexta temporada de Riverdale. Fala dos mesmos temas, confiem em mim.
O novo trabalho de Radu Jude é obsceno, vulgar, desconfortável e hilário num sentido muito positivo. Pra um diretor que não tem nenhum filtro em relação a qualquer assunto que seja, aqui ele extrapola todos os limites e entrega um recorte que trabalha no limiar entre o irônico e o sério. Dentro daquele universo de maluquices, o riso vem naturalmente através do absurdo, da recusa em estabelecer um nexo narrativo ou contextual. Jude não está preocupado em se explicar, ele só quer nos incomodar. Qual seria esse propósito?
Mas o incômodo NUNCA é gratuito. Vem sempre com um propósito. Qual seria esse propósito? Não sei.. mas o que sei é que esse romeno faz um cinema que tira qualquer um da zona de conforto. E isso é maravilhoso.
Fazia muito tempo em que eu não sentia emoções tão conflitantes com um filme.
Começando pelo fato de que não é fácil de aguentar não, pelo amor de deus. A história se arrasta muito em arcos que não se conversam muito. Também achei que ele pesou a mão no falocentrismo. Entendo que ele trate a nudez como algo natural e sem sensualizar a todo momento, mas também não precisa ficar fazendo piadinha de piroca o filme inteiro. Não que eu não ria, mas isso não vem ao caso.
Por outro lado, acho corajoso jogar ao extremo o uso da IA, assim como se tem feito nos últimos anos. É tudo muito mal feito de propósito, com histórias extremamente genéricas (mesmo quando se critica o capitalismo usando o Drácula como um patrão de pessoas cujo trabalho literalmente não existe), sem necessariamente dizer que a inteligência artificial é má ou algo do gênero, mas sim como quem diz "vamos pisar na merda e abrir os dedos, vamos abraçar o diabo de vez". Também gosto de como é mostrada a precarização do trabalho no capitalismo tardio. O Drácula de hoje é um idoso que não consegue emprego e é morto em serviço.
Acho que é tudo uma grande tentativa de mostrar um mundo em que tudo é uma referência de alguma coisa, seja Bram Stoker ou Wim Wenders, mundo no qual se recorre à tecnologia do momento para qualquer atividade, até as mais simples, seja por falta de tempo, economia de verba ou pelo lobby internacional que existe para incentivar o uso dela. Daqui 15 anos eu revejo pra tentar absorver melhor.
Pra quem gostou, recomendo a sexta temporada de Riverdale. Fala dos mesmos temas, confiem em mim.