Como acontece a cada dois anos, é chegada a hora dos membros da Sociedade Wo Shing elegerem seu novo presidente. A rivalidade emerge entre os candidatos que disputam o cargo. Lok (Simon Yam) é o favorito para ganhar, mas seu rival Big D (Tony Leung Ka Fai) não medirá esforços para que isso mude, incluindo contrariar anos de tradição e influenciar o voto com dinheiro e violência.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Não é o tipo de filme que me prende. Não fui capaz de embarcar na trama de intrigas políticas e crime organizado proposta aqui. A direção também não me chamou a atenção, algumas atuações exageradas, como a do ator que interpreta Big D... mas acredito que essa percepção seja algo cultural. Só que quando não bate... Não bate. Chato. Salvo o terço final, mais violento e o tema do filme que antagoniza os conceitos de tradição versus sede de poder a qualquer preço.
O diretor Johnnie To convida o espectador a adentrar na política de uma organização criminosa comandado pela tríade, mostrando a realidade de gângsters que seguem a uma tradição milenar. Na busca de eleger uma nova liderança temos a fraternidade entre os membros e o respeito a hierarquia sendo posto à prova. Não temos quase o uso da violência e vingança aqui, pois o diretor quer atrair o nosso olhar para o confronto entre honra e desonra neste submundo do poder feito por vilões.
Enquanto em outros trabalhos Johnnie To foca na violência gráfica como característica usual de seu cinema, em “Election” o diretor abandona essa abordagem (pelo menos a princípio) para tratar da estrutura burocrática e tradicional da Tríade, uma organização criminosa repleta de ramificações e extremamente complexa. Para compreendermos um pouco daquele universo, To não perde tempo em apresentar sua gama extensa de personagens e suas ambições. Nesse meio, por vezes confuso e intenso (porém nunca difícil de compreender) cada peça desse tabuleiro acaba se apresentando com motivações e intenções distintas, mas no fim das contas, não importa o lado que cada um tome, o objetivo acaba sendo sempre o mesmo: alcançar o poder.
E aqui, abdicar da violência explícita faz com que o filme assuma uma postura mais cautelosa e inventiva, expandindo completamente o alcance do seu retrato. Só que como todo To, essa violência acaba se evidenciando. Mas em “Election”, ela se apresenta apenas para nos lembrar que apesar de não ser algo bom pra os negócios, ela é necessária e rotineira naquele mundo.
Decepção com Johnnie To. Enredo confuso, cenas de ação ruins, diálogos pobres, uma loucura bem pragmática.
Johnnie To nos lembra que tradição, honra, lealdade e etc. são todo termos vazios perto do que realmente importa: poder.