Em 21 de dezembro de 1970, teve lugar um dos acontecimentos mais peculiares da história recente dos Estados Unidos. Na ocasião, a Casa Branca recebeu um ilustre visitante, um homem que pediu uma audiência privada - uma reunião que viria a se tornar lendária - com o presidente Richard Nixon (Kevin Spacey): o rei do rock and roll, Elvis Presley (Michael Shannon).
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A ideia de fazer um personagem pouco parecido com Elvis foi intencional.
Achei super divertido!!!
Assisti sem maiores expectativas, as caracterizações eram fracas e a história pouco flui e não envolve.
É um filme delicioso de assistir. Simples e direto ao ponto, sem querer se preocupar em recriar especificamente um momento histórico nos mínimos detalhes, o filme está intencionado em recriar essas duas figuras que pareciam completamente opostas e acabaram se unindo.
O Elvis de Michael Shannon é impressionante. Longe de ser uma imitação, com o tom de voz apenas lembrando o do cantor, é nas peculiaridades da figura que ele se faz idêntico. No período pós-70 Elvis já estava em muito fora de seu juízo perfeito, algo que foi cimentado de vez após seu divórcio de Priscilla. Elvis já se encontrava paranoico após diversas ameaças de morte, andando armado e colecionando armas, tendo seguranças completamente violentos e que andavam com armas presenteadas pelo próprio cantor. Afora os aspectos que já carregava consigo como a dificuldade para dormir, o sonambulismo, problemas de ordem sexual, a morte da mãe, Elvis agora era um sujeito que vivia completamente isolado e entediado, tomando diversos medicamentos (que ele não considerava droga) que apenas prejudicavam sua saúde e o tornavam um sujeito instável. O ato mostrado no filme de atirar em televisores é completamente real e aconteceu por diversas vezes, chegando a atingir, em determinada oportunidade, seu médico particular, o qual Elvis, como pedido de desculpas, correu em socorrer e dizer que lhe emprestaria 200 mil dólares sem cobrar juros. Esse é um exemplo claro de como estava deturpada a mente de Elvis na época.
Com isso, você vê um Michael Shannon com todo esse espírito, mostrando armas em público, demonstrando suas habilidades de karatê, buscando conversar com o presidente sobre algo impensável e até mesmo um diálogo que poderia ter saído da boca do próprio Elvis visto ser seu sentimento mais íntimo: o peso da solidão, de não o verem como alguém mas sim uma música de fundo, de ter tido um irmão gêmeo falecido no parto. Essa última cena em que ele ensaia seu discurso é linda.
E acaba sendo interessante essa ideia de, sem qualquer lastro de como realmente foi essa conversa, buscar recriar esse momento tendo como base somente a personalidade dos dois.
Uma única coisa que me incomodou, mas que logo depois foi concertada, foi o trecho da conversa em que ele critica os Beatles. Apesar de um primeiro encontro apático e sua política contra drogas, muito de sua criação conservadora, Elvis amava os Beatles, tanto que tinha seus discos, adicionou suas músicas em sua Jukebox particular, jogava futebol americano com Ringo, cantava suas músicas nos shows e até mesmo chegou a regravar algumas como Yesterday, Hey Jude e Something. O único momento que fiquei com um pé atrás acabou sendo a conversa final em que ele critica veementemente a banda, até que, ao final, corrige isso dizendo em particular “Tive que falar mal dos Beatles para fazer amizade. Por sorte eles nunca vão saber”, transformando tudo em uma piada e aumentando ainda mais o realismo dessa “reconstituição”. Achei essa saída uma excelente sacada do roteiro.
Simples e dinâmico. Esse é sem dúvidas, um filme tão esquecível quanto aqueles vídeos biográficos de Youtube, porém seu dinamismo somado a sua curiosa história fazem com que ele seja um divertido entretenimento. Isso sem falar é claro, que pra mim é uma honra possuir o mesmo nome do meio de um artista como Elvis Presley. Em resumo, assista sem compromisso.