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Duração
Numa pequena aldeia na África Ocidental, um criador de porcos decide salvar seu povo depois de quase morrer afogado, apresentando-se como o primo de Cristo. Meio louco e um pouco ladrão, ele governa como mestre e leva suas convicções ao limite, chegando ao ponto de ser crucificado como Cristo.
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Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita
Ok, admito: o roteiro parece defeituoso na apresentação dos personagens secundários, que aparecem e desaparecem de maneira súbita. Para que está acostumado às narrativas ouedraoguenses, isso é magistralmente compensado em sua estrutura alegórica. E, sendo assim, o filme é brilhante em sua crítica ácida aos enganadores religiosos: não obstante parecer eventualmente bem-intencionado e crédulo (ou até mesmo "justiçado"), Minhaglória I traz em sua faceta profética os apanágios vilanazes de condutores facilmente reconhecíveis do fanatismo alheio. O filme é tão divertido (malgrado feroz) que passa muito rápido, de tão divertido e fascinante que é. Amei-o, fiquei com vontade de recomendá-lo a todas as pessoas que conheço, de exibi-lo para as crianças de minha vizinhança, de tão potente que é o discurso iconoclasta de seu enredo. Genial em cada instante, pérola ainda pouco conhecida do excelente cinema africano! (WPC>)
- Que povo somos nós? Em nossa história, basta que qualquer um apareça e nos conte qualquer historia para que o sigamos como ovelhas! Amanhã, estaremos vazios de toda nossa substância. Não há morte pior para um povo do que a morte espiritual!
- Meu irmão, vou lhe dizer... Estamos agonizando!
- Você e seus deuses covardes que agonizam!!! Onde estavam eles quando nos submetiam ao chicote e à humilhação negreira e colonial? Eu quero uma religião que devolva a razão aos loucos e a visão aos cegos! Uma religião que ponha fim ao sofrimento e à miséria!
- Uma religião que liberte. A quem? E o quê?
Abra seus olhos!
Parábola irônica e ácida sobre a vida de um falso profeta na onda da proliferação de seitas cristãs em uma África profundamente dividida entre religião, tradição e modernidade.