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Data de lançamento
16 Maio 2024Duração
Kampuchea Democrático (atual Camboja), 1978. Três jornalistas franceses são convidados pelo Khmer Vermelho a conduzir uma entrevista exclusiva com o líder Pol Pot. Tudo parece tranquilo, mas, na verdade, o regime está em declínio e a guerra contra o Vietnã ameaça o país de uma invasão. Procurando culpados, o governo comete secretamente um genocídio e a bela imagem nacional é destruída perante os olhos dos jornalistas, revelando o horror.
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O retrato de Camboja em pleno regime de exceção dá a dimensão de como Estados totalitários precisam conviver com distorções que se justificam sempre por um "bem maior". Não à toa, os líderes desses países enriqueceram desproporcionalmente, porque a conta não fecha. Ainda que o capitalismo seja por demais perverso, e financie guerras e conflitos em muitos desses mesmos países, num ciclo vicioso, a democracia, por mais que imperfeita, ainda é o menos pior regime já adotado. Algumas coisas me incomodaram no filme, como a visão da elite imperialista, e um certo exagero em retratar um ditador, como se ver um Trump ou qualquer outro líder dessa grande nação fosse mais higiênico. Então, é um filme que tem sua importância, claro, mas está longe de ser desprovido de um olhar eurocêntrico.
Filme extremamente tenso que mostra sem filtros as atrocidades do Khmer Vermelho, no melhor estilo que alguns tanto prezam (mas não têm coragem de assumir): se você não cocncorda com o que eu penso, tem que ser eliminado. Impactante demais.
Cineasta cambojano envolvido em questões humanitárias, o veterano Rithy Panh apresenta em seus filmes um retrato visceral das atrocidades do Khmer Vermelho, partido comunista liderado pelo revolucionário Pol Pot, que comandou o Camboja entre 1975 e 1979, e matou quase duas milhões de pessoas. Quase todos seus trabalhos – documentários e ficção, tratam desse contexto, como ‘Condenados à esperança’ (1994), ‘A imagem que falta’ – indicado ao Oscar de documentário em 2014 e ‘Túmulos sem nome’ (2018). Seu novo longa, inspirado numa história verídica, ‘Encontro com o ditador’ (2024), retorna ao tema, de maneira profunda e dolorosa. Com fundo de docudrama, conta a história de três jornalistas franceses que viajam a Phnom Penh, capital do Camboja, para entrevistar o ditador Pol Pot. Eles ficam hospedados num antigo hotel, recebidos por ministros de Estado, mas nunca conseguem acesso a Pot. As entrevistas com o presidente são desmarcadas, a violência no país cresce, e os três colegas de trabalho ficam presos e incomunicáveis, sem saber se sairão com vida do Camboja.
Sombrio, faz um reflexo sobre o genocídio cruel do povo cambojano, mostrando com precisão as páginas mais amargas da História daquele país asiático. Rithy Panh elenca detalhes de dentro do regime e assim mostra o que pouca gente de seu país ousou trazer, devido a retaliações. Ele conta uma história cruel e apreensiva, de censura a jornalistas num país terra-de-ninguém. Pol Pot (1925-1998) é considerado um dos ditadores mais infames do século XX, que governou o Kampuchea, o Estado cambojano, sob uma ditadura totalitária. É o exemplo mais real da ‘banalidade do mal’, de Hannah Arendt, nu e cru.
Exibido em Cannes e depois no Festival do Rio, o drama tem forte apelo dramático e foca na perturbação psicológica dos protagonistas, os jornalistas, constantemente ameaçados, discutindo assim liberdade de expressão e agressão ao Estado de Direito. Livremente inspirado na vida da jornalista Elisabeth Becker e em seu livro ‘When the war was over’, sucesso de vendas nos anos 80.
A parte técnica é boa demais - o filme foi gravado com enquadramento de TV, como se fosse uma super8, a fotografia exibe um Camboja desolado e vazio, e a ficção é mesclada com cenas reais de arquivo em preto-e-branco, dos campos de concentração do Kampuchea. As pequenas sequências dos bonecos de argila também é um destaque do longa.
Lidera o elenco a premiada atriz franco-suíça Irène Jacob, de ‘A fraternidade é vermelha’ (1994), que com brilho e destreza interpreta a protagonista, uma experiente jornalista que retorna ao Camboja com dois colegas de profissão.
Representante do Camboja para disputar uma vaga no Oscar de filme estrangeiro de 2025, o filme estreou no último fim de semana nos cinemas brasileiros pela Pandora Filmes.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
"Melhor uma ausência de homens do que homens imperfeitos."
Encontro com o Ditador (Rendez-vous avec Pol Pot. Camboja/França, 2024)
Direção: Rithy Panh
Com: Irène Jacob, Cyril Guei, Grégoire Colin.
Drama intenso esse que era o escolhido do Camboja para concorrer à uma vaga na disputa pelo Oscar 2025 na categoria melhor filme estrangeiro. Não foi para os finalistas mas vale a ida ao cinema para vê-lo.
O trio de protagonistas é ótimo, a começar pela diva Irène Jacob que faz o papel da jornalista Lise Delbo que em 1978 foi ao Camboja entrevistar o ditador sanguinário Pol Pot.
Misturando documentário e drama o diretor Rithy Panh consegue momentos de muita tensão durante a jornada desses jornalistas franceses que estão em busca de alguma verdade sobre o regime.
É também um filme prazeroso e emocionante de assistir. O longa teve sua estreia no último festival de Cannes e agora chega às nossas salas.
#camboja