Que baita filme do Ozu, fazia tanto tempo que não assistia algo do diretor. O filme emociona demais em seu desfecho aumentando em muito a nota dele. Impressionante como o diretor consegue dinamismo em seus filmes sem movimentar a câmera nenhuma vez. Os atores são uma simpatia à parte. Interessante notar que o filme foi feito na época em que o Japão estava lutando durante a 2ª Guerra Mundial, e é possível notar pelo discurso do pai aquilo que era tentado passar para a população como "Deem o seu melhor que tudo vai dar certo" ou "Estamos em dificuldade agora, mas as coisas irão melhorar no futuro", muitos detalhes do filme remetem a guerra em curso nas entrelinhas. O respeito cultural que eles tem pela figura do professor era algo que o mundo ocidental deveria ter copiado há muito tempo.
Muito parecido com aquilo que foi visto em "Uma Estalagem em Tóquio".De pai pra filho,de filho pra pai,assim o filme vai se revezando nos ensinamentos e valores da família,mesmo não estando presente o tempo todo.Outro necessário da carreira do Mestre Ozu.
>Maratona Yasujiro Ozu - Assistido em 20 de Novembro de 2023
Em "There Was a Father" (Era Uma Vez Um Pai), Yasujiro Ozu novamente nos conta uma estória familiar. As câmeras sempre posicionadas rentes ao chão, dando-nos a sensação de que somos meros observadores dos personagens. As sequências são longas, ressaltando a passagem lenta do tempo; Ozu também costuma fazer cortes para objetos ou paisagens, sempre que deseja mudar de ambientação ou do estado de humor dos personagens.
Neste filme, aparentemente uma trama comum, sem grandes surpresas ou mensagens fortes, apenas momentos importantes na vida de um pai viúvo e de seu filho único. O professor Horikawa (Chishu Ryu) um dia passa por uma terrível experiência. Ao levar seus alunos a uma excursão, um grave acidente de barco tira a vida de um deles. O mestre então, passa a sentir-se responsável e culpado pelo ocorrido, decidindo abandonar em definitivo a carreira docente. Muda-se para uma pequena cidade (Ueda) com seu filho Ryohei (Haruhiko Tsuda / Shuji Sano). A partir dali, sua maior preocupação será fazer com que Ryohei continue seus estudos e, para isso, torna-se necessário que o menino passe a residir nas instalações do colégio, longe do pai.
Ryohei ressente-se da ausência do pai. Até mesmo adulto, já aos 25 anos, tem planos de voltar a morar com ele. Entretanto, o senhor Horikawa é firme em fazê-lo desistir dessa ideia e continuar sua vida, distantes um do outro. Talvez muitas atitudes daquele pai nos pareçam rígidas demais, entretanto, para os padrões orientais um filho deve amadurecer e seguir seu destino. O amor e o respeito estão todo tempo presentes entre pai e filho. Os antigos alunos também sentem gratidão pelo velho professor. Para os japoneses, isto indica que uma vida foi bem sucedida e digna.
Que baita filme do Ozu, fazia tanto tempo que não assistia algo do diretor. O filme emociona demais em seu desfecho aumentando em muito a nota dele. Impressionante como o diretor consegue dinamismo em seus filmes sem movimentar a câmera nenhuma vez. Os atores são uma simpatia à parte. Interessante notar que o filme foi feito na época em que o Japão estava lutando durante a 2ª Guerra Mundial, e é possível notar pelo discurso do pai aquilo que era tentado passar para a população como "Deem o seu melhor que tudo vai dar certo" ou "Estamos em dificuldade agora, mas as coisas irão melhorar no futuro", muitos detalhes do filme remetem a guerra em curso nas entrelinhas. O respeito cultural que eles tem pela figura do professor era algo que o mundo ocidental deveria ter copiado há muito tempo.
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Muito parecido com aquilo que foi visto em "Uma Estalagem em Tóquio".De pai pra filho,de filho pra pai,assim o filme vai se revezando nos ensinamentos e valores da família,mesmo não estando presente o tempo todo.Outro necessário da carreira do Mestre Ozu.
>Maratona Yasujiro Ozu - Assistido em 20 de Novembro de 2023
"Seja forte. Não há nada triste nisso. Eu fiz o melhor que pude. Estou feliz."
("No céu tem pão?", e morreu.)
Que encanto!
Em "There Was a Father" (Era Uma Vez Um Pai), Yasujiro Ozu novamente nos conta uma estória familiar. As câmeras sempre posicionadas rentes ao chão, dando-nos a sensação de que somos meros observadores dos personagens. As sequências são longas, ressaltando a passagem lenta do tempo; Ozu também costuma fazer cortes para objetos ou paisagens, sempre que deseja mudar de ambientação ou do estado de humor dos personagens.
Neste filme, aparentemente uma trama comum, sem grandes surpresas ou mensagens fortes, apenas momentos importantes na vida de um pai viúvo e de seu filho único. O professor Horikawa (Chishu Ryu) um dia passa por uma terrível experiência. Ao levar seus alunos a uma excursão, um grave acidente de barco tira a vida de um deles. O mestre então, passa a sentir-se responsável e culpado pelo ocorrido, decidindo abandonar em definitivo a carreira docente. Muda-se para uma pequena cidade (Ueda) com seu filho Ryohei (Haruhiko Tsuda / Shuji Sano). A partir dali, sua maior preocupação será fazer com que Ryohei continue seus estudos e, para isso, torna-se necessário que o menino passe a residir nas instalações do colégio, longe do pai.
Ryohei ressente-se da ausência do pai. Até mesmo adulto, já aos 25 anos, tem planos de voltar a morar com ele. Entretanto, o senhor Horikawa é firme em fazê-lo desistir dessa ideia e continuar sua vida, distantes um do outro. Talvez muitas atitudes daquele pai nos pareçam rígidas demais, entretanto, para os padrões orientais um filho deve amadurecer e seguir seu destino. O amor e o respeito estão todo tempo presentes entre pai e filho. Os antigos alunos também sentem gratidão pelo velho professor. Para os japoneses, isto
indica que uma vida foi bem sucedida e digna.
Mais um belo filme do mestre Ozu.