Companhia japonesa de teatro kabuki aporta numa pequena ilha de pescadores. Komajuro (Ganjirô Nakamura), um dos fundadores do grupo, passa a frequentar todos os dias a casa de sua antiga amante, Oyoshi (Haruko Sugimura), dona de um bar e mãe de Kiyoshi (Hiroshi Kawaguchi).
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Marília Mendonça: Sentimento Louco
Remake do filme de 1934, assisti ambos em sequência, além do óbvio que aqui temos cores e som, Ozu desenvolveu mais personagens da trupe e mostrou mais cenários aproveitando as cores e a bela paisagem da cidade, fazendo com que o filme ficasse com 30 minutos a mais, porém o roteiro e os diálogos principais são praticamente os mesmos, ambos excelentes filmes.
Os minutos derradeiros são de uma humanidade impressionante. Eu não estava preparado e sucumbi em lágrimas. "Deixe ele ir, mas desde que você se torne alguém na vida". Porra, não é a toa que todo mundo caiu em prantos depois dessa.
É uma boa refilmagem, principalmente por causa da fotografia e cenografia, porém achei a escolha para o papel do pai bem equivocada. Komajuro Arashi tá com mais cara de avô do Kiyoshi do que de pai e também não comprei a Sumiko apaixonada e louca de ciúmes por ele.
Por isso prefiro a versão de 1935. Takeshi Sakamoto é mais carismático e está bem melhor no papel do pai.
TEM SPOILER
Ser um bom diretor é dominar todos os aspectos técnicos de um filme de forma que ele, em sua totalidade, torne-se redondo.
Nunca deixo de me impressionar com a habilidade Yasujiro Ozu em dominar completamente o espaço, seja na mise-en-scène brilhante ou nos enquadramentos tão, mas tão perfeccionistas que flertam com o TOC.
Ozu, em parceria com a direção de arte e com o fotógrafo, preocupa-se com cada objeto que aparecerá no plano, (quase sempre estático com uso de tripé) vaso de flores, lâmpadas, saquês... Nada está no quadro por acaso, tudo é pensado.
Como se esquecer da belíssimas cenas? A da pescaria, as de chuva, as das vielas naquela cidade de interior e do jovem casal a namorar observando um gigantesco navio. É simplesmente uma aula de perspectiva.
Mas não só esteticamente o filme é perfeito, o roteiro é igualmente brilhante e mostra a vida como ela é, com acertos erros, brigas e reconciliações, sem nunca utilizar o melodrama como bengala. A beleza da montanha-russa da vida acontece de forma natural e delicada. Nota 10.
A cena final da jovem companheira do protagonista indo embora da cidadezinha de pescadores em busca de novos ares e oportunidades é linda, na escuridão os faróis vermelhos do trem se destacam rumando para um novo desafio.
PS: Não há nenhum corte brusco no filme, até os cortes de movimento (quando os atores se levantam e se sentam são realizados de maneira perfeccionista, quase imperceptíveis, como um golfinho a deslizar no oceano. Toda a transição de plano A pra plano B é suave. Até os planos contra planos (onde um personagem conversa com outro) estão em níveis e distâncias idênticas.
Pqp! Muito talento!
Poesia pura!
Um dos últimos trabalhos do grande Ozu.Toda a tradição japonesa passeia durante as duas horas de filme e enche os olhos.Traz uma fotografia impecável.
>Assistido em 05 de Fevereiro de 2023