Ponto mais forte e importante do longa Espanhol é a sua fotografia. A história do curto reinado do protagonista poderia ser mais bem cuidada e menos rasa.
Visto na mostra de cinema catalão do Instituto Cervantes-Recife em 11/07/16, mas revisto ontem. É um filme que usa o mote da reconstituição histórica como pano de fundo para exibir uma estética camp gay adolescente fashionista/editorial de moda à la Maria Antonieta de Sofia Coppola e Xavier Dolan, focando na glamourização palaciana de um cenário de decadência no reinado breve de Amadeo de Saboya, de 1871 a 1873, que chega a Madri com o intuito de atualizar a Espanha, mas o país passava por um momento de grande desequilíbrio politico para ele poder cumprir seu objetivo. Ganhou no VII Prêmios Gaudí 2015 – Melhor direção artística e melhor figurino, o que ressalta meu argumento que o filme foca na exuberância monárquica e no deslumbramento do corpos gays jovens dos empregados do rei [destaque para a releitura de Courbet], de modo anacrônico, e também pelo apelo juvenil sessentista da bela canção dos Les Surfs - A present tu peux t'en aller. A tartaruga cravejada de pedras preciosas, creditada como Providência, marca o elemento decadentista do final do século XIX, como o réptil idealizado pelo personagem de Des Esseintes, que rasteja sob o peso da ostentação humana descrita em À rebours, Joris Karl Huysmans.
O filme é estranho mas tem um lado muito interessante. A rápida ascensão e queda de Amadeo ao trono da Espanha não impediu-o de gravar nos anais da história os seus fantásticos pensamentos num eventual exercício do poder e suas elucubrações sobre projetos os sociais, revolucionários para a época, mas fora de contexto num país dominado por um legislativo corrupto, totalmente preocupado com seus próprios interesses e, principalmente, confinar o Rei impedindo-o de governar. O isolamento imperial imposto pelos seus inimigos políticos, por outro lado, proporcionou ao Rei uma intensa intimidade com os seus serviçais, ambos reclusos do palácio, criando um profundo clima de sensualidade, entre as paredes de um poder anulado.
Ponto mais forte e importante do longa Espanhol é a sua fotografia. A história do curto reinado do protagonista poderia ser mais bem cuidada e menos rasa.
Visto na mostra de cinema catalão do Instituto Cervantes-Recife em 11/07/16, mas revisto ontem. É um filme que usa o mote da reconstituição histórica como pano de fundo para exibir uma estética camp gay adolescente fashionista/editorial de moda à la Maria Antonieta de Sofia Coppola e Xavier Dolan, focando na glamourização palaciana de um cenário de decadência no reinado breve de Amadeo de Saboya, de 1871 a 1873, que chega a Madri com o intuito de atualizar a Espanha, mas o país passava por um momento de grande desequilíbrio politico para ele poder cumprir seu objetivo. Ganhou no VII Prêmios Gaudí 2015 – Melhor direção artística e melhor figurino, o que ressalta meu argumento que o filme foca na exuberância monárquica e no deslumbramento do corpos gays jovens dos empregados do rei [destaque para a releitura de Courbet], de modo anacrônico, e também pelo apelo juvenil sessentista da bela canção dos Les Surfs - A present tu peux t'en aller. A tartaruga cravejada de pedras preciosas, creditada como Providência, marca o elemento decadentista do final do século XIX, como o réptil idealizado pelo personagem de Des Esseintes, que rasteja sob o peso da ostentação humana descrita em À rebours, Joris Karl Huysmans.
O filme é estranho mas tem um lado muito interessante. A rápida ascensão e queda de Amadeo ao trono da Espanha não impediu-o de gravar nos anais da história os seus fantásticos pensamentos num eventual exercício do poder e suas elucubrações sobre projetos os sociais, revolucionários para a época, mas fora de contexto num país dominado por um legislativo corrupto, totalmente preocupado com seus próprios interesses e, principalmente, confinar o Rei impedindo-o de governar. O isolamento imperial imposto pelos seus inimigos políticos, por outro lado, proporcionou ao Rei uma intensa intimidade com os seus serviçais, ambos reclusos do palácio, criando um profundo clima de sensualidade, entre as paredes de um poder anulado.
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