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23 Maio 2025Duração
Ela o amava mais do que tudo; ele a amava mais do que todas as outras. Simone Signoret e Yves Montand formaval o casal mais célebre de seu tempo. Assombrada pelo caso de seu marido com Marilyn Monroe e ferida por todos os que vieram depois, Signoret sempre recusou o papel de vítima. O que ambos sabiam é que jamais se separariam.
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Gostei de conhecer esses dois atores e suas personalidades e influências nas artes. 18/05/26.
Eu, que te amei
Apresentado no Festival de Cannes do ano passado, o drama francês é inspirado no tumultuado caso de amor de Simone Signoret (1921-1985) e Yves Montand (1921-1991), dois ícones do cinema francês. Eles foram casados por quase 35 anos, até o falecimento de Simone. O casal tinha um amor efusivo, uma liga forte, mas haviam impasses, brigas violentas e traições. O casal tinha nítidos contrastes: Simone era ciumenta, atormentada pelos casos extraconjugais do marido, como o que teve com Marilyn Monroe, enquanto Montand, um mulherengo de bom coração, tentava relevar tudo para evitar confrontos. Atuaram juntos em quatro filmes franceses entre as décadas de 50 e 70. Existia ali um casal além de seu tempo, que se entendia apesar das diferenças, dois artistas politizados que encabeçaram filmes revolucionários e entregavam grandes interpretações. Nascida na Alemanha, porém radicada na França, Simone Signoret, de ‘As diabólicas’, venceu Oscar, Bafta, Berlim e Cannes, enquanto o galã ítalo-francês Montand protagonizou produções cultuadas como ‘O salário do medo’ (1953) e ‘Z’ (1969). O trabalho da diretora e roteirista Diane Kurys, de ‘Refrigerante de menta’ (1977) e ‘Por uma mulher’ (2013), é maduro e sólido, cuja pesquisa sobre o famoso casal durou cinco anos. Ela é uma cineasta de 77 anos que conheceu os verdadeiros biografados, e no drama optou pela captura de cenas íntimas, de muitos diálogos do casal em casa e entre amigos, com longas conversas sobre casamento, trabalho e futuro – numa das tantas cenas românticas, Montand canta ‘Les feuilles mortes’ para Simone no aniversário dela (Montand gravou este clássico da música francesa, escrita por Jacques Prévert nos anos 70, e num dos trechos há o verso que remete ao título do filme, ‘Moi qui t'aimais’, que significa ‘Eu, que te amei’). A dupla de atores está em um momento de pura consagração, ‘encarnando’ as reais figuras, com um impressionante trabalho de cabelo, maquiagem e figurino – são eles Marina Foïs, de ‘As bestas’ (2022) e o ator de origem marroquina que vem fazendo muitos filmes e também é diretor, Roschdy Zem, de ‘Os filhos dos outros (2022). Gostei do resultado, de um filme sensato que não cai no melodrama. Está nos principais cinemas do Brasil, com distribuição da Autoral Filmes. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom