Um taxista de Nova York desenvolve uma obsessão por uma atriz de filmes de terror, Jana Bates, que concorre ao premio no festival de Cannes e começa a perder suas amigas, assassinadas pelo fanático.
O filme começa bem, com uma premissa muito boa. Todas as imagens reais de Cannes, o ambiente do cinema, as referências a atrizes famosas e até mesmo a clara menção a Taxi Driver e Jodie Foster criam um contexto interessante e um ótimo pano de fundo para a trama. Aos poucos, vão sendo apresentadas as pessoas ligadas a Jana Bates — diretores, produtores e demais profissionais — que supostamente serão as vítimas de Vinnie, o protagonista vivido por Joe Spinell.
O filme trabalha bem essa construção inicial, mostrando o quanto Vinnie é alguém completamente ignorado e humilhado. Ninguém lhe dá uma oportunidade, ninguém sequer escuta o que ele tem para falar. É constantemente menosprezado por mulheres, produtores e roteiristas, que simplesmente o rejeitam sem ao menos ouvir sua ideia. E o curioso é que o filme não mostra se Vinnie realmente tem uma ideia ruim — talvez ele até tenha algum talento, mas é sempre tratado com desprezo. Essa ausência de resposta sobre a capacidade dele só reforça o tom trágico da história.
Durante todo o filme, há uma insistência em mostrar casos de fanatismo, seja de fãs ou de pessoas aleatórias que atentaram contra a vida de figuras famosas, como John Lennon e o Papa João Paulo II. Esses exemplos criam um paralelo direto com Vinnie e ajudam a justificar o título do filme, Fanático. Afinal, ele é justamente isso: um homem obcecado, que vive num mundo paralelo e não consegue diferenciar mais a realidade da fantasia. Ele mesmo chega a reconhecer sua própria loucura, revelando que existe uma segunda personalidade que o domina.
Porém, o filme reserva um plot twist bastante interessante no final: na verdade, não era Vinnie o responsável pelos crimes. Quem estava por trás de tudo era Bret Bates, que usou Vinnie como bode expiatório e aproveitou seu fanatismo para encobrir os próprios atos. Essa virada dá um novo sentido à narrativa e ao título do filme, transformando o que parecia ser apenas um estudo sobre obsessão em algo mais cínico e metalinguístico sobre o próprio cinema e sua indústria. Ou não, pois o que vem a seguir nos deixa intrigados, para dizer o mínimo.
Pois aquele final, com Vinnie apresentando o filme para sua mãe, é algo que realmente me deixou dividido. Não dá para saber se aquilo realmente aconteceu ou se é apenas fruto da mente dele — ficou ambíguo, propositalmente em aberto. Pode ser tanto uma cena real quanto uma ilusão criada pela sua psique já completamente descolada da realidade.
Na minha interpretação, o filme brinca o tempo todo com essa linha tênue entre o real e o imaginário, entre o que Vinnie vive e o que ele acredita estar vivendo. A sensação que fica é que tudo pode ter acontecido apenas dentro da cabeça dele, como se o “filme” que ele mostra para a mãe fosse apenas mais uma projeção de sua loucura. Ao mesmo tempo, existe a possibilidade de Bret realmente ser o culpado e ter usado o fanatismo de Vinnie a seu favor — e é justamente essa dúvida que torna o final tão intrigante e aberto a interpretações.
No fim das contas, Fanático é um filme que provoca, confunde e deixa o espectador refletindo, assim como o próprio protagonista, perdido entre a realidade e o delírio.
Spinell e Caroline Munro praticamente repetem aqui a parceria que tiveram em Maniac (1980), outro filme de horror psicológico que também explora a mente perturbada de um homem obcecado por mulheres e pela imagem que constrói delas. Ambos os filmes compartilham essa atmosfera suja, quase alucinada, e lidam com o mesmo tipo de isolamento e loucura crescente. Spinell dá um show nos dois filmes, mostrando uma intensidade rara e uma entrega que tornam seu personagem simultaneamente patético, assustador e até trágico. Munro, por sua vez, volta a contracenar com ele com a mesma naturalidade e presença de tela que marcou o filme anterior, consolidando uma dupla que, embora pouco lembrada, é icônica dentro do terror underground dos anos 80.
Fanático é meuzuvu! Porque essas bestas quadradas não colocam a tradução dos títulos originais em filmes como esse, como deveria ser? Deve ser retardo mental, mesmo. Qual o problema de colocar "O Último Filme de Horror" do jeito que a Darkflix fez? E se a pessoa assistiu o filme, o retardo é pior ainda, pois o personagem passa o filme todinho dizendo que vai fazer "O Último Filme de Horror" da Jana Bates, inclusive com a frase sendo escrita nos bilhetes de ameaça que o povo recebe. Paciência!
Desconhecia totalmente desse filme. Mas o que me chamou a atenção, além do título, foi a presença do Joe Spinell, que fez em 80 "O Maníaco". Mas infelizmente não aconteceu com esse. Uma estrela só pelas pouquíssimas cenas com gore.
Achei o filme mediano, tem seus momentos legais, mas outros que não me agradaram. Vale pela atuação maluca do Joe Spinell. Sem esperar muita coisa, até que vale uma conferida.
O filme começa bem, com uma premissa muito boa. Todas as imagens reais de Cannes, o ambiente do cinema, as referências a atrizes famosas e até mesmo a clara menção a Taxi Driver e Jodie Foster criam um contexto interessante e um ótimo pano de fundo para a trama. Aos poucos, vão sendo apresentadas as pessoas ligadas a Jana Bates — diretores, produtores e demais profissionais — que supostamente serão as vítimas de Vinnie, o protagonista vivido por Joe Spinell.
O filme trabalha bem essa construção inicial, mostrando o quanto Vinnie é alguém completamente ignorado e humilhado. Ninguém lhe dá uma oportunidade, ninguém sequer escuta o que ele tem para falar. É constantemente menosprezado por mulheres, produtores e roteiristas, que simplesmente o rejeitam sem ao menos ouvir sua ideia. E o curioso é que o filme não mostra se Vinnie realmente tem uma ideia ruim — talvez ele até tenha algum talento, mas é sempre tratado com desprezo. Essa ausência de resposta sobre a capacidade dele só reforça o tom trágico da história.
Durante todo o filme, há uma insistência em mostrar casos de fanatismo, seja de fãs ou de pessoas aleatórias que atentaram contra a vida de figuras famosas, como John Lennon e o Papa João Paulo II. Esses exemplos criam um paralelo direto com Vinnie e ajudam a justificar o título do filme, Fanático. Afinal, ele é justamente isso: um homem obcecado, que vive num mundo paralelo e não consegue diferenciar mais a realidade da fantasia. Ele mesmo chega a reconhecer sua própria loucura, revelando que existe uma segunda personalidade que o domina.
Porém, o filme reserva um plot twist bastante interessante no final: na verdade, não era Vinnie o responsável pelos crimes. Quem estava por trás de tudo era Bret Bates, que usou Vinnie como bode expiatório e aproveitou seu fanatismo para encobrir os próprios atos. Essa virada dá um novo sentido à narrativa e ao título do filme, transformando o que parecia ser apenas um estudo sobre obsessão em algo mais cínico e metalinguístico sobre o próprio cinema e sua indústria. Ou não, pois o que vem a seguir nos deixa intrigados, para dizer o mínimo.
Pois aquele final, com Vinnie apresentando o filme para sua mãe, é algo que realmente me deixou dividido. Não dá para saber se aquilo realmente aconteceu ou se é apenas fruto da mente dele — ficou ambíguo, propositalmente em aberto. Pode ser tanto uma cena real quanto uma ilusão criada pela sua psique já completamente descolada da realidade.
Na minha interpretação, o filme brinca o tempo todo com essa linha tênue entre o real e o imaginário, entre o que Vinnie vive e o que ele acredita estar vivendo. A sensação que fica é que tudo pode ter acontecido apenas dentro da cabeça dele, como se o “filme” que ele mostra para a mãe fosse apenas mais uma projeção de sua loucura. Ao mesmo tempo, existe a possibilidade de Bret realmente ser o culpado e ter usado o fanatismo de Vinnie a seu favor — e é justamente essa dúvida que torna o final tão intrigante e aberto a interpretações.
No fim das contas, Fanático é um filme que provoca, confunde e deixa o espectador refletindo, assim como o próprio protagonista, perdido entre a realidade e o delírio.
Spinell e Caroline Munro praticamente repetem aqui a parceria que tiveram em Maniac (1980), outro filme de horror psicológico que também explora a mente perturbada de um homem obcecado por mulheres e pela imagem que constrói delas. Ambos os filmes compartilham essa atmosfera suja, quase alucinada, e lidam com o mesmo tipo de isolamento e loucura crescente. Spinell dá um show nos dois filmes, mostrando uma intensidade rara e uma entrega que tornam seu personagem simultaneamente patético, assustador e até trágico. Munro, por sua vez, volta a contracenar com ele com a mesma naturalidade e presença de tela que marcou o filme anterior, consolidando uma dupla que, embora pouco lembrada, é icônica dentro do terror underground dos anos 80.
Assistido em 06/11/2025
Fanático é meuzuvu! Porque essas bestas quadradas não colocam a tradução dos títulos originais em filmes como esse, como deveria ser? Deve ser retardo mental, mesmo. Qual o problema de colocar "O Último Filme de Horror" do jeito que a Darkflix fez? E se a pessoa assistiu o filme, o retardo é pior ainda, pois o personagem passa o filme todinho dizendo que vai fazer "O Último Filme de Horror" da Jana Bates, inclusive com a frase sendo escrita nos bilhetes de ameaça que o povo recebe. Paciência!
Desconhecia totalmente desse filme. Mas o que me chamou a atenção, além do título, foi a presença do Joe Spinell, que fez em 80 "O Maníaco". Mas infelizmente não aconteceu com esse. Uma estrela só pelas pouquíssimas cenas com gore.
Visto em 14/05/2022.
Tem um monte de referências legais, e esse final me deixou intrigado.
Achei o filme mediano, tem seus momentos legais, mas outros que não me agradaram. Vale pela atuação maluca do Joe Spinell. Sem esperar muita coisa, até que vale uma conferida.