Uma mulher neurótica e desequilibrada, recém-casada, começa a frequentar a escola onde seu marido ensina e coisas estranhas começam a acontecer, até o ponto em que ela começa a duvidar de sua sanidade.
Fear in the Night (no Brasil, Um Grito Dentro da Noite), thriller psicológico da Hammer dirigido e escrito por Jimmy Sangster, é um filme que brinca deliberadamente com a percepção do espectador. Durante grande parte da projeção, acumulam-se dúvidas e aparentes furos que fazem a trama parecer confusa ou até mal resolvida – mas, ao chegar no terceiro ato, quase todas essas questões recebem explicação lógica dentro do próprio universo diegético. O que parecia absurdo ou preguiçoso revela-se parte de um jogo de manipulação narrativa.
Um bom exemplo é a sequência em que Peggy (Judy Geeson)
dispara duas vezes contra Carmichael (Peter Cushing) com uma espingarda calibre 12. Na primeira, ele cai e se levanta; na segunda, o tiro apenas quebra seus óculos. Durante a exibição, isso soa completamente implausível – afinal, uma arma de caça à queima-roupa não deixaria ninguém de pé.
O espectador, sem as informações completas, tende a achar que o filme está ignorando a física ou que tudo é alucinação da protagonista.
Portanto, o que parece um erro grave é, na verdade, uma armadilha intencional do roteiro: fomos induzidos a duvidar da realidade exatamente como Peggy duvida.
Outro ponto que incomoda bastante durante a projeção é o tratamento dado à protagonista. Peggy é atacada, quase estrangulada, apresenta marcas reais no pescoço e está visivelmente abalada, mas ninguém – marido, polícia ou vizinhos – parece levar a sério ou investigar minimamente.
Enquanto isso, o verdadeiro desequilibrado, Michael Carmichael, mantém uma escola inteiramente fantasiosa, com gravações de sinos, vozes de alunos e aulas para simular normalidade, e ninguém questiona sua sanidade.
Essa assimetria é irritante… até entendermos que isso também faz parte do plano maior: todos (ou quase todos) estão, consciente ou inconscientemente, jogando o jogo de alguém.
Robert e Molly (Ralph Bates e Joan Collins) tentavam enlouquecer Peggy para que ela matasse Michael e eles ficassem com a herança. Os ataques iniciais foram encenados pelo casal (inclusive o estrangulamento e a figura do “homem do braço mecânico”). O sangue que Peggy vê é sangue do coelho que Molly levou como presente. Michael, ao descobrir o complô, vira o jogo e simula a própria morte, forçando os conspiradores a se exporem.
Dito isso, nem tudo funciona perfeitamente. O ritmo é um tanto arrastado – o filme facilmente poderia ter 10 ou 12 minutos a menos sem perder nada essencial. Outro ponto fraco evidente é o sangue vermelho vivo de guache, aquele tom artificial e brilhante típico das produções mais econômicas da Hammer. Em 1972, isso já soava datado e, toda vez que aparece, quebra um pouco a tensão pretendida, lembrando o espectador do baixo orçamento.
No fim das contas, Um Grito Dentro da Noite é um thriller mediano, mas honesto dentro das suas limitações. Funcionaria melhor em uma segunda assistida, quando se percebe como Sangster planta pistas e manipula nossa percepção. A produção é extremamente enxuta: acontece quase inteiramente no campo, numa escola abandonada e numa casa isolada, com um elenco que mal chega a meia dúzia de personagens (quase sem figurantes), o que reforça a sensação de claustrofobia e paranoia. Peter Cushing, apesar de aparecer relativamente pouco na tela, acrescenta um peso enorme à trama só pela sua presença –
ele começa como o suspeito óbvio, com toda a aura ameaçadora clássica da Hammer, para depois revelar-se a verdadeira vítima da história, em uma reviravolta que ganha força quando tudo é esclarecido.
E o corpo pendurado na árvore que abre o filme é o de Robert – revelação guardada para os minutos finais.
Recomendado para quem gosta de thrillers psicológicos à moda antiga, de câmera parada e tensão construída no diálogo e na dúvida. Não é obra-prima, mas é um exemplo interessante de como um roteiro pode usar a própria “confusão” inicial do espectador como ferramenta narrativa.
UM GRITO DENTRO DA NOITE, é um suspense inglês setentista com ótimo elenco, mas nem dentro da média. A história é arrastada além da conta contando em seu enredo o caso de uma escola para meninos cujo mulher recém-casada vai residir no local, por causa de seu recente marido (professor) da instituição. Ela percebe coisas estranhas e está sendo perseguida por um homem que usa luvas pretas e tem um braço mecânico. Peter Cushing e Joan Collins não tem muito tempo em cena, por isso, não conseguem brilhar. Já Ralph Bates como professor da escola e marido da protagonista consegue se destacar como marido preocupado. Judy Geeson tem boa atuação e consegue passar a aflição e o trastorno de uma mulher que foi atacada. Apesar do ritmo lento, o cenário o de se ocorre a estória é instigante e macabro. E o plot twist final foi bem pensado. Um suspense inglês da produtora HAMMER que é curioso, lembra em algumas tomadas de cena os giallos italianos.
Fear in the Night (no Brasil, Um Grito Dentro da Noite), thriller psicológico da Hammer dirigido e escrito por Jimmy Sangster, é um filme que brinca deliberadamente com a percepção do espectador. Durante grande parte da projeção, acumulam-se dúvidas e aparentes furos que fazem a trama parecer confusa ou até mal resolvida – mas, ao chegar no terceiro ato, quase todas essas questões recebem explicação lógica dentro do próprio universo diegético. O que parecia absurdo ou preguiçoso revela-se parte de um jogo de manipulação narrativa.
Um bom exemplo é a sequência em que Peggy (Judy Geeson)
dispara duas vezes contra Carmichael (Peter Cushing) com uma espingarda calibre 12. Na primeira, ele cai e se levanta; na segunda, o tiro apenas quebra seus óculos. Durante a exibição, isso soa completamente implausível – afinal, uma arma de caça à queima-roupa não deixaria ninguém de pé.
Só mais tarde descobrimos que Michael havia trocado as balas por festim, o que resolve a inconsistência de forma satisfatória (dentro do gênero).
Portanto, o que parece um erro grave é, na verdade, uma armadilha intencional do roteiro: fomos induzidos a duvidar da realidade exatamente como Peggy duvida.
Outro ponto que incomoda bastante durante a projeção é o tratamento dado à protagonista. Peggy é atacada, quase estrangulada, apresenta marcas reais no pescoço e está visivelmente abalada, mas ninguém – marido, polícia ou vizinhos – parece levar a sério ou investigar minimamente.
Enquanto isso, o verdadeiro desequilibrado, Michael Carmichael, mantém uma escola inteiramente fantasiosa, com gravações de sinos, vozes de alunos e aulas para simular normalidade, e ninguém questiona sua sanidade.
Essa assimetria é irritante… até entendermos que isso também faz parte do plano maior: todos (ou quase todos) estão, consciente ou inconscientemente, jogando o jogo de alguém.
No desfecho, as peças encaixam:
Robert e Molly (Ralph Bates e Joan Collins) tentavam enlouquecer Peggy para que ela matasse Michael e eles ficassem com a herança. Os ataques iniciais foram encenados pelo casal (inclusive o estrangulamento e a figura do “homem do braço mecânico”). O sangue que Peggy vê é sangue do coelho que Molly levou como presente. Michael, ao descobrir o complô, vira o jogo e simula a própria morte, forçando os conspiradores a se exporem.
Dito isso, nem tudo funciona perfeitamente. O ritmo é um tanto arrastado – o filme facilmente poderia ter 10 ou 12 minutos a menos sem perder nada essencial. Outro ponto fraco evidente é o sangue vermelho vivo de guache, aquele tom artificial e brilhante típico das produções mais econômicas da Hammer. Em 1972, isso já soava datado e, toda vez que aparece, quebra um pouco a tensão pretendida, lembrando o espectador do baixo orçamento.
No fim das contas, Um Grito Dentro da Noite é um thriller mediano, mas honesto dentro das suas limitações. Funcionaria melhor em uma segunda assistida, quando se percebe como Sangster planta pistas e manipula nossa percepção. A produção é extremamente enxuta: acontece quase inteiramente no campo, numa escola abandonada e numa casa isolada, com um elenco que mal chega a meia dúzia de personagens (quase sem figurantes), o que reforça a sensação de claustrofobia e paranoia. Peter Cushing, apesar de aparecer relativamente pouco na tela, acrescenta um peso enorme à trama só pela sua presença –
ele começa como o suspeito óbvio, com toda a aura ameaçadora clássica da Hammer, para depois revelar-se a verdadeira vítima da história, em uma reviravolta que ganha força quando tudo é esclarecido.
E o corpo pendurado na árvore que abre o filme é o de Robert – revelação guardada para os minutos finais.
Recomendado para quem gosta de thrillers psicológicos à moda antiga, de câmera parada e tensão construída no diálogo e na dúvida. Não é obra-prima, mas é um exemplo interessante de como um roteiro pode usar a própria “confusão” inicial do espectador como ferramenta narrativa.
Assistido em 18/11/2025
Esse foi ruim, e olha que sou grande fã dos filmes da Hammer.
Boa ideia, PÉSSIMA execução! Nota 1,0 apenas pelos belos cenários e ótima trilha sonora.
UM GRITO DENTRO DA NOITE, é um suspense inglês setentista com ótimo elenco, mas nem dentro da média. A história é arrastada além da conta contando em seu enredo o caso de uma escola para meninos cujo mulher recém-casada vai residir no local, por causa de seu recente marido (professor) da instituição. Ela percebe coisas estranhas e está sendo perseguida por um homem que usa luvas pretas e tem um braço mecânico.
Peter Cushing e Joan Collins não tem muito tempo em cena, por isso, não conseguem brilhar. Já Ralph Bates como professor da escola e marido da protagonista consegue se destacar como marido preocupado. Judy Geeson tem boa atuação e consegue passar a aflição e o trastorno de uma mulher que foi atacada.
Apesar do ritmo lento, o cenário o de se ocorre a estória é instigante e macabro. E o plot twist final foi bem pensado. Um suspense inglês da produtora HAMMER que é curioso, lembra em algumas tomadas de cena os giallos italianos.
Visto em 09/04/2023.
Bem fraco e o final foi broxante.