Lisboa, hoje. Um quarto de uma casa na Rua dos Douradores. Um homem inventa sonhos e estabelece teorias sobre eles. A própria matéria dos sonhos torna-se física, palpável, visível. O próprio texto torna-se matéria na sua sonoridade musical. E, diante dos nossos olhos, essa música sentida nos ouvidos, no cérebro e no coração, espalha-se pela rua onde vive, pela cidade que ele ama acima de tudo e pelo mundo inteiro. Filme desassossegado sobre fragmentos de um livro infinito e armadilhado, de uma fulgurância quase demente mas de genial claridade. O momento solar de criação de Fernando Pessoa. A solidão absoluta e perfeita do eu, sideral e sem remédio. Deus sou eu!, também escreveu Bernardo Soares.
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Adaptar um livro de fluxo de consciência é realmente difícil, entendo que o diretor não busca agradar, mas produzir incômodo, o mesmo incômodo existencial que Pessoa propõe. É menos um filme para ser assistido e mais um estado para ser habitado: melancólico, reflexivo e, acima de tudo, profundamente humano na sua incapacidade de simplesmente existir sem pensar.
"Assim, terminei como os outros da orla de gentes
Naquilo a que comumente se chama:
A decadência.
A decadência é a perda total da inconsciência.
Mas a inconsciência é o fundamento da vida.
O coração se pudesse pensar
Pararia"
Filme terrivelmente ruim. Parece que pegaram uma peça de teatro, que já não era boa, e adaptaram porcamente para a linguagem fílmica. Um desserviço para com o "Livro do Desassossego", do Fernando Pessoa (ou Bernardo Soares, nesse caso). Nada no filme dá a dimensão da complexibilidade e sensibilidade do que é declamado. Um amontoado de cenas desconexas quaisquer com declamações... Esse é o resumo de "Filme do Desassossego".
A única coisa que salva são as declamações de poesias e trechos do livro. Péssimo filme.
Não é para mim. Eu bem que tentei.
Foge muito da estrutura de um filme e, na minha opinião, fica extremamente cansativo.
Vale principalmente pelo texto e por algumas cenas e canções...
Duas horas de um grande nada. Nota 2,5 2*.