Se as questões metalinguísticas do filme foram "um tiro no pé", é necessário muito talento e técnica para atirar tão bem. O cinema de Burlan me parece muito mais interessante por suas dúvidas do que por suas afirmações, e talvez seja isso que esteja causando tanta desconfiança por aqui. Fome é uma obra que, mais do que qualquer outra coisa, tenta deixar claros os termos de sua ética e os limites de sua representação - algo trazido pela escolha de Bernardet como personagem, pelos personagens secundários, pelas digressões explícitas sobre o cinema e a representação e, principalmente, pelos últimos segundos do filme, no instante em que um estrondo dispersa o apogeu da atuação dramática que ali vinha se desenhando.
A aposta de Burlan me parece ser por complexificar ao máximo os termos do que é visto, colocar em relação explícita o que se vê, como se vê, as implicações éticas e políticas disso, quem está enunciando. Uma equação dificílima. Ao se lidar com uma matéria tão penosa - e Bernardet foi uma das pessoas que mais se propôs a pensar como o cinema brasileiro realizava essas relações -, não se pode desconsiderar os termos em que ela irá se desenhar em ato e, então, firmar e realizar em soluções estéticas as posturas éticas. A solução em Fome me parece ser a própria dúvida pela possibilidade de se relacionar um eu e um outro (ou mesmo pela existência a priori dessas posições, daí as contradições do personagem de Bernardet). Há nisso, acredito, enorme grandeza.
" Não vai dar nenhum sorriso? Um sorriso não custa nada."
FOME #Fome de #CristianoBurlan Brasil,2015.
Gosto do cinema de Cristiano Burlan. É o cinema que trabalha com o mínimo e sempre fala do todo. Em uma grande cidade, um homem vaga pelas ruas. Atrás de comida e local pra dormir. Quem vive em São Paulo ou em outra cidade grande sabe bem como vivem essas pessoas. As condições sub-humanas. Burlan vai mais fundo aqui. Analisa a sociedade que levou esses seres viverem assim. É um filme real. Sobre a vida real. E não é nem um pouco agradável se deparar com a realidade.
Eu pensei que seria um conteúdo mais profundo e que fluísse naturalmente. Mas, trata-se de um conteúdo altamente ARTIFICIAL ( cenas do mendigo claramente editadas ), FORÇADO e de produção PRECÁRIA.
Um tema como esse, caberia algo mais SÉRIO, e menos cheio de bláblás de pseudos ´´revolucionários´´ .
Se as questões metalinguísticas do filme foram "um tiro no pé", é necessário muito talento e técnica para atirar tão bem. O cinema de Burlan me parece muito mais interessante por suas dúvidas do que por suas afirmações, e talvez seja isso que esteja causando tanta desconfiança por aqui. Fome é uma obra que, mais do que qualquer outra coisa, tenta deixar claros os termos de sua ética e os limites de sua representação - algo trazido pela escolha de Bernardet como personagem, pelos personagens secundários, pelas digressões explícitas sobre o cinema e a representação e, principalmente, pelos últimos segundos do filme, no instante em que um estrondo dispersa o apogeu da atuação dramática que ali vinha se desenhando.
A aposta de Burlan me parece ser por complexificar ao máximo os termos do que é visto, colocar em relação explícita o que se vê, como se vê, as implicações éticas e políticas disso, quem está enunciando. Uma equação dificílima. Ao se lidar com uma matéria tão penosa - e Bernardet foi uma das pessoas que mais se propôs a pensar como o cinema brasileiro realizava essas relações -, não se pode desconsiderar os termos em que ela irá se desenhar em ato e, então, firmar e realizar em soluções estéticas as posturas éticas. A solução em Fome me parece ser a própria dúvida pela possibilidade de se relacionar um eu e um outro (ou mesmo pela existência a priori dessas posições, daí as contradições do personagem de Bernardet). Há nisso, acredito, enorme grandeza.
" Não vai dar nenhum sorriso? Um sorriso não custa nada."
FOME #Fome de #CristianoBurlan Brasil,2015.
Gosto do cinema de Cristiano Burlan. É o cinema que trabalha com o mínimo e sempre fala do todo. Em uma grande cidade, um homem vaga pelas ruas. Atrás de comida e local pra dormir. Quem vive em São Paulo ou em outra cidade grande sabe bem como vivem essas pessoas. As condições sub-humanas. Burlan vai mais fundo aqui. Analisa a sociedade que levou esses seres viverem assim. É um filme real. Sobre a vida real. E não é nem um pouco agradável se deparar com a realidade.
#JeanClaudeBernardet #AnaCarolinaMarinho #HenriqueZanoni #JuãoNin #CinemaBrasileiro
Eu pensei que seria um conteúdo mais profundo e que fluísse naturalmente. Mas, trata-se de um conteúdo altamente ARTIFICIAL ( cenas do mendigo claramente editadas ), FORÇADO e de produção PRECÁRIA.
Um tema como esse, caberia algo mais SÉRIO, e menos cheio de bláblás de pseudos ´´revolucionários´´ .
Conteúdo bem RUIM!
NOTA: 3,0
seu burguês, cinco reais não é nada pra você
Adorei!! Que fotografia incrível! <3
Que cena mais simples e linda aquela que ele "dança" com seu cobertor no vento da tubulação do metro!