Em 1890, Pontus, o escritor faminto, vagueia pelas ruas de Christiania (atual Oslo) em busca de amor e de uma oportunidade de publicar o seu trabalho. Tudo o que ele encontra é derrota e sofrimento, ao passo que seu senso de realidade está se esvaindo. Num momento ele fica encantado e no outro amaldiçoa a todos.
Ainda assim, todo o tempo ele consegue manter a dignidade e o orgulho humanos.
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Parece não ser à toa que a história se passe em Christianna; em nome do pai, do filho e do espírito santo, apague os que tem fome, pois deles não serão nem o reino da terra e nem, tão pouco, do Céu!
Narrativa confusa,mas acontecimentos bem explicativos.Drama pesado que pouco foi explorado durante as décadas e as vezes que se apresenta num formato meio documental consegue melhorar ainda mais a sessão.
>Assistido em 22 de Dezembro de 2022
Acho que o filme peca um pouco na interpretação do personagem; logo no início, custa-me muito perceber que aquela bipolaridade e divagações são frutos da inanição. Parece-me mais que o personagem sofre de distúrbios mentais!
Acho que faltou aprofundar mais na questão da fome de fato.
No mais, é um filme bom sim. Não há um clímax, nem ações, então quem curti um filme com muitos estímulos visuais, não irá gostar desse por sua monotonia.
Podia ser explorado monólogos, mas não há.
Enfim, de qualquer modo, é legal.
O ator, em toda sua desgraça, tenta transparecer uma imagem daquilo que não é, escondendo sua real condição, vivendo de aparência.
Também nos mostra que o desemprego, a fome causa não só problemas físicos, mas psicológicos também, podendo levar o indivíduo a uma depressão. Pois ele acaba mergulhando num poço que a cada momento se torna mais difícil de sair.
Fome, filme bem interessante, uma roteirização bem fiel à obra literária homônima do pra lá de polêmico escritor Knut Hamsun, que não é tão conhecida como merecia, e isso tem sua causa nas suas posições políticas pró-nazistas e também consideradas traidoras da pátria, no caso, da Noruega. A história tem muito de autobiográfica. E isto dá a ela maior credibilidade quanto ao que sente o protagonista.
Li o livro por sorte, pois achei grande parte da coleção Prêmio Nobel jogada num terreno baldio como entulho, a tradução foi à cargo de Drummond, porém de uma versão francesa... coisa que é irrelevante quando tem-se à frente alguém consagrado no campo da literatura.
O livro contém recursos narrativos que não foram postos ao filme, o que coloca o filme num outro tipo de narrativa, uma mais intuitiva ao espectador, que tem que desvendar certas situações. No livro é usado o fluxo de consciência, o que dá ao personagem famélico, que percorre as ruas de Kristiana, maior desenvolvimento, deveras ao teor psicológico dele ser o próprio narrador, e assim narrar não só sua desgraça, mas aquilo que passa a sua mente, suas pensamentos, alucinações, etc. Pensei que o filme iria utilizar deste mesmo recurso, com um narrador-personagem, mas não, e considerei muito criativo o tipo de narrativa cinematográfica utilizada. A começar pela utilização do preto e branco para aumentar ainda mais o tom dramático e angustiante, a excelente fotografia, a atuação do protagonista, que deu mesmo vida ao escritor, e a montagem bem feita que reproduz a narrativa tal qual se encontra no livro.
O recurso narrativo da nebulosidade, nas cenas onde há um esbranquiçamento, utilizado para mostrar os sonhos e logo mais a atormentação mental do escritor foi muito bem pensada. O escritor mostra-se um famélico devido a situação no qual se encontra, porém se martiriza quando pode, mesmo com alguns tostões, para ainda assim passar fome, pois dali tira sua inspiração, portanto, o sofrer de fome, ou seja, a dor dá ao escritor inspiração e é uma fonte de criatividade. É quase uma jornada heroica, onde o protagonista tenta a toda exaustão se mostrar digno, não se deixar levar pela sua evidente condição miserável,manter o status de uma pessoa que não precisa ser ajudada, ou não se rebaixa a pedir qualquer ajuda, e assim, tenta manter um certo orgulho.
A narrativa é fortemente influenciada por Dostoievski, que pode ser visto retratado numa pintura durante o filme, na hora em que o protagonista adentra à sala do chefe do jornal.
Obra clássica da literatura que deve ser lida, e o filme deve ser visto, ambos no caso desconhecidos do grande público.
16/30 - Noruega