Uma coisa que me desagrada muito nos documentários sobre a luta pela plena cidadania gay é a exibição de discursos homofóbicos sem qualquer filtro. A título de ilustrar algo que até primo Coisa da família Addams está careca de saber, invariavelmente os cineastas abrem o microfone para os fascistas mais irracionais e verborrágicos destilarem sua peçonha, cedendo-lhes um palco iluminado e permitindo-lhes roubar o protagonismo do show (ou pelo menos criar uma cena constrangedora).
Diferentemente dos documentários de guerra que embaçam as imagens mais gráficas e chocantes, nos documentários gays nossos olhos e ouvidos jamais são poupados de nada. O discurso de ódio é transcrito ipsis litteris em todas as suas corres mais berrantes. Só para citar dois exemplos de filmes que vi recentemente (2019), isso ocorreu tanto no documentário "Lampião da Esquina" (2016) exibido pelo Canal Brasil quanto no episódio 4 da série "Fora do Armário" (2018) exibida pelo canal HBO Brasil. Em ambos os casos histórias bonitas e inspiradoras foram bruscamente interrompidas por discursos de ódio irracionais, sem qualquer edição nem contraponto. Nossos cineastas precisam abandonar esse vício horroroso.
Me incomoda alguns comentários péssimos dos familiares e entrevistados sem qualquer argumentação que eduque pessoas fora da militância que assistem à série-documentário. Não dá pra reproduzir preconceitos sem rebatê-los, ainda mais se a intenção do programa é trazer informação.
Mostrar a casa e a cidade das pessoas, elas trabalhando e comendo com a família, e conversar sobre o assunto visivelmente nesses espaços ou no decorrer desses momentos, foi um dos maiores acertos. É simples, mas humanizou demais cada um. Além disso, os personagens reais e as histórias foram muito bem escolhidas. Nos dois primeiros episódios, os entrevistados não são muito questionados, mas nos outros, a diretora foi direta, não deixou passar batido alguns posicionamentos toscos. Entre os que eu vi, os casos mais curiosos foram os do episódio 4, um deles sobre uma família com dois gays e uma lésbica que diz aceitar bem, mas todos têm opiniões questionáveis. O episódio mais fraco foi o do Thammy e do Jean, porque todo mundo sabe um pouco do que eles têm pra falar, até quem não é LGBT (consegue ir mais a fundo, mas nem tanto). É uma série sobre luta, porque sair do armário não significa que automaticamente tudo vai se resolver, pra quem não tem essa noção, isso vai ficar nítido aqui. Mas quando você pode fazer algo, sempre vai valer mais a pena não se esconder ou sofrer internamente. Fechar a série falando sobre educadores também foi importante. De ponto negativo, achei a duração, já que se trata de um documentário convencional com entrevistas. E cada episódio tem uma hora. Assisti seis, foram 6 horas proveitosas, mas foi cansativo (isso porque nem vi direto). Ás vezes com meia hora a gente já tem noção de quem são os personagens e os recados do episódio, então a segunda metade se repetia um pouco. Por fim, é triste que uma série tão incrível como essa, que contou com dinheiro público, esteja escondida. Ela pode salvar muitas pessoas. Até hoje, sempre que um episódio é exibido na TV aparece um recado dizendo que está disponível na HBO GO, e não está.
Uma coisa que me desagrada muito nos documentários sobre a luta pela plena cidadania gay é a exibição de discursos homofóbicos sem qualquer filtro. A título de ilustrar algo que até primo Coisa da família Addams está careca de saber, invariavelmente os cineastas abrem o microfone para os fascistas mais irracionais e verborrágicos destilarem sua peçonha, cedendo-lhes um palco iluminado e permitindo-lhes roubar o protagonismo do show (ou pelo menos criar uma cena constrangedora).
Diferentemente dos documentários de guerra que embaçam as imagens mais gráficas e chocantes, nos documentários gays nossos olhos e ouvidos jamais são poupados de nada. O discurso de ódio é transcrito ipsis litteris em todas as suas corres mais berrantes. Só para citar dois exemplos de filmes que vi recentemente (2019), isso ocorreu tanto no documentário "Lampião da Esquina" (2016) exibido pelo Canal Brasil quanto no episódio 4 da série "Fora do Armário" (2018) exibida pelo canal HBO Brasil. Em ambos os casos histórias bonitas e inspiradoras foram bruscamente interrompidas por discursos de ódio irracionais, sem qualquer edição nem contraponto. Nossos cineastas precisam abandonar esse vício horroroso.
Alguém sabe onde assistir online ou até baixar??
Me incomoda alguns comentários péssimos dos familiares e entrevistados sem qualquer argumentação que eduque pessoas fora da militância que assistem à série-documentário. Não dá pra reproduzir preconceitos sem rebatê-los, ainda mais se a intenção do programa é trazer informação.
Mostrar a casa e a cidade das pessoas, elas trabalhando e comendo com a família, e conversar sobre o assunto visivelmente nesses espaços ou no decorrer desses momentos, foi um dos maiores acertos. É simples, mas humanizou demais cada um. Além disso, os personagens reais e as histórias foram muito bem escolhidas. Nos dois primeiros episódios, os entrevistados não são muito questionados, mas nos outros, a diretora foi direta, não deixou passar batido alguns posicionamentos toscos. Entre os que eu vi, os casos mais curiosos foram os do episódio 4, um deles sobre uma família com dois gays e uma lésbica que diz aceitar bem, mas todos têm opiniões questionáveis. O episódio mais fraco foi o do Thammy e do Jean, porque todo mundo sabe um pouco do que eles têm pra falar, até quem não é LGBT (consegue ir mais a fundo, mas nem tanto). É uma série sobre luta, porque sair do armário não significa que automaticamente tudo vai se resolver, pra quem não tem essa noção, isso vai ficar nítido aqui. Mas quando você pode fazer algo, sempre vai valer mais a pena não se esconder ou sofrer internamente. Fechar a série falando sobre educadores também foi importante. De ponto negativo, achei a duração, já que se trata de um documentário convencional com entrevistas. E cada episódio tem uma hora. Assisti seis, foram 6 horas proveitosas, mas foi cansativo (isso porque nem vi direto). Ás vezes com meia hora a gente já tem noção de quem são os personagens e os recados do episódio, então a segunda metade se repetia um pouco. Por fim, é triste que uma série tão incrível como essa, que contou com dinheiro público, esteja escondida. Ela pode salvar muitas pessoas. Até hoje, sempre que um episódio é exibido na TV aparece um recado dizendo que está disponível na HBO GO, e não está.
Edit: Agora está disponível!
É interessante ver diferentes espectros de sexualidade e gênero em diferentes contextos sociais.