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Data de lançamento
20 Abril 2007Duração
Willy Beachum (Ryan Gosling) é um jovem e ambicioso promotor público, que está no melhor momento de sua vida profissional. Ele tem 97% de vitória nos casos em que atuou e está prestes a assumir um cargo na famosa agência Wooton Sims. Porém, antes de deixar o cargo de promotor ele tem um último desafio pela frente: Ted Crawford (Anthony Hopkins). Após descobrir que sua esposa o estava traindo, Ted a matou com um tiro na cabeça. Parecia um caso simples, já que era um crime premeditado e com uma confissão clara, mas Ted cria um labirinto complexo em torno do caso de forma a tentar sua absolvição.
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Filmaço , assisti a primeira vez no Cine Belas Artes no SBT
16/08/2026 - Ótimas interpretações.
longo demais e o ryan gosling tá em todos os filmes, wtf
Achei longo, mas é um bom filme
Ted Crawford atira na própria esposa, espera a polícia chegar e, sem pressa, confessa. Não foge, não parece particularmente preocupado. Decide ficar. Pior: decide jogar — à espera de descobrir se alguém será inteligente o bastante para acompanhá-lo. Do outro lado está Willy Beachum. Ele não entra em casos difíceis. Ele entra em casos ganhos. Uma confissão, uma vítima, uma arma — o tipo de combinação que costuma encerrar histórias antes mesmo de começarem. E talvez seja justamente por isso que ele aceita: porque, ali, não parece haver jogo nenhum.
Mas há. E é aí que Fracture encontra o que tem de mais interessante.
O que começa como um caso ganho rapidamente se revela outra coisa: um jogo entre duas pessoas que não sabem perder. De um lado, alguém no auge, prestes a trocar a promotoria por uma firma poderosa, acostumado a transformar qualquer situação em vitória automática. Do outro, alguém que parece se alimentar do risco, que não quer evitar o crime, mas levá-lo até o limite só para ver se alguém acompanha. Aos poucos, o que parecia simples começa a ceder. Sempre há uma rachadura, uma brecha fora do lugar. Um policial que colhe a confissão e não deveria estar ali. Uma arma que nunca foi disparada. Nada se sustenta por completo. E é nesse terreno instável que o homem invicto precisa procurar uma agulha no palheiro. O que mais me prende aqui é essa sensação constante de duelo — nenhum dos dois joga para empatar.
Tem um momento em que o Willy explica como conseguiu chegar nessa nova firma. Ele conta de um caso em que tudo parecia resolvido por um acordo — fácil demais — e o outro advogado simplesmente relaxou. Chegou despreparado. É uma história rápida, quase jogada, mas diz muito sobre ele. Sobre alguém que construiu a própria carreira na certeza de que nunca pode entrar em um jogo achando que já venceu. E, ainda assim, é exatamente isso que ele faz aqui. O interessante é como o filme começa a tensionar essa segurança. Em certo ponto, já sem conseguir sustentar o caso pelas vias normais, surge a possibilidade de vencer de outro jeito — plantando uma evidência, atravessando a linha ética. E ele hesita. A vitória continua sendo o objetivo, mas, pela primeira vez, existe um custo claro: até onde ele pode ir sem desmontar a própria ideia de quem é?
Eu não sou particularmente fã da trama do romance com a Rosamund Pike, mas também não atrapalha. Funciona mais como contexto — algo a perder. A firma nova, a namorada nova, o risco de ver tudo escapar ao mesmo tempo. Dá peso, dá consequência. Ainda assim, o filme se sustenta sozinho no confronto entre Willy e Ted. É ali que tudo ganha força.
Talvez a única coisa que eu fico imaginando é como esse jogo mudaria se o filme segurasse um pouco mais as cartas do Ted. Desde o começo, existe uma clareza grande demais sobre quem ele é. A gente vê o cuidado com a arma, com as balas, o gesto calculado de apagar rastros, por exemplo, ele lavando as mãos. Em nenhum momento ele parece realmente perdido — só parece esperar.
E isso altera o tipo de suspense. Porque, diferente do Willy, nunca dá para comprar a ideia de que ele é só um homem excêntrico se defendendo sozinho. O interesse deixa de ser quem ele é e passa a ser quando o outro vai perceber o tamanho do problema. O filme escolhe trabalhar com essa vantagem, transformar tudo em um jogo aberto.
Mas fico pensando como seria se não fosse assim.
Se, por um tempo, desse para enxergar ele como o Willy enxerga: só mais um erro fácil, alguém que cavou a própria queda. E então, só depois, revelar o quanto cada detalhe já estava calculado. Talvez o impacto fosse outro. Eu entendo a escolha — o filme quer que a gente acompanhe a briga de gato e rato desde o primeiro tempo. Mas esconder um pouco mais esse controle, deixar essa inteligência menos evidente, poderia tornar tudo ainda mais divertido. Ainda assim, essa decisão não enfraquece o que o filme tem de mais interessante — só muda o tipo de prazer.
No fim, Fracture funciona quase como um delicioso herdeiro moderno de Rope do Hitchcock. Esse gosto meio sádico de acompanhar alguém que não só comete um crime, mas parece querer ser testado por ele. Chegar o mais perto possível de ser pego sem nunca ceder. O cenário muda, não está preso a uma sala, mas carrega o mesmo sadismo elegante de observar alguém brincar com a própria queda, esticando a corda só para sentir até onde ela aguenta antes de arrebentar. Afinal, nada melhor do que se colocar à prova quando a própria queda parece fazer parte do plano.