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Duração
Como o romance, o filme tem uma estrutura complexa e muitas histórias entrelaçadas. Durante o trabalho no filme, o enredo foi submetido a uma reformulação importante: em contraste com o romance, a história de que termina no final da década de 1990, o filme é trazido para os dias de hoje e até ligeiramente alargado no futuro. O filme também é em muitos aspectos, construída sobre alucinações, incluindo um discurso de Che Guevara a respeito de como e por que a televisão está destruindo a humanidade.
O filme segue Vavilen Tatarsky enquanto ele luta para trabalhar e se adaptar à vida em Moscou, na Rússia, recém-independente. Vavilen é um escritor muito habilidoso de anúncios, e assim ele começa a trabalhar numa agência de publicidade que promove marcas ocidentais, adaptando suas campanhas publicitárias para a "mentalidade russa."
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Tem momentos muito bons, assim como tem momentos bem complexos. A narrativa do filme mistura crítica social, sátira política e reflexões sobre a publicidade e o consumo em uma sociedade pós-soviética, o que faz com que algumas passagens sejam realmente fascinantes e cheias de impacto visual e simbólico. Ao mesmo tempo, também existem trechos que exigem bastante do espectador, porque o ritmo acelerado e a forma como o diretor constrói as sequências acabam deixando tudo mais denso e difícil de acompanhar.
E fica mais complicado ainda para nós que não estamos tanto por dentro do assunto. Há várias referências históricas, culturais e até mesmo filosóficas que, para quem não tem familiaridade com a realidade russa da época, podem soar confusas ou até mesmo inacessíveis. Imagino que para alguém que cursa publicidade isso deva ser muito foda, porque o filme explora de maneira direta e crítica como a propaganda molda mentalidades, manipula desejos e interfere na construção de identidades. Para estudantes e profissionais dessa área, deve ser quase uma aula audiovisual carregada de ironia e questionamentos.
As legendas extremamente rápidas, mais do que o comum, atrapalham um pouco. Em algumas cenas é difícil absorver tanto a velocidade do texto quanto a intensidade das imagens e das falas, o que prejudica a experiência de quem depende totalmente delas para acompanhar a obra. Também achei o filme um pouco mais longo do que o necessário. Existem passagens que poderiam ser mais enxutas, e isso tornaria a experiência ainda mais dinâmica sem perder o impacto.
Mas, ao mesmo tempo, tem temas e assuntos muito bons. O filme fala de poder, de manipulação, da transição cultural da Rússia e do peso que a publicidade e os meios de comunicação têm em um cenário de mudança. Apesar de algumas coisas bem viajadas, que parecem quase surreais demais, essa mistura de realidade com delírio faz parte do estilo e dá um ar único para a obra.
O filme tem alguns diálogos interessantes, e deixo um destaque que me chamou atenção:
“Me diga. Quando você está no exterior, se sente humilhado? Nunca estive no exterior. E ainda bem. Porque, se for, você vai se sentir. Eu te digo na lata - lá fora, eles não acham que somos pessoas de verdade. Eles acham que somos todos lixo e animais. Mas por que nos tratam assim? O que você acha? Porque assistimos aos filmes deles, dirigimos os carros deles, até comemos a comida deles. E não produzimos nada, exceto dinheiro... Que, no fim das contas, ainda é o dólar deles, não importa como você olhe. Não sou economista, mas tenho um pressentimento que algo está podre aqui, de alguma forma, algo em algum lugar não bate. É só que perdemos nossas raízes por enquanto por causa de toda essa porcaria que está acontecendo. Mas o que somos é a Rússia! Dá medo só de pensar nisso! Um grande país! Você concorda comigo?”
No geral, Generation P é um filme provocativo, cheio de camadas e ideias que merecem ser discutidas. Ele pode ser cansativo e até confuso em alguns momentos, mas não deixa de ser uma experiência intensa e cheia de significado, principalmente para quem se interessa por crítica social e pela influência da publicidade no mundo moderno.
Assistido em 30/09/2025
O filme tem seus momentos geniais e insights legais sobre Rússia pós-comunista, mas no geral eu me senti um pouco fora de contato com ele. Tenho certeza de que apreciaria muito mais se estivesse mais por dentro da sociedade russa ou, se, pelo menos, as legendas não fossem tão horríveis. Mesmo assim, vale a pena assistir.
"Wow Wow Wow" (Che Guevara)
alguém me manda o link para baixar? :/
Podia ter sido um dos melhores filmes que já vi, se na segunda metade não ficasse lisérgico demais.