Birmânia, 1917. Edward, um funcionário público do Império Britânico, abandona Molly, sua noiva apaixonada, no dia em que ela chega para o casamento. Enquanto ele embarca em uma odisseia improvável pela Ásia, Molly o persegue incansavelmente, e eles embarcam em um jogo internacional de gato e rato.
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“tenho muito amor pra dar. seria egoísmo dá-lo para apenas uma pessoa” – Ngoc
(assistido no mubi festival na estação net rio)
Criou uma situação interessante, mas preocupou-se mais em explorar os elementos culturais e estéticos dos locais visitados do que explorar mais a fundo as motivações dos personagens. Artisticamente é belo, mas um pouco tedioso em matéria de dramatização.
O que me incomodou aqui nem foi o romance insípido, mas a não sincronia entre imagem e a irritante narração, que precisará justificar o roteiro. É como pegar um documentário de viagem e ir narrando uma história quase em terceira pessoa, dificultando a conexão. Pra piorar, o filme começa com a visão do homem, mistura-se a da mulher, e depois se encaminha para o ponto de vista dela, com um final que sequer nos importamos. Algumas cenas voltadas para curiosidades antropológicas podem compensar esse esforço.
A megalomania do irmão menos conhecido do Blue Pen é fascinante, que continue assim para sempre.
Se, na Europa, o filme foi quase unanimemente aclamado, aqui no Brasil, a recepção não foi tão caloroso. Isso porque há algo de suspeitoso na maneira como a lógica colonialista é abordada aqui: não se duvida que a abordagem é satírica, obviamente, mas a introdução dos dois personagens centrais (cada um responsável por metade da condução narrativa) intensifica o distanciamento metonimizado pelo jogo entre imagens e sons, visto que eles são pouco suportáveis. Gonçalo Waddingtin investe numa perene cara de tacho, num olhar superior de ressabiamento ocidental, enquanto Crista Alfaiate acentua o estranhamento do anseio romântico (?), por conta da maneira como ele ri, em instantes internamente adequados. Logicamente, o estilo gomesiano - brilhante! - rende situações esplêndidas, nos trechos documentais e intencionalmente anacrônicos, na conjunção espetacular de elementos culturais dos países retratados. Porém, a despeito as maravilhas percebidas e perceptíveis, nos aspectos técnicos, o arremedo de entrecho, baseado numa obra de W. Somerset Maugham, distancia um tanto o espectador do fascínio. Ao menos, aconteceu assim comigo. Numa revisão, presumo que o filme funcione bem mais! (WPC>)