Durante o período pós-guerra, especialistas em estudos domésticos descobriram que organizar a localização dos eletrodomésticos de uma cozinha com base em linhas de montagem de fábrica traria altos benefícios financeiros. Ou, como um anúncio publicitário sueco dizia: em vez de ter que andar o equivalente à distância entre Suécia e Congo durante um ano cozinhando, a dona-de-casa só teria que andar até o norte da Itália. Depois de mapear o comportamento da mulher na cozinha, os suecos se aventuraram para além de seus limites geográficos e de gênero: no começo dos anos 50, enviaram 18 observadores para a vila de Landstad, na Noruega, conhecida por seu excedente de solteiros, para estudar as rotinas de homens solteiros na cozinha.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
O filme Histórias de Cozinha é suave na cinematografia e no diálogo, mas rico em história. Foi interessante notar que a epistimologia "positivista" seria usada na observação dos temas do filme e a palavra "positivista" é na verdade articulada pelos cientistas sociais no filme; mas como os pós-positivistas entendem, é praticamente impossível ter um pesquisador totalmente separado, física, emocional ou não, da coisa que ele observa. O filme é muito dependente do cenário, já que um estudo moderno semelhante seria realizado com uma câmera discreta para descobrir o padrão de viagem de um consumidor dentro de sua cozinha. Mas a, digamos, precariedade material não impede o diretor de nos apresentar algo bastante satisfatório, suponho! Há várias ideias em jogo nesse filme. Primeiro, há o absurdo da cadeira alta no canto da cozinha campestre do Isak. Se o pesquisador positivista passar despercebido, Folke não está fazendo um trabalho muito bom. Em segundo lugar, encontramos em algum diálogo de personagens posteriores que Isak não usa sua cozinha de propósito para suspeitar do observador. Isto dá ao observador de cinema a compreensão, que ele provavelmente já tinha, de que as ações do observado foram muito influenciadas pelo observador na sala, apesar de sua falta de conversa; aliás esse é material riquíssimo nos "cadernos de campo" de um sem número de pesquisadores das ciências sociais. Em terceiro lugar, há a ironia de que as únicas observações verdadeiramente positivistas estão ocorrendo quando o sujeito vê o observador por meio de um buraco no chão de um armário no andar de cima. Na realidade, o amigo ciumento, Grant, também observa a amizade que Folke e Isak estão produzindo. Ao longo do filme, as conversas de Folke com seu chefe mostram que ele está lutando com sua abordagem positivista, aqui entendida como a teoria por meio da qual emerge, então, na expectativa de buscar conhecimentos que fossem tão confiáveis quanto aqueles produzidos pelas ciências da natureza. A busca pelo conhecimento. a partir do método positivista. exalta demasiadamente a observação dos fatos, pregando a submissão da imaginação à observação. A classificação dos fenômenos nunca se daria a priori e a explicação dos fenômenos se dariam pela relação dos mesmos baseados em uma teoria que os ligaria. A função essencial da ciência sob o ponto de vista da visão positivista é a capacidade que possui de prever, ressaltando que o espírito positivo verdadeiro consiste em ver para crer. O esforço intelectual para isso é fundamentado na necessidade simultânea de ordem e progresso (lembraram aí da bandeira do Brasil? Pois é!). Folke relutantemente critica Green por beber com seu sujeito, mas na cena seguinte compartilha seu tabaco (e o sal de seu sujeito), rompendo com o édito "sem contato" do pesquisador positivista. Mas o impulso interno de Folke pela conectividade pessoal finalmente supera seu desejo de ser separado de seu sujeito. Um cano, um cobertor, um bolo de aniversário e uma bebida acabam com qualquer observação objetiva. Curiosamente, porém, ele descobre muito mais sobre seu sujeito e sobre as práticas de Isak na cozinha depois que seu ridículo silêncio é quebrado, um silêncio que é psicologicamente implacável entre duas pessoas posicionadas tão de perto em suas rotinas diárias. Folke e Isak concordariam que estudo foi bobo em seu roteiro, e mais bobo na prática. As conversas que os homens compartilharam abriram linhas de comunicação e lhes permitiram chegar a uma verdade sobre o projeto em que estão engajados. Não desenvolvi meu próprio estilo de pesquisa neste momento, embora gostasse de ter dados para desagregar. Como esses dados seriam coletados, embora ainda estejam no ar. Posso ver a loucura da abordagem puramente positivista, especialmente porque ela se aplica a Histórias de Cozinha, entendo. No entanto, acho que o fato de o pesquisador se tornar parte da história, como faz um etnógrafo, traz muito preconceito para o estudo/pesquisa, no filme, não nas etnografias Em suma, eu gostaria de desenvolver um conhecimento sobre mim como pesquisador, e a pesquisa que eu gostaria de conduzir, para que a metodologia "me escolhesse". O filme é bastante datado, mas as questões subjacentes não se esgotam e nem se tornam ultrapassadas, pelo contrário, o eterno dilema entre as relações possíveis do pesquisador e seu objeto é, cada vez mais, uma preocupação consideravelmente séria e necessária. Indico o filme fortemente, para quem quer e para quem não quer ser pesquisador!
A história valoriza bastante a amizade entre os dois personagens principais. E é retratada de uma forma bem diferente, surge inesperada e se transforma em uma grande amizade. É incrível como a amizade pode ser poderosa, é uma das mais puras relações humanas.
O filme tem um ritmo bem lento, o que combina com a natureza e a solitude.
Não me prendeu, e nem me comoveu.
Solitário, de uma simplicidade e sutileza sem tamanho. Filme para ser apreciado com calma. Belíssimo filme.
Personagens masculinos são quase sempre curiosos pra mim, e é só o que tem nesse filme. E somando aos costumes da região, eles me parecem tão distantes. E a burocracia se mostra tão incompetente...