A patinadora artística Jiang luta para salvar sua carreira sob o olhar implacável de sua mãe e treinadora, Wang. Na pista, ela encontra uma alma gêmea em Zhong. Mas quando Wang começa a treinar Zhong, a tensão aumenta e a ambição de Jiang se transforma em uma obsessão destrutiva.
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Dirigido por Jinghao Zhou (em seu segundo trabalho), o drama com suspense produzido na China é uma fita intensa que se passa no universo competitivo da patinação artística, expondo a tensão entre duas patinadoras durante os preparativos de um campeonato – e o filme não deixa de lado outros subtemas, como a pressão familiar em busca do sucesso e os dilemas emocionais das atletas. A estética do filme é fenomenal, um trabalho de mestre com grandes cenas de patinação, em que a câmera captura closes nos patins riscando o gelo, enquadramentos por cima e por baixo das atletas, além de cenas em que as duas personagens centrais se confrontam em diálogo combativos. O longa acompanha Jiang (Zifeng Zhang), uma promissora patinadora que tenta de tudo para ascender na carreira, sob o olhar implacável da mãe e treinadora, Wang (Yili Ma). A relação entre as duas é de disciplina rigorosa, que não fica só no ambiente da casa, mas mais ainda nas quadras. A relação entre ambas aumenta a tensão psicológica do filme e revela como o amor pode ser dominado e até destruído pelo controle em excesso. Na pista, Jiang encontra-se com Zhong (Xiangyuan Ding), que vê nela um reflexo de próprias inseguranças. Até que Wang passa a treinar Zhong, estabelecendo uma rivalidade entre as duas patinadoras. Rivalidade esta que se torna uma busca pela perfeição e também uma obsessão, levando as duas garotas a um jogo intenso de confrontos. A direção de Zhou recorre a um fino trabalho, com ótima fotografia de Yu Jing-Pin, principalmente a dos treinos no gelo (com cores frias, num ambiente cercado e solitário). Não é apenas um filme sobre competição esportiva, e sim uma obra densa sobre os limites da ambição e os custos do reconhecimento e sucesso (em certos aspectos lembra “Eu, Tonya”, em especial a relação controversa da patinadora com a mãe temperamental). Uma fita que inquieta, aguça nossa percepção e comprova mais uma vez a qualidade do cinema chinês contemporâneo. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom