Já faz algum tempo que Valeria e Raúl querem ter um filho. Quando a gravidez finalmente se confirma, a gestante começa a ser assombrada por uma estranha e monstruosa presença, que coloca as vidas do casal e de seu futuro bebê em risco.
A cultura e o imaginário mexicano estão repletos de lendas e figuras ligadas ao feminino, como a Llorona, a Mulata de Córdoba, a Nahuala e também a Huesera. Em geral, são histórias sobrenaturais protagonizadas por mulheres em estado de dor, transformação ou rebeldia. Funcionam como metáforas para vários dilemas femininos como o luto, a maternidade, a culpa, a traição, e não apenas para evocar terror, embora estética e simbolicamente ele esteja presente.
Em "Huesera" o elemento sobrenatural se impõe, mas não é esse terror imediato que o filme quer mostrar. Existe um outro terror tímido e quase imperceptível, revelado aos poucos pela história da protagonista, uma jovem prestes a tornar-se mãe. É que, para algumas mulheres, a maternidade não é cor-de-rosa; na verdade ela é uma fratura sob vários aspectos, uma reconfiguração total de vida. Gerar uma vida não apenas transforma o corpo, mas também toda uma identidade psicológica se rompe nesse processo. Quando nasce uma mãe, morre simbolicamente a antiga persona e, em seu lugar surge uma outra emocional e socialmente diferente.
Ao arranhar o verniz romântico da maternidade, "Huesera" deixa à mostra as garras de um inimigo interno, uma angústia que se aproxima da loucura, quando a perda da liberdade de escolha e a despersonalização forçam uma mulher a agir de acordo com o que se espera dela, e não com o que ela realmente deseja. O sobrenatural, nas mãos da diretora Michelle Garza Cervera é uma lente, um recurso para que se enxergue um pouco dessa verdade silenciada.
A maternidade e seus desafios.
30.11.2025
Como a bebê
sobreviveu na geladeira?
A cultura e o imaginário mexicano estão repletos de lendas e figuras ligadas ao feminino, como a Llorona, a Mulata de Córdoba, a Nahuala e também a Huesera. Em geral, são histórias sobrenaturais protagonizadas por mulheres em estado de dor, transformação ou rebeldia. Funcionam como metáforas para vários dilemas femininos como o luto, a maternidade, a culpa, a traição, e não apenas para evocar terror, embora estética e simbolicamente ele esteja presente.
Em "Huesera" o elemento sobrenatural se impõe, mas não é esse terror imediato que o filme quer mostrar. Existe um outro terror tímido e quase imperceptível, revelado aos poucos pela história da protagonista, uma jovem prestes a tornar-se mãe. É que, para algumas mulheres, a maternidade não é cor-de-rosa; na verdade ela é uma fratura sob vários aspectos, uma reconfiguração total de vida. Gerar uma vida não apenas transforma o corpo, mas também toda uma identidade psicológica se rompe nesse processo. Quando nasce uma mãe, morre simbolicamente a antiga persona e, em seu lugar surge uma outra emocional e socialmente diferente.
Ao arranhar o verniz romântico da maternidade, "Huesera" deixa à mostra as garras de um inimigo interno, uma angústia que se aproxima da loucura, quando a perda da liberdade de escolha e a despersonalização forçam uma mulher a agir de acordo com o que se espera dela, e não com o que ela realmente deseja. O sobrenatural, nas mãos da diretora Michelle Garza Cervera é uma lente, um recurso para que se enxergue um pouco dessa verdade silenciada.
o começo é bom e tem algumas cenas boas. Porém depois o filme começa a ser cansativo, parece que não evolui e não explora ao máximo o sobrenatural.