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Data de lançamento
8 Dez. 2017Duração
Tonya Harding dominava o gelo com perícia sem rivais. Ela dominou as manchetes por algo totalmente diferente. “I, Tonya” é uma visão, às vezes, absurda, trágica e hilária de uma mulher no centro do maior escândalo na história do esporte nos Estados Unidos.
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Não sabia que esse filme ia ser tão pesado... Senti o estômago embrulhar em várias cenas
Filme bacana que conta uma versão da história que a mim não convenceu.
Mas a ficção intercalada com depoimentos, que se aproximam de um documentários, também ficcionais, deu super certo.
É o típico escândalo que vira sensacionalismo e grita no mundo inteiro. Eu tinha 13 anos na época e lembra de parte desta história.
Vale a pena ver.
O filme quase não tem cenas da patinação e foca mais nas dificuldades da vida dela.
A história de Tonya Harding - e de todo o escândalo envolvendo o "incidente" no qual esteve envolvida - é uma das mais bizarras e tragicômicas já vistas no esporte mundial, a um ponto em que alguns fatos reais retratados no filme são tão absurdos que até parecem ter sido inventados. Nesta obra, o diretor Craig Gillespie opta por contar esse estranho caso de uma forma semelhante a um "mockumentary", quebrando a quarta parede e com cada personagem contando a sua versão dos acontecimentos sob o seu próprio ponto de vista.
Essa maneira de apresentar a história é não somente interessante, mas também coerente com o caso aqui retratado, que, até os dias de hoje, possui inúmeras dúvidas e diferentes versões por parte dos indivíduos envolvidos. Sendo assim, tal qual a imprensa e as autoridades jamais conseguiram obter uma resposta definitiva quanto ao incidente abordado e o tamanho da participação de Tonya nele, o filme tampouco o consegue e nem faz questão disso, deixando bem claro, desde o começo, que alguns fatos mostrados não necessariamente ocorreram da forma descrita.
Um outro acerto da película reside na escolha de trazer uma abordagem que mistura, acompanhada de uma boa trilha sonora, drama e comédia. Afinal, apesar do ocorrido na vida da protagonista ser trágico, não dá para virar as costa para o ridículo presente nas ações dos personagens, que tomam uma decisão errada atrás da outra. O elenco, inclusive, realiza um grande trabalho, tanto na parte dramática quanto na cômica, com especial destaque para Margot Robbie, que aqui, provavelmente, encontra-se em sua grande performance da carreira.
A produção, no entanto, peca em não mostrar mais do que ocorre na vida dos envolvidos após o incidente, em especial nas investigações policiais e batalhas legais que o sucederam, sendo esse trecho bastante "apressado" - por exemplo, a protagonista, em uma cena, está do lado do ex-marido e, na outra, o entrega às autoridades. Da mesma maneira, o filme, que desde o princípio deixa claro que a história possui diversas imprecisões e versões, nitidamente realiza uma interpretação dos eventos mais favorável à Tonya, retratando-a como vítima.
Não me levem a mal, Tonya é, sem dúvida, vítima de uma infância pobre e cruel, de uma mãe abusiva, de um marido agressor e de pessoas incrivelmente estúpidas que a cercaram. Por outro lado, é também verdade que ela continuou o relacionamento com Jeff mesmo tendo ciência do seu comportamento e, além disso, apesar de não haver certeza até onde ia o conhecimento dela acerca do incidente, é fato que sabia que iriam fazer alguma coisa - recentes entrevistas e trechos da investigação mostram que a patinadora sabia mais do que admitia.
Logo, "Eu, Tonya" é uma boa "dramédia", acerca de como uma pessoa extremamente talentosa e esforçada pode ter a vida arruinada por pais irresponsáveis, más influências e, claro, por escolhas erradas. Um bom passatempo para quem curte filmes do gênero.
Arlequinal é filha do Charada, que a maltrata, e resolve se casar com o Soldado Invernal, que também a maltrata!
Eu simplesmente detesto Cinebiografias. A maioria é feita dentro de uma fórmula básica, contando apenas o básico da história, sem nunca se aprofundar.
Isso quando o diretor da cinebiografia não usa isso como pretexto para se masturbar artisticamente (estou falando de você, Nolan!).
Por isso, muito me surpreendeu e agradou ver como "Eu, Tonya" é diferente de tudo isso!
É muito difícil contar a versão verdadeira de uma história real, pois cada pessoa envolvida tem sua própria versão dos fatos, e acho muito legal que esse filme abraça as controvérsias e usa isso como ferramenta para tornar o filme interessante de se assistir.
É muito divertido como isso é feito! Algumas vezes vemos trechos de entrevistas dos atores caracterizados como seus personagens do filme contando sua versão dos fatos, e outras vezes vemos os próprios personagens quebrando a quarta parede e falando diretamente conosco.
Cada personagem vai dando seu fragmento da "verdade", fazendo com que nós mesmos duvidemos do que estamos vendo em tela. Personagem X parece inocente nas cenas que vemos, mas podemos claramente desconfiar que na verdade ele tinha intenções culpadas (mas não podendo provar).
Com isso tudo, uma história que poderia ser lida em 5 minutos na Wikipedia, ganha camadas e justificativa para ser contada através de um filme bem singular.
O elenco está muito bom, especialmente Margot Robbie e Allison Janney, que faz a mãe da Tonya. Inclusive, Allison está a cara do Paul Dano (Charada) nesse filme.
Margot em especial brilha muito, especialmente naquela cena do espelho, onde ela chora e sorri ao mesmo tempo. Brilhante!