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"Cowboy Bebop" é, sem dúvida, um tipo peculiar de anime e talvez por isso - e não somente pela sua qualidade - seja até hoje, quase trinta anos do seu lançamento, lembrado com muito carinho por uma legião de fãs, apesar de ter tido apenas uma única temporada. Curiosamente, é possível até dizer que esse seu aspecto "diferente" - como, por exemplo, a abordagem de temas adultos e complexos - foi a razão do seu cancelamento, tendo em vista que os canais de televisão da época não o consideraram, digamos, muito apropriado ao público infantil.
A trama acompanha, inicialmente, Spike e Jet, dois caçadores de recompensa, com personalidades bastante diferentes, que trabalham juntos atrás de foragidos e de dinheiro para sobreviver na galáxia. Com o tempo, somos também apresentados a Ein, Feye e Edward, cada qual com a sua história de origem, que passam a fazer parte da equipe e ajudar nas missões, formando um time improvável, porém com uma surpreendente sintonia.
É interessante observar como todos esses personagens, não obstante as diferenças entre si, possuem em comum o fato de suas características e ações serem consideravelmente influenciadas por acontecimentos prévios em suas vidas. Não é absurdo dizer que os integrantes da espaçonave Bebop, cada um a sua maneira, vivenciaram experiências traumáticas e possuem forte conexão com os seus respectivos passados, que muitas vezes até tentam esquecer e seguir em frente, mas eventualmente sempre retorna. Aliás, o desvencilhamento em relação ao passado - e a sua recorrência na vida - é tema comum na maioria dos episódios.
Quanto aos episódios, é importante deixar bem claro, para quem quiser acompanhar este anime, que a história aqui não é contada de uma forma tradicional, isto é, com uma continuidade/progressão entre os capítulos em torno de um arco central. Não há um arco central que une a todos os envolvidos na trama, mas cada personagem com o seu arco particular, que vai, aos poucos, sendo explorado a medida em que vão se envolvendo em diferentes missões - e, para o espectador, vamos também gradativamente conhecendo o passado dos integrantes dessa equipe.
Sendo assim, cada episódio tem a sua própria história e, muitas vezes, até personagens que jamais retornam ou situações que não são referenciadas posteriormente. De um lado, isso é bem interessante e agrega um dinamismo ao anime, mas, por outro, isso também pode incomodar quem prefere uma maior continuidade. E, devo ser sincero, alguns episódios são um tanto fracos, possuem tramas absurdas e em nada adicionam ao desenvolvimento das personagens. Além disso, é difícil se conectar com algumas dessas histórias devido ao fato de somente durarem alguns poucos minutos.
Um notório ponto positivo deste anime também é o estilo da animação, que é belíssimo e muito bem feito, apresentando ao espectador um universo futurista "incomum", no qual os humanos possuem avançada tecnologia, exploram inúmeros planetas e, mesmo assim, preservam vários elementos e costumes do passado. E, claro, não poderia deixar de mencionar a espetacular trilha sonora, que não somente é um deleite para quem aprecia jazz e blues, mas também combina extremamente bem com as cenas e agrega muito na ambientação do público a esse interessante e inusitado mundo ao qual somos introduzidos.
Em resumo, "Cowboy Bebop" talvez, sobretudo devido a determinados problemas no roteiro em alguns episódios, não seja essa "obra prima" ou "perfeição" que eu vejo alguns comentando. No entanto, não há como negar que as suas qualidades superam, por larga vantagem, os seus defeitos e falhas, tornando este anime - além de uma animação de muito boa qualidade - uma divertida e prazerosa experiência.
Sendo uma adaptação do livro homônimo escrito por Andy Weir, "Devoradores de Estrelas" - ou simplesmente "Project Hail Mary", em seu título original - é uma grata surpresa não somente no campo da ficção científica, mas no cinema de uma maneira geral. Em uma época marcada, infelizmente, tanto pela falta de criatividade e de ousadia na indústria cinematográfica quanto pelas reiteradas tentativas de impor agendas ideológicas, é refrescante ver um filme que não apenas foge aos clichês e "lugares comuns" da maioria das produções, mas também nos traz uma história leve, divertida e inspiradora dedicada a todos os públicos.
Na obra, acompanhamos Ryland Grace, um professor de biologia brilhante - mas que pouco acredita no próprio potencial - que é selecionado a fazer parte de um projeto com o objetivo de estudar - e, se possível, apresentar uma solução para resolver o problema o quanto antes - microrganismos misteriosos que estão destruindo o Sol e, por consequência, ameaçam toda a vida na Terra. Devido a sua participação nesse projeto, a situação dramática existente e diversas outras circunstâncias explicadas ao longo da película, ele acaba por ser incluído em uma missão espacial que nada mais é do que uma tentativa desesperadora de salvar a humanidade - ou, em outras palavras, um último "Hail Mary".
A decisão do roteirista e dos diretores de iniciar a história quando ele acorda do coma, isto é, quando ele já está há vários anos dentro da nave espacial, e, aos poucos, ir explicando o passado do protagonista e como ele se inseriu nessa situação é bem interessante e acertada. Dessa maneira, passamos a conhecer Ryland "de trás pra frente", assim como também compreender o tamanho da situação em que ele e toda a humanidade encontram-se situados e a importância do seu trabalho, cujo sucesso será decisivo na salvação da vida na Terra.
O ex-professor - e agora astronauta - se vê forçado a encarar os seus medos, explorar o desconhecido e acreditar em seu próprio potencial de encontrar soluções e alternativas em meio a um contexto extremamente desesperador e no qual bilhões de vidas dependem dele. Mesmo dada a dramaticidade envolvida, é fascinante observar como a obra - e isso também tem muito mérito da boa atuação de Ryan Gosling - consegue proporcionar momentos de leveza e humor.
Outro destaque - e também responsável por bastante do humor da película - é Rocky, o inesperado e improvável companheiro de Grace nessa aventura. À princípio, a sua aparência pode causar estranheza, mas, com o passar do tempo, não apenas nos acostumamos com o alienígena, mas igualmente passamos a amá-lo com o seu jeito puro, divertido e corajoso. Para quem não sabe, as cenas envolvendo Rocky, embora tenham um pouco de CGI e animação, foram feitas, em grande parte, com o uso de bonecos e efeitos práticos, o que dá um ar mais "realista" ao personagem.
Em combinação aos méritos no roteiro e na história, "Project Hail Mary" impressiona pelos efeitos visuais deslumbrantes, competente direção e boa trilha sonora, que ajudam a, juntos, constituir uma divertida, apaixonante e visualmente belíssima odisseia no espaço. Além disso, traz mensagens inspiradoras acerca de amizade, esperança e sobre acreditar em si próprio mesmo nos momentos em que tudo parece estar perdido. Grata surpresa e uma boa pedida para assistir com toda a família.
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Confesso que, ao ter encerrado o anime e visto que havia um filme do "Cowboy Bebop", pensei que seria somente mais uma daquelas películas que se aproveitam do sucesso de um seriado para, no final das contas, entregar uma história sem graça, inútil e apenas sustentada por puro fan service. No entanto, fui surpreendido por um filme que é genuinamente muito bom, possuindo uma interessante história e entretendo o espectador.
Em linhas gerais, esta obra possui todos os elementos que amamos na série. E, quando digo isso, refiro-me não apenas aos nossos já conhecidos caçadores de recompensa, mas também ao estilo de animação, ao humor, as cenas de ação e, obviamente, a sempre espetacular trilha sonora, que mais uma vez encaixa-se com perfeição.
Além disso, eu também pontuaria que, por se tratar de um filme com quase duas horas de duração, aqui é percebido um melhor desenvolvimento tanto da história quanto dos personagens envolvidos em relação ao que seria possível se essa história fosse resumida em somente um ou dois episódios. E a trama, diga-se de passagem, é bem elaborada, com um vilão interessante, bons personagens secundários e um suspense/mistério que leva o tempo necessário para ser desvendado.
Aliás, essa talvez seja a minha única reclamação acerca da série, que é o fato de algumas tramas, para se encaixarem em um período de vinte minutos, muitas vezes desenvolviam-se de maneira muito apressada e com personagens secundários, que, durando somente um único episódio, surgiam e depois desapareciam sem sequer termos tempo para nos importar com eles. Neste filme, gostei bastante de Vincent e Elektra e das suas histórias de origem. Também é interessante acompanhar os paralelos feitos entre o antagonista da película e Spike, o protagonista do anime, que aqui tem suas motivações e personalidade muito bem exploradas, em especial naquela cena em que conversa com Elektra.
Em resumo: o filme realmente é muito bom e divertido e com uma trama bem elaborada. Se você é fã da série, aqui está presente tudo de positivo que tornou a série um clássico e ainda um pouco além do que isso.