André
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Últimas opiniões enviadas

André
1 mês atrás

Tendo sido lançada inicialmente sob o formato de uma minissérie, pela NBC, e mais tarde reunida em mídia doméstica como um longa-metragem, "A Odisséia", de Andrei Konchalovsky pode não ser a produção de maior orçamento ou a de maior bilheteria intitulada com o mesmo nome da famosa obra de Homero. No entanto, é, sem dúvida, a melhor - e mais fiel ao material original - adaptação cinematográfica do épico retorno de Odisseu a sua terra natal.

Como em toda adaptação, aqui eventos são alterados, fundidos ou omitidos. Neste caso em particular, isso ocorre não por vontade do cineasta ou porque ele tivesse uma visão diferente, mas por mera necessidade, isto é, para que o filme pudesse durar três horas em vez de dez. Não obstante, o filme - irei chamar de filme, pois foi assim que assisti pela primeira vez - conserva o espírito e os temas do poema épico, com suas mais de 300 páginas, que permanecem intactos.

Apesar do baixo orçamento, o filme prova que mitos podem ser adaptados com sucesso para a tela e para uma audiência moderna sem perverter ou desvirtuar o material original. Graças à competência do experiente cineasta russo, que é responsável pela direção e pelo roteiro, esta obra consegue abordar todos os aspectos que tornam a história grandiosa - o esforço humano de Odisseu, a presença dos deuses e o caráter épico da narrativa - e, ao mesmo tempo, prender a atenção de espectadores de todos os tipos, isto é, tanto aqueles que leram quanto os que não leram o poema.

Dessa maneira, Konchalovsky traz a necessária dose de aventura e guerra, mas sem fazer o filme descarrilhar para uma ação desenfreada. Traz um toque de humor e leveza em algumas cenas, mas sem retirar a seriedade da história. Traz deuses e monstros, mas sem que a sua presença pareça estranha ao público moderno, e sim como parte do mundo no qual somos inseridos. Traz sensualidade, sem apelar à nudez explícita. E, acima de tudo, traz o épico, mas sem se sustentar somente na grandiosidade da narrativa para carregar o filme, e sim desenvolvendo bem os personagens e a trama com consistência.

Graças a um excelente trabalho da equipe técnica, que supera as limitações tecnológicas ainda presentes na época e o orçamento curto, é possível, através de uma completa imersão proporcionada pela obra, quase sentir o cheiro da areia, da magia, da poesia e da beleza de Ítaca e dos mares. Além de impecáveis cenários, fotografia e figurino, vale ressaltar que as criaturas são feitas à mão, sem ou com pouco uso de computação gráfica. Isso ocorre por mérito da Jim Henson Company, que dá vida ao lado sobrenatural da mitologia grega e não tem medo de retratar monstros de forma visceral e aterrorizante - Cila e Caríbdis, por exemplo, estão particularmente magníficas.

Paralelamente, é impossível deixar de mencionar o premiado compositor russo Eduard Artemyev, que cria uma trilha sonora que não apenas harmoniza e realça a atmosfera mediterrânea e mitológica da obra, mas também amplifica a carga emocional de momentos marcantes da história. De certa forma, é como se os eventos se desenrolassem à imagem e semelhança de um sonho, no qual o espectador é um convidado privilegiado na jornada de Odisseu para recuperar suas terras e seu amor.

Falando do elenco, começo por Armand Assante, que entrega-se de corpo e alma ao papel de Odisseu. Inclusive, ele declarou posteriormente que o roteirista e diretor Andrei Konchalovsky foi a única pessoa em quem confiou plenamente, e essa confiança e esse comprometimento resultaram em uma transposição perfeita da obra literária para a tela, capturando toda a imponência, a astúcia e a força física que o personagem exige, mas também não ignorando a sua arrogância e o seu orgulho. E o restante do elenco não fica muito para trás, tanto na aparência quanto na atuação, com os atores incorporando o papel com maestria e capturando a essência dos personagens tal como foram concebidos na obra literária. Menções especiais para as belas e elegantes Greta Scacchi e Isabella Rossellini, nos papéis respectivos de Penélope e Athena.

De fato, o único problema do filme é que as 3 horas de duração, que passam em um piscar de olhos, são muito pouco para uma história dessa magnitude e ficamos, ao término, com um gosto de querer mais ou de ficou faltando alguma coisa. Aliás, falando nisso, devo ser um pouco chato aqui e dizer que, em meio a tantas qualidades da produção, incomodou-me um pouco a ausência das sereias e o total apagamento do fiel cachorro Argos, apesar de, como ressaltei antes, tais alterações, mesmo doendo no coração, foram feitas por mera necessidade, e não por vontade do roteirista.

Não obstante os cortes feitos, o filme mostra respeito aos principais acontecimentos e detalhes do poema. No entanto, mais do que isso, "A Odisséia" de Konchalovsky destaca-se pelo respeito a essência da obra de Homero. Isso é brilhantemente sintetizado pela frase, proferida pelo protagonista, ao final: "Há muito de sagrado e bonito no mundo, mas nada mais bonito que um mundo criado pelo próprio homem. Um mundo a que se pode agarrar, e que sabe que será sempre seu. Você é o meu mundo, Penélope".

Odisseu sobrevive a uma guerra épica, supera inúmeros obstáculos, deuses e monstros e rejeita até a oferta pela própria imortalidade. Tudo isso para poder ter a oportunidade de reencontrar o seu filho, a sua terra e a sua esposa, que seriam exatamente as coisas que mais valorizava. A Odisséia de Homero é não uma crítica a humanidade ou a civilização, como recentemente um certo diretor acabou tendo a infelicidade de interpretar, mas o contrário, sendo um tributo a humanidade, ao homem e a nossa capacidade de vencer as maiores dificuldades para defender e preservar aquilo que temos como mais valioso e consideramos o nosso mundo: a nossa família e o nosso lar.

Uma grande adaptação e um filme de alto nível. Recomendado.

André
½
1 mês atrás

Sendo uma das primeiras adaptações da famosa história de Homero para o cinema, "Ulisses" impressiona pela qualidade técnica apresentada, não obstante às limitações em orçamento e tecnologia da época. Mesmo realizando alterações no enredo, e algumas tendo sido um tanto infelizes, o filme consegue preservar o caráter épico transmitido pelo poema e, dessa maneira, respeitar a essência que torna "A Odisséia" uma obra tão influente até os dias modernos.

Em primeiro lugar, destaco que esta versão de 1954 impressiona, sobretudo, pela escala, e, quando digo isso, refiro-me aos figurinos, a construção dos cenários e a direção de arte. O mundo é rico e impressionante, com as cenas ocorrendo em belas paisagens do Mediterrâneo e que auxiliam na construção da grandiosidade da história.

Na ausência de recursos tecnológicos mais avançados, devido a época em que esta película foi produzida, o filme compensa com uma utilização competente de recursos práticos. O caso mais emblemático é o da cena envolvendo o Ciclope, que, em minha avaliação, foi bem executada.

Outro trunfo é o elenco, com Kirk Douglas transmitindo, com maestria, a imponência, perspicácia e bravura de Odisseu, enquanto Anthony Quinn não fica muito atrás, no papel de Antinoos. No entanto, quem realmente brilha é a belíssima Silvana Mangano, que interpreta um papel duplo: a esposa fiel, Penélope, e a feiticeira sedutora, Circe. Isso traz uma complexidade psicológica interessante à narrativa, indicando que, para Ulisses, a segurança do lar e o perigo da tentação possuem o mesmo rosto.

Os maiores problemas do filme encontram-se nas alterações feitas no roteiro para conseguir encaixar uma história desse tamanho em uma película com menos de duas horas de duração. É notório que o diretor tenta ser o mais fiel possível ao poema e mostrar o máximo de eventos marcantes da obra de Homero, tais quais o encontro com Polifemo, as sereias, a estadia do protagonista em Feácia e o romance com Circe, mas, em dado momento, é obrigado a fazer cortes. E as principais vítimas acabam sendo Athena e Calipso, que são bastante excluídas da trama - a primeira é apenas brevemente mencionada ao final.

A alteração que mais me incomodou, por ser bastante desnecessária e evitável, foi quando os roteiristas, em uma completa mudança quanto à história original, atribuíram as dificuldades da jornada de volta de Odisseu ao saque do templo de Poseidon em Troia. Na realidade, ele não foi amaldiçoado pelos acontecimentos na queda da cidade, e sim por cegar o Ciclope, o filho do deus dos mares.

Em síntese, seria impossível para este filme, com os recursos disponíveis à época e a curta duração, ser inteiramente fiel ao poema de Homero, mas creio que elenco, diretor e produção técnica conseguem entregar um trabalho digno, apesar de longe do ideal, digno. Vale a pena ver.

André
½
1 mês atrás

Dirigido por Uberto Pasolini, "O Retorno" traz somente a última parte da jornada de Odisseu em sua volta à Itaca, iniciando exatamente no momento em que enfim alcança o litoral de sua terra natal. Por esse ser o trecho do poema com a menor presença de deuses, o diretor possui uma maior liberdade para colocar os elementos mitológicos de lado e focar no lado humano e psicológico da história e do protagonista.

Aqui, acompanhamos um comandante militar e rei desprovido de sua imponência e orgulho, retornando ao seu reino, agora entregue à miséria - em decorrência dos saques de invasores e pretendentes ao trono. Nem Odisseu e nem Itaca são mais os mesmos, estando transformados pelo longo período tanto da guerra quanto de seu retorno.

Tendo assistido este filme há um ano atrás e agora reassistindo após a "Odisséia" de Nolan, é impossível não fazer as comparações. Ambos os filmes trazem não apenas uma abordagem mais realista da história, mas também uma representação de um Odisseu traumatizado pela guerra. Apesar dessa abordagem, nos dois casos, ser equivocada e desviar da verdadeira essência do trabalho de Homero, considero que Pasolini executa melhor essa tarefa e, mesmo ainda distante do ideal, se aproxima mais da obra original.

Enquanto, no filme de Nolan, Odisseu sente remorso pela dor que infligiu nos outros, aqui ele sente tristeza pelos companheiros que levou à guerra e não conseguiu trazer de volta, o que é algo mais próximo daquilo presente no poema. Um protagonista, portanto, que retorna ao seu reino e é recebido não com louvor e festa, mas com a missão de expulsar os saqueadores e se mostrar, ao seu povo e a sua família, novamente digno de ocupar o trono.

Um dos motivos pelos quais Pasolini é mais bem sucedido em sua proposta reside no fato de que, como ele aborda apenas o capítulo final e não a Odisséia inteira, o foco no psicológico de Odisseu encaixa-se melhor. Em momento algum quis trazer uma aventura épica e nem vendeu o filme como tal - em outras palavras, deixou bem claro que iria trazer um aspecto específico da história e explorá-lo ao máximo. Nolan, por outro lado, quis realizar uma releitura semelhante da história - mas ainda tentando conservar outros elementos da narrativa - e acabou preso no meio do caminho, nem entregando um épico com grandiosidade e nem um drama psicológico com profundidade.

Outro fator que ajuda é a grande atuação de Ralph Fiennes e Juliette Binoche, que brilham em seus respectivos papéis e carregam o restante do elenco - que, por sua vez, não está a altura dos dois - e o filme inteiro nas costas. As cenas do reencontro com Argos e da prova do arco, por exemplo, são muito bem executadas pelo diretor e pelos atores, trazendo a carga de emoção necessária para esses que são momentos marcantes do poema.

O filme, apesar do êxito em retratar tais cenas, é prejudicado por desvios que faz em outros trechos da história original. Incomodou-me como Telemaco é aqui retratado, não como sendo um filho fiel ao pai e disposto a defender a sua mãe, mas como um adolescente mimado e, muitas vezes, incoerente - também não ajuda o ator escolhido ser bastante fraco. Além disso, considero que faltou emoção ao tão esperado reencontro entre Odisseu e Penélope - que, por sua vez, até parece estar triste, no início, pelo retorno do marido, o que foge muito da característica da personagem.

Entre erros e acertos, é mais uma daquelas obras que não busca realmente adaptar as histórias de Homero, mas reinterpreta-las sob uma óptica moderna. Aqui, pelos menos, devido ao fato de retratar o trecho mais "humano" e menos "mitológico" da Odisséia, pelo fato do diretor ter sido honesto sobre suas intenções e ter ao seu dispor um baixo orçamento, dá para dar um desconto. Como um drama psicológico, funciona muito bem, mas escolhas equivocadas no roteiro e limitações orçamentárias fazem o filme não ter a mesma qualidade em outros aspectos e ficar aquém daquilo que poderia ter sido.

  • Filmow 4 dias atrás

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    Bons filmes!
    Equipe Filmow

  • vagnerfoxx 2 anos atrás

    Amizade aceita André. Seja bem vindo, brother!

  • Senhor Ivan 8 anos atrás

    Seja bem-vindo.