Em uma de suas viagens o Dr. Ethan Powell (Anthony Hopkins), um famoso antropologista, desaparece. Ele é encontrado em Ruanda dois anos depois, mas antes de ser detido ele mata três homens e fere dois. Após algum tempo o governo americano consegue sua custódia e ele passa a ser analisado pelo Dr. Theo Calder (Cuba Gooding Jr.), um psiquiatra que considera este caso uma oportunidade rara. Mas por algum motivo o Dr. Powell não fala uma única palavra, mas aos poucos esta barreira é quebrada e o médico aprende muito da vida com o antropólogo, que muitos consideram louco.
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22.06.2003
03.02.2000
Falar de Instinct sem citar The Shawshank Redemption é impossível — é como tentar escapar de uma cela sem um plano. A comparação surge não apenas porque ambos abordam cárcere e injustiça, mas também porque despertam a mesma revolta e compaixão ao expor como sistemas opressivos esmagam a dignidade humana.
Aqui seguimos a história de Ethan Powell, um antropólogo que, após anos vivendo entre primatas na África, comete um crime ao tentar protegê-los de caçadores. Preso em uma ala psiquiátrica para criminosos, ele se torna o desafio que o jovem psiquiatra Theo Caulder precisa decifrar — e, quem sabe, transformar no grande salto de sua carreira. O confronto entre os dois move o filme, numa relação construída lentamente, entre resistência e revelações dolorosas.
No geral, adorei Instinct. Em seus melhores momentos, ele ecoa a mesma indignação que faz de Shawshank um clássico: o sistema implacável, o abuso de poder, a luta quase sufocada pela dignidade. Se prisioneiros considerados “comuns” já sofrem, imagine aqueles rotulados de “loucos”. É impossível não se indignar diante das cenas em que a humanidade é reduzida a cartas de baralho e migalhas de respeito.
Mas Instinct vai além do drama prisional e veste uma camada filosófica. Ethan Powell propõe uma reflexão amarga: ele enxergou nos primatas uma sociedade mais justa, onde o respeito prevalecia sobre o domínio — algo que a humanidade parece ter perdido há muito. Essa ambição de discutir liberdade e controle é o que torna o filme especial, mas também o que, para mim, cria certa distância emocional. Nem sempre a ideia de liberdade como conceito abstrato impacta tanto quanto a luta física por ela.
Ainda assim, seria injusto dizer que Instinct não emociona. A jornada entre Theo e Ethan é forte e cheia de momentos comoventes. A cena final — onde uma simples caneta se transforma em ferramenta de liberdade — pode soar um pouco inventiva demais, mas funciona para quem já se deixou envolver pela história. Talvez Instinct não tenha me atingido com a força brutal de Shawshank, mas, no fim, o que ficou não foi a necessidade de entender toda a filosofia do filme, e sim a força de sua inquietação.
Anthony Hopkins mais amacacado que muito símio do Discovery Channel.
Se me dissessem que a revolução no filme planeta dos macacos começou a partir desse filme eu acreditaria fácil