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Data de lançamento
16 Maio 2011Duração
Uma mistura de documentário e ficção nostálgica e fantasiosa que retrata em seis episódios uma história sobre a família do diretor em Bobbio entre 1999 e 2008. Elena tem cinco anos e é criada por suas tias – irmãs de Bellocchio na vida real –, enquanto sua mãe Sara tenta a sorte como atriz em Milão. Giorgio, tio de Elena, tem uma relação difícil com a irmã e a recrimina por não criar a menina. Mas assim que Sara consegue se sustentar, resolve levar a filha com ela. Elena deixa a vila e suas tias pra trás. Enquanto isso, Giorgio, endividado até o pescoço, se esconde de seus credores em Bobbio.
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Ao final da projeção, eu estava emocionalmente arrasado: que filme belíssimo! Como eu tinha visto recentemente a versão de 2006, IRMÃS (com pouco mais de uma hora de duração), incorri na toleima comparativa, que, afinal, não se sustenta: são obras com ritmos distintos. Mesmo as imagens "repetidas" são redimensionadas por modificações sutis em montagem e trilha musical. O impacto dramático dos instantes corriqueiros segue intenso, graças à eficácia de um elenco espontâneo porém sublime (meu Deus, os filhos do diretor são maravilhosos!): o capítulo 4 é muito breve; o 5 traz o brilho melancólico de Alba Rohrwacher, numa subtrama que parece isolada mas que tem tudo a ver com o clima daquela cidade pequena; e o capítulo 6 é ativo e magistral, sendo o seu atordoante desfecho (quase antonioniano) um primor. Magnífico! (WPC>)
A grande "sacada" deste filme é ser, apenas na aparência, ingênuo e singelo. Por trás da aparente banalidade do "retrato de família", revelam-se questões seríssimas relativas à busca do protagonista (Giorgio) por reconhecimento e, ao mesmo tempo, emancipação de sua família... Há também um misto de crítica e sátira à autoridade (algo bastante frequente na obra de Bellocchio)expresso numa reunião de professores que discutem se devem ou não reprovar um aluno indisciplinado... Merece também destaque o desempenho do protagonista da trama (Pier Giorgio). A angústia característica de alguém que "não encontrou seu lugar no mundo" por ele apresentada é mesmo comovente... Obrigado Bellocchio por esta maravilha que, aliás, foi uma das poucas coisas que salvaram a fraquíssima edição da mostra internacional de cinema deste ano...