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Sinopse
Na virada para o século XX, Jules e Jim são dois amigos que se apaixonam pela mesma mulher, Catherine, que acaba casando com Jules. Depois da Primeira Guerra Mundial, quando eles se reencontram na Alemanha, Catherine começa a amar Jim.
Volto a este filme depois de muito tempo - isso, depois de eu conhecer pessoas que, pasmem, não suportam o cinema trufffautiano: ganhei o DVD na semana passada, e o fiz furar fila, em minha enorme lista de pendências. Lembrava do filme como "feliz". Fiquei surpreso ao percebê-lo tão amargo, suicida, como muito do que o diretor faria à frente, em sua coleção de registros de "amor difícil". Há uma pista dolorida no título: dois nomes de homens. Todos lembram da personagem feminina; poucos lembram o nome dela, entretanto. Jeanne Moreau está sublime, mas os atores masculinos também compõem com sapiência os seus respectivos papéis. Soube que o livro original foi escrito por um idoso, em sua estréia como escritor septuagenário. Explica alguma coisa. Sigo amando o filme, mas o teor de machismo do enredo não é apenas contexto de época. A montagem é um primor. Um filme difícil, ao contrário do que eu lembrava... Desta vez, doeu! (WPC>)
Um ícone atemporal não-mono, né? Primeira vez que vejo e foi interessante lembrar de todos os filmes franceses que beberam aqui para construir suas narrativas engraçadinhas. Clássico sim, indispensável? Isso não.
Nesse clássico de Truffaut o trio de amigos (e depois trisal) é mostrado de forma terna e carinhosa mesmo em seus momentos de maior crise , mesmo eles sendo peças de um quebra-cabeça que não se encaixam : Catherine é irremediavelmente promíscua e desinteressada em relacionamentos duradouros (pelo menos até certo ponto da história) , Jules é sensível e apaixonado demais , chegando a ponto de tolerar as frequentes traições dela enquanto estão juntos , e Jim a princípio tem uma natureza parecida com a de Catherine mas acaba entrando em conflito consigo mesmo por conta da paixão por ela e do compromisso com sua esposa. Eles se amam mas são reféns da própria natureza e no fim pagam (caro) por isso. Não por acaso um dos mais cultuados do diretor , contando com grandes momentos de invenção visual.
A amizade que dá início a tudo. A amizade especial e toda sua força imensa. A amizade que apresenta o mais intenso e confuso dos sentimentos.
O amor que atrai todos em volta. O amor que espera e se mantém em segredo. O amor que aceita tudo. O medo de perder é maior. O amor que entende que a prioridade do ser amado não é a mesma que a sua.
Não é sobre lógica. O amor não é movido através da lógica. Um longa sobre o amor e suas infinitas possibilidades. Amor pelos momentos, experiências, pelos instantes compartilhados e rica atenção dada.
O amor que vive numa narrativa livre, rápida, que corre como a vida. Um sentimento vivido com tamanha intensidade que leva ao céu (por alguns instantes). Viver da forma mais intensa possível o maior dos sentimentos ao ponto de ofuscar a dor, ao ponto de ofuscar a morte.
Se há imensurável beleza, também há infinitas variáveis, acasos e complicações nas relações que ditam o rumo do amor. Existem dúvidas constantes e tantas imperfeições. Desejos que morrem e sonhos que se vão. Raiva e ciúme escondidos que ganham forma inesperada e assumem o controle de forma surpreendente.
Truffaut mostra toda a infinidade do mais belo dos sentimentos em "Jules & Jim" de uma forma poética, hipnótica e imensamente carismática que jamais poderia ser replicada. Entendemos aqui o motivo do grande realizador francês ser conhecido como o 'cineasta do amor'.
Há obras-primas muito mais sólidas. Obras essas que entendemos muito mais os caminhos, os desdobramentos, as motivações e seus personagens. Mas nenhuma delas é "Jules & Jim". Pois é na completa imperfeição de condutas e nos desvios tortos dos corações de seus personagens que esse clássico de Truffaut atinge toda sua singularidade e encanto.
Um trio eterno. Uma dinâmica especial entre os mesmos que não pode ser copiada. Infelizmente ou felizmente: o amor em seu estado mais ardente é um fogo intenso demais para durar e se manter.
"Jules & Jim" (junto com "Acossado", de Godard) foi o filme que abriu caminho para eu amar clássicos do cinema lá no passado, há mais de 15 anos. Foi super especial vê-lo dessa vez numa sala de cinema.
O amor é algo incrivelmente lindo em toda sua potência desconcertante e surpreendente. Mas há beleza também na calmaria.
Volto a este filme depois de muito tempo - isso, depois de eu conhecer pessoas que, pasmem, não suportam o cinema trufffautiano: ganhei o DVD na semana passada, e o fiz furar fila, em minha enorme lista de pendências. Lembrava do filme como "feliz". Fiquei surpreso ao percebê-lo tão amargo, suicida, como muito do que o diretor faria à frente, em sua coleção de registros de "amor difícil". Há uma pista dolorida no título: dois nomes de homens. Todos lembram da personagem feminina; poucos lembram o nome dela, entretanto. Jeanne Moreau está sublime, mas os atores masculinos também compõem com sapiência os seus respectivos papéis. Soube que o livro original foi escrito por um idoso, em sua estréia como escritor septuagenário. Explica alguma coisa. Sigo amando o filme, mas o teor de machismo do enredo não é apenas contexto de época. A montagem é um primor. Um filme difícil, ao contrário do que eu lembrava... Desta vez, doeu! (WPC>)
Um ícone atemporal não-mono, né? Primeira vez que vejo e foi interessante lembrar de todos os filmes franceses que beberam aqui para construir suas narrativas engraçadinhas. Clássico sim, indispensável? Isso não.
Nesse clássico de Truffaut o trio de amigos (e depois trisal) é mostrado de forma terna e carinhosa mesmo em seus momentos de maior crise , mesmo eles sendo peças de um quebra-cabeça que não se encaixam : Catherine é irremediavelmente promíscua e desinteressada em relacionamentos duradouros (pelo menos até certo ponto da história) , Jules é sensível e apaixonado demais , chegando a ponto de tolerar as frequentes traições dela enquanto estão juntos , e Jim a princípio tem uma natureza parecida com a de Catherine mas acaba entrando em conflito consigo mesmo por conta da paixão por ela e do compromisso com sua esposa. Eles se amam mas são reféns da própria natureza e no fim pagam (caro) por isso. Não por acaso um dos mais cultuados do diretor , contando com grandes momentos de invenção visual.
Inventando o amor.
A amizade que dá início a tudo. A amizade especial e toda sua força imensa.
A amizade que apresenta o mais intenso e confuso dos sentimentos.
O amor que atrai todos em volta.
O amor que espera e se mantém em segredo.
O amor que aceita tudo. O medo de perder é maior.
O amor que entende que a prioridade do ser amado não é a mesma que a sua.
Não é sobre lógica. O amor não é movido através da lógica.
Um longa sobre o amor e suas infinitas possibilidades. Amor pelos momentos, experiências, pelos instantes compartilhados e rica atenção dada.
O amor que vive numa narrativa livre, rápida, que corre como a vida.
Um sentimento vivido com tamanha intensidade que leva ao céu (por alguns instantes).
Viver da forma mais intensa possível o maior dos sentimentos ao ponto de ofuscar a dor, ao ponto de ofuscar a morte.
Se há imensurável beleza, também há infinitas variáveis, acasos e complicações nas relações que ditam o rumo do amor.
Existem dúvidas constantes e tantas imperfeições. Desejos que morrem e sonhos que se vão. Raiva e ciúme escondidos que ganham forma inesperada e assumem o controle de forma surpreendente.
Truffaut mostra toda a infinidade do mais belo dos sentimentos em "Jules & Jim" de uma forma poética, hipnótica e imensamente carismática que jamais poderia ser replicada.
Entendemos aqui o motivo do grande realizador francês ser conhecido como o 'cineasta do amor'.
Há obras-primas muito mais sólidas. Obras essas que entendemos muito mais os caminhos, os desdobramentos, as motivações e seus personagens.
Mas nenhuma delas é "Jules & Jim". Pois é na completa imperfeição de condutas e nos desvios tortos dos corações de seus personagens que esse clássico de Truffaut atinge toda sua singularidade e encanto.
Um trio eterno. Uma dinâmica especial entre os mesmos que não pode ser copiada.
Infelizmente ou felizmente: o amor em seu estado mais ardente é um fogo intenso demais para durar e se manter.
"Jules & Jim" (junto com "Acossado", de Godard) foi o filme que abriu caminho para eu amar clássicos do cinema lá no passado, há mais de 15 anos. Foi super especial vê-lo dessa vez numa sala de cinema.
O amor é algo incrivelmente lindo em toda sua potência desconcertante e surpreendente.
Mas há beleza também na calmaria.
Desculpem-me a vulgaridade, mas que chá poderoso essa moça deu pra esses rapazes, hein.