Ao ser diagnosticado com uma doença mortal, o presidente de uma companhia decide dividir sua herança com sua esposa e com seus filhos ilegítimos, os quais nunca teve contato e não sabe onde estão. Porém, seus advogados pensam em tomar o dinheiro para si de alguma forma.
Um belo exercício minimalista.
Interessante jogo de intrigas e traições, esse longa de Kobayashi mantém o fôlego durante sua duração, mas acaba esbarrando em alguns problemas.
A maioria das viradas é excessivamente telegrafada e previsível, aliado a certos exageros na construção dos personagens que acabam diluindo a força da obra.
Ainda assim, algumas construções visuais interessantes ajudam a tornar o saldo relativamente positivo.
É o primeiro filme que assisto de Masaki Kobayashi e me impressionou bastante, tanto pelo roteiro intrincado e bem construído quanto pela construção dos vários personagens que aparecem ao longo da história. Dizem que este é um filme menor de Kobayashi, fico imaginando os outros então como devem ser. O grande trunfo fica para a atuação de Tatsuya Nakadai que fica grande parte do filme na cama morrendo e consegue passar comoção mesmo não sendo um santo. O final é bem interessante e faz a gente ficar pensando sobre a imoralidade de praticamente todos os personagens que aparecem durante todo o filme. Um filme que permanece atual, mesmo hoje tendo exames de DNA a intrincada relação dos seres humanos não deixa o filme cair no datado.
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A Herança é o décimo filme que assisto do Masaki Kobayashi, talentoso diretor de mão cheia, daqueles que fazem filmes dos mais variados gêneros sempre com o mesmo grau de excelência.
Já tive oportunidade de assistir filmes do diretor com tramas contemporâneas, e não devem muito aos seus famosos filmes de samurai, Kwaidan, e trilogia Guerra e Humanidade.
Em A Herança, vemos algo típico do Kobayashi: seu cuidado estético e sua fotografia. Mas o melhor do filme é o roteiro, a propósito, que final sensacional! Uma trama tão universal que poderia render remakes em qualquer lugar do mundo, retratando qualquer cultura de qualquer época. E contar com Tatsuya Nakadai no elenco melhora qualquer filme. Muito bom.
Se esta é uma "obra menor", como muitos dizem, o que esperar de Masaki Kobayashi?
Grande gênio.
E eu não entendo como é possível não ver, aqui, uma pequena obra-prima. Maravilhoso em todos os níveis: no aspecto moral até ao jazz de sua trilha. Noir.