Anne é uma brilhante advogada que vive com seu marido, Pierre, e suas filhas. Gradualmente, ela se envolve em um relacionamento apaixonado com Theo, filho de Pierre de um casamento anterior, colocando sua carreira e vida familiar em perigo.
Remake de Rainha de Copas [2019]. Com bem menos tensão sexual e maior exploração da personagem principal. Gostei mais do final, esse explora muito mais a parte do drama e dos conflitos, enquanto o original, a tragédia.
Controverso e polêmico, mesmo que sutil na maior parte do tempo, e quando não é explode, mas de um jeito que intensifica a história, e é feito com muita qualidade, não acho nem melhor nem pior que a versão Dinamarquesa, Rainha de Copas, gostei de ambas as versões, acho que Léa Drucker ficou perfeita no papel.
O longa-metragem Last Summer (2023), dirigido por Catherine Breillat, representa o retorno da cineasta francesa após uma década de silêncio, reafirmando seu lugar no cinema contemporâneo como uma autora cuja obra desafia os limites entre erotismo, ética e relações de poder. O filme é uma adaptação livre do dinamarquês Queen of Hearts (2019), de May el-Toukhy, e revisita temas caros à filmografia de Breillat, como a sexualidade feminina e os tabus sociais. A narrativa gira em torno de Anne (Léa Drucker), uma advogada de prestígio que, em meio a uma rotina aparentemente estável com o marido e as filhas, envolve-se em uma relação sexual com o enteado adolescente. O que poderia ser conduzido como uma narrativa de escândalo é, nas mãos de Breillat, uma exploração profunda da ambivalência do desejo, do poder e da moralidade no seio das relações familiares. A escolha de uma protagonista feminina em posição de poder — jurídica, materna e afetiva — tensiona o olhar tradicional que o cinema costuma lançar sobre histórias de transgressão sexual. Como aponta Laura Mulvey (1975), a representação da mulher no cinema clássico muitas vezes está limitada à sua função de objeto do olhar masculino. Em Last Summer, Breillat inverte essa lógica, colocando a mulher como agente do desejo, mas sem poupá-la das contradições éticas e afetivas que esse papel impõe. A direção de Breillat é marcada por uma mise-en-scène contida e quase minimalista. A fotografia naturalista e a ausência de trilha sonora acentuam o desconforto gerado pelas situações ambíguas, optando por uma abordagem mais próxima do realismo psicológico. Essa estética reforça a recusa de Breillat em recorrer a soluções melodramáticas, mantendo o espectador em um estado de constante tensão moral. A construção dos planos favorece o distanciamento, algo próximo ao que Brecht propunha em sua teoria do "efeito de distanciamento" (Verfremdungseffekt), aplicado aqui como recurso para forçar o espectador a refletir criticamente sobre os eventos, em vez de simplesmente se identificar emocionalmente com os personagens. A relação entre Anne e o enteado não é retratada de maneira maniqueísta. Ao contrário, Breillat propõe um olhar complexo sobre a manipulação afetiva e o uso do poder simbólico nas relações familiares. O desejo, nesse contexto, não é libertador, mas perverso e destrutivo. Como sugere Michel Foucault (1976) em História da Sexualidade, o poder não é apenas repressivo, mas também produtivo — produz corpos, desejos e subjetividades. Last Summer é, portanto, um retrato contundente de como o poder se infiltra nas relações mais íntimas, mesmo (ou principalmente) quando disfarçado de afeto.
Assim,no campo do cinema de autoria, o filme reafirma Breillat como uma voz singular, cuja obra tensiona os limites do aceitável para iluminar as zonas obscuras da psique e das convenções sociais. Trata-se de um filme essencial para debates sobre representação de gênero, poder simbólico e moralidade no cinema europeu contemporâneo.
Uma trama forte, que instiga , mas esperava um desenvolvimento melhor, mas vale ver, mas os personagens são detestáveis rs.
Remake de Rainha de Copas [2019]. Com bem menos tensão sexual e maior exploração da personagem principal. Gostei mais do final, esse explora muito mais a parte do drama e dos conflitos, enquanto o original, a tragédia.
Controverso e polêmico, mesmo que sutil na maior parte do tempo, e quando não é explode, mas de um jeito que intensifica a história, e é feito com muita qualidade, não acho nem melhor nem pior que a versão Dinamarquesa, Rainha de Copas, gostei de ambas as versões, acho que Léa Drucker ficou perfeita no papel.
(Pode conter Spoilers)
O longa-metragem Last Summer (2023), dirigido por Catherine Breillat, representa o retorno da cineasta francesa após uma década de silêncio, reafirmando seu lugar no cinema contemporâneo como uma autora cuja obra desafia os limites entre erotismo, ética e relações de poder. O filme é uma adaptação livre do dinamarquês Queen of Hearts (2019), de May el-Toukhy, e revisita temas caros à filmografia de Breillat, como a sexualidade feminina e os tabus sociais.
A narrativa gira em torno de Anne (Léa Drucker), uma advogada de prestígio que, em meio a uma rotina aparentemente estável com o marido e as filhas, envolve-se em uma relação sexual com o enteado adolescente. O que poderia ser conduzido como uma narrativa de escândalo é, nas mãos de Breillat, uma exploração profunda da ambivalência do desejo, do poder e da moralidade no seio das relações familiares. A escolha de uma protagonista feminina em posição de poder — jurídica, materna e afetiva — tensiona o olhar tradicional que o cinema costuma lançar sobre histórias de transgressão sexual. Como aponta Laura Mulvey (1975), a representação da mulher no cinema clássico muitas vezes está limitada à sua função de objeto do olhar masculino. Em Last Summer, Breillat inverte essa lógica, colocando a mulher como agente do desejo, mas sem poupá-la das contradições éticas e afetivas que esse papel impõe.
A direção de Breillat é marcada por uma mise-en-scène contida e quase minimalista. A fotografia naturalista e a ausência de trilha sonora acentuam o desconforto gerado pelas situações ambíguas, optando por uma abordagem mais próxima do realismo psicológico. Essa estética reforça a recusa de Breillat em recorrer a soluções melodramáticas, mantendo o espectador em um estado de constante tensão moral. A construção dos planos favorece o distanciamento, algo próximo ao que Brecht propunha em sua teoria do "efeito de distanciamento" (Verfremdungseffekt), aplicado aqui como recurso para forçar o espectador a refletir criticamente sobre os eventos, em vez de simplesmente se identificar emocionalmente com os personagens. A relação entre Anne e o enteado não é retratada de maneira maniqueísta. Ao contrário, Breillat propõe um olhar complexo sobre a manipulação afetiva e o uso do poder simbólico nas relações familiares. O desejo, nesse contexto, não é libertador, mas perverso e destrutivo. Como sugere Michel Foucault (1976) em História da Sexualidade, o poder não é apenas repressivo, mas também produtivo — produz corpos, desejos e subjetividades. Last Summer é, portanto, um retrato contundente de como o poder se infiltra nas relações mais íntimas, mesmo (ou principalmente) quando disfarçado de afeto.
Assim,no campo do cinema de autoria, o filme reafirma Breillat como uma voz singular, cuja obra tensiona os limites do aceitável para iluminar as zonas obscuras da psique e das convenções sociais. Trata-se de um filme essencial para debates sobre representação de gênero, poder simbólico e moralidade no cinema europeu contemporâneo.
E ela pareceu tão bem equilibrada, enfrentou as chantagens... ...pra no final: ''você está gelada''.