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A man shares an abrupt, passionate affair with a woman who soon disappears. Fearing she’s been kidnapped and forced into prostitution, he searches the labyrinthine streets of Istanbul for her. Robbe-Grillet’s directorial debut disturbingly evokes the uncertainty and mystery of a strange, foreign land.
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É interessante que um dos maiores símbolos da beleza é a Vênus de Milo, reconhecida por todos na sua forma depredada, desmembrada. O filme é como um estudo neste sentido de idealização da beleza que dialoga com o decadente - sexo e morte, Eros e Tânatos. Em uma entrevista o autor e diretor Alain Robbe-Grillet identifica Istambul como a principal personagem do filme, a imortal que dá o título. Antigamente conhecida como Constantinopla, antes já fora Bizâncio. Única cidade localizada em dois continentes. A mulher (L) é meio que a personificação dessa cidade que abarca encanto e ruína. Também tem muitos nomes, vive rodeada de segredos e mistérios, e transita em dois polos, o real e o imaginário.
Muito bom. Acho que segue a linha de O Ano Passado em Marienbad (1961), misturando a memória e a imaginação com a realidade.
Bom filme, com uma trama incógnita e sedutora que envolve por nunca ir além da sugestão. É um dos pontos altos do filme, pois o texto não cai na carta armadilha da obviedade. É o segundo filme em sequência que vejo de Alain Robbe-Grillet logo após o magnifico e sem igual L'éden Et Après. Neste, por sinal, vemos uma linguagem que encontraria sua melhor carpintaria no seu filme mais conhecido.
Nota: não se fala deste filme sem mencionar Françoise Brion e a sua atuação belíssima que confere um tom magistral a uma personagem sedutora e hipnotizante mas que está sempre com um olhar soslaio e inquieta - por algum motivo. É interessante que há dois frames lindos, onde ela se choca contra uma porta e depois uma parede, com o personagem de Jacques Doniol-Valcroze, onde ela posiciona as mãos como se fosse uma santa. É que ele a vê como uma deusa mistica, mas novamente parece se sentir como um objeto.
O filme é muito bom, não tem como não compará-lo com O Ano Passado em Marienbad, mas por pura coincidência, pois o diretor garante que terminou o roteiro do filme um pouco antes do famoso filme de Alain Resnais. A direção é impecável, o que chama a atenção, já que é o primeiro filme de Robbe-Grillet. O ator Jacques Doniol-Valcroze mostra que, além de bom diretor (ele dirigiu o filme Amor Livre), também é um bom ator, mas é Françoise Brion que rouba a cena. A atriz consegue criar uma personagem misteriosa, talvez sua beleza exótica tenha ajudado, mas é impressionante como o papel lhe caiu tão bem. O desfecho, pra mim, é a única coisa que impede o filme de fechar com nota máxima, mas não deixa de ser um baita filme. Segundo o diretor François Truffaut, que era amigo do diretor na época, o filme teve forte influência de Alfred Hitchcock, mais precisamente do filme Vertigo.
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