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1921. Constance (Marina Hinds) vive numa propriedade rural com o marido, Clifford Chatterley (Hippolyte Girardot), tenente condenado a uma cadeira de rodas por causa da 1ª Guerra Mundial. Ela amarga uma vida monótona, presa à obrigação com o casamento. Um dia, durante um passeio na floresta, conhece Parkin (Jean-Louis Coullo'ch), o guarda-caça da propriedade. A atração entre os dois desperta nela um desejo nunca antes experimentado.
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Essa acredito ser a versão mais "apática" de Oliver/Parkin e Constance/Connie. É um filme mais gradativo. Tem belas paisagens naturais, um ar pitoresco. O final é diferente das outras versões, mais abrupto (achei meio ruim essa parte). No geral, para quem gosta da história e de filme de época, pode agradar.
Existem adaptações de “O Amante de Lady Chatterley” que privilegiam muito o aspecto sensual dessa história. No entanto, o filme de Pascale Ferran está mais interessado na transformação interna (e, por conseqüência, externa) que se dará tanto em Constance como em Parkin. Os dois, apesar das origens distintas, têm muito em comum e é ótimo poder testemunhar o jeito com que eles vão se descobrindo e evoluindo a ponto de adotar uma atitude diferente perante a vida e planejando o futuro.
Em alguns momentos de “Lady Chatterley”, o diretor Pascale Ferran parece que está fazendo um livro visual. A intromissão de um narrador e da trilha sonora é rara e ele prefere denotar o contexto em que sua história se passa através do uso de cartelas entre uma cena e outra. Este é um filme bem diferente, que tem uma estrutura narrativa própria, lenta e que não quer atropelar nenhum detalhe. E justamente por isso que esta é uma obra para ser apreciada por poucos.
As vezes o amor nao estar naquele que parece ser o essencial..ele vem de formas tortas, muitas vezes pela simples ironia de dois corpos que sentem...
Pois é, um tema como sempre bem atual ainda, as classes,vemos isso todos os dias ao nosso redor, as castas,as peles, as crenças..e nesta obra faz uso de uma forma sensível, e a forma como se narra as vezes realmente parece um livro, com partes parece que lidas para nós..e quando duas pessoas acabam se descobrindo em mundos diferentes,e a difícil barreira de se adaptar um ao mundo do outro , mesmo que tenha uma carga moral, adultério...
Para mim achei ate bobinho, e muito demorado com um final abrupto, mesmo que em toda sua narrativa se fica no mesmo lugar, se tivesse mais 10 minutos ficaria rodando no mesmo contexto..mas tem uma fotografia linda,e uma forma bem singela de construção.
O filme é de uma beleza e sensibilidade raras. Li a estória do livro de D. H. Lawrence que teve três versões publicadas para aplacar um pouco o escândalo causado pela versão original, na época do seu lançamento em 1928. Ele foi proibido na Inglaterra pela estúpida hipocrisia que motivou o escândalo, ou seja, não foi o simples fato de uma Lady possuir um amante, desde que este pertencesse à burguesia, ou aristocracia, mas a afrontosa questão dele ser de uma classe social "inferior", mais especificamente a de um trabalhador braçal. Não lí o livro, mas certamente, esta versão do filme não deixa escapar um detalhe sequer preenchendo devidamente seu espaço.
É maravilhoso como o bom diretor Pascale Ferran dirige os dois lados do relacionamento, inicialmente, para Constance a "descoberta" e para Parkin a "desconfiança", até
descobrirem-se apaixonados. Quando o casal se ama na cabana a direção cria, em alguns momentos, uma sensação de suspense, de flagrante de traição, o quê nunca acontece. Contrariamente a Madame Bovary que tem um final trágico, Lady Chatterley, a despeito da sociedade da época, promete um final feliz.
A figura de Constance, maravilhosamente interpretada por Marina Hands, passa toda meiguice e sutil inteligência do personagem, ela é a alma do filme.
Diante de tanta beleza e naturalidade, fica até difícil fazer qualquer julgamento a respeito dos amantes. O diretor trata tudo com tanta delicadeza que o desejo da liberdade aqui não apenas fala, mas em meio ao silêncio da região; ele grita.