Dirigido por
Duração
André (Selton Mello) é um filho desgarrado, que saiu de casa devido à severa lei paterna e o sufocamento da ternura materna. Pedro (Leonardo Medeiros), seu irmão mais velho, traz ele de volta ao lar a pedido da mãe. André aceita retornar, mas irá romper os alicerces da família devido aos sentimentos que, desde criança, nutre por sua bela irmã Ana (Simone Spoladore).
Baseado no romance homônimo de Raduan Nassar.
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Bonito demais
IMPRIMATUR - visto no cinema em 2002:
A atmosfera do filme é incrível e a produção é excelente. Embora seja um pouco longo, ele merecia muito mais reconhecimento mundial.
Avaliação em nota: 8.4
Adaptar livro para o cinema é sempre difícil.
A princípio, parece que se desenvolverá um épico brasileiro. Com o passar do filme, vemos que tudo é um grande devaneio de André. Imagens lindas são mostradas. Amplas, nostálgicas, grandiosas, estas paisagens contam a história do protagonista com a narração dele próprio, que tem inúmeros dilemas que envolvem sua família, mas que se tornam repetitivos ao longo das quase três horas. O moralismo do pai claramente o incomoda, a hierarquia familiar também é algo que o inquieta, porém não vejo um grande contraponto a isso nos momentos em que ele conta de sua ida para o mundo. Enquanto a vida em família é amplamente mostrada, o que acontece fora dali é centralizado em dois quartos. A revolta de André parece muito mais algo que (como ele próprio diz) vem de dentro, desde jovem. E tudo bem que seja assim, porém há uma verborragia que vejo como exagerada na repetição das mesmas frases grandiloquentes bradadas por André. Ele quase se torna seu pai nestes momentos.
A volta dele mostra que todos ali estão seduzidos pelo lado de fora do núcleo familiar, porém esta sedução não tem tempo de ser desenvolvida e é pouco comprável. Vemos seus irmãos querendo fugir ou usar os itens da caixa trazida, mas nada muito além disso. Talvez não seja necessário e já baste mostrar a insatisfação e falta de voz da família sob o comando do pai, porém estes momentos vindos com uma narração demasiadamente explicativa traz novamente o que já foram as últimas horas, ao invés de deixar que a imagem e os personagens falem e criem suas narrativas sozinhos.
Uma desequilibrada combinação entre imagens que sozinhas contam sua história com palavras demais, excessivamente explicativas. Talvez um apego muito grande ao texto original?
Para quem gostou, recomendo Agatha e as Leituras Ilimitadas. Menos verborrágico.
"Pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas."