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Data de lançamento
4 Jan. 2016Duração
A Globo prepara uma série baseada em “Dangerous Liaisons”, clássico do século XVIII de Chordelos de Laclos. O roteiro, de Manuela Dias, tem supervisão de Duca Rachid. Serão dez capítulos para a faixa das 23h. "Dangerous Liaisons" virou filme em 1988, dirigido por Stephen Frears, com Glenn Close, John Malkovich e Michelle Pfeiffer no elenco.
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"Uma obra onde o poder não grita — ele sussurra, encanta… e destrói."
Elenco de peso e uma produção primorosa marcam a adaptação de "Ligações Perigosas"
Desde o primeiro episódio, a atenção aos detalhes na realização de "Ligações Perigosas" ficou evidente, refletindo fielmente a complexidade da clássica narrativa do século XVIII, criada pelo autor francês Chordelos de Laclos. A adaptação, concebida por Manuela Dias, conta com uma direção brilhante de Vinícius Coimbra e Denise Saraceni, e se destaca também pela escolha do elenco, que elevou ainda mais a qualidade da produção. Entre os nomes que se sobressaem desde a estreia, destacam-se Patrícia Pillar, Selton Mello, Alice Wegmann e Marjorie Estiano.
Os protagonistas principais parecem feitos um para o outro, pois os papéis de Augusto, Isabel e Mariana foram perfeitamente encaixados em Selton Mello, Patrícia Pillar e Marjorie Estiano, respectivamente. Na versão cinematográfica mais conhecida, esses personagens foram interpretados por John Malkovich, Glenn Close e Michelle Pfeiffer, o que demonstra a responsabilidade envolvida na escalação para a minissérie. A escolha de Alice Wegmann para interpretar Cecília, inicialmente ingênua e pura, também se mostrou acertada. Essas personagens são complexas e os atores têm entregado performances marcantes, exigindo intensidade desde os primeiros capítulos.
A narrativa revela as estratégias de sedução e manipulação de Isabel e Augusto, que demonstram uma frieza calculista, enquanto Mariana e Cecília representam a inocência e a doçura, evidenciando a vulnerabilidade que os antagonistas exploram sem piedade. A tensão psicológica permeia cada cena, com os personagens muitas vezes incapazes de perceberem sua própria manipulação, enquanto os sedutores usam máscaras de falsa bondade — uma referência clara ao conceito de "lobo em pele de cordeiro". Os atores têm conseguido transmitir essa complexidade com maestria, tornando as cenas ainda mais impactantes.
Patrícia Pillar, uma das maiores atrizes do Brasil, demonstra sua versatilidade e domínio cênico. Esta é sua quarta vilã consecutiva, e ela consegue distinguir sua personagem nesta produção das anteriores, incluindo a memorável Flora de "A Favorita", a arrogante Constância de "Lado a Lado" e a fria Angela Mahler de "O Rebu". Em "Ligações Perigosas", sua Isabel é uma figura sedutora e cruel, que se diverte ao manipular os outros, deixando claro que suas ações são motivadas pelo prazer, e não por necessidade. Sua sintonia com Selton Mello, especialmente nas cenas em que contracenam, é notável e enriquece ainda mais a narrativa.
Selton Mello, que voltou às telas após cinco anos (sua última participação foi em "A Mulher Invisível" em 2011), entrega uma performance enigmática e sedutora. Seu personagem, Augusto, é um mestre na arte de conquistar, especialmente as mulheres mais difíceis, e sua relação com Isabel é marcada por uma disputa de poder constante, na qual ambos tentam dominar emocionalmente o outro. Sua atuação reforça a importância de sua presença na teledramaturgia brasileira.
Um dos momentos mais intensos da minissérie ocorreu na cena em que Augusto, interpretado por Selton, agride e estupra Cecília, vivida por Alice Wegmann. Essa cena, carregada de impacto, foi realizada com maestria pelos atores, que transmitiram toda a perturbadora complexidade do momento. Alice, que ganhou destaque inicialmente na juventude em "Malhação" (interpretando Andréa em 2010), mostrou uma evolução notável, consolidando-se como uma atriz versátil. Sua trajetória inclui papéis marcantes em "A Vida da Gente" e "Malhação Intensa", além de atuações em "Em Família" e "Boogie Oogie". O papel de Cecília representa um verdadeiro divisor de águas em sua carreira.
Alice Wegmann consegue transmitir a inocência inicial da personagem com sensibilidade, passando pela transformação após manipulações e abusos, até a mudança de comportamento, que revela uma jovem provocadora e sedutora. Sua capacidade de explorar as nuances da personagem, especialmente em cenas de forte carga emocional com Selton Mello, Patrícia Pillar, Jesuíta Barbosa e Lavínia Pannunzio (que interpreta a mãe Iolanda), evidencia seu talento.
Completando o elenco de destaque, Marjorie Estiano entrega uma atuação marcante na personagem Mariana, uma jovem inicialmente reservada e inocente. A personagem se encontra completamente perdida ao descobrir seu sentimento por Augusto, levando-a a uma autoagressão como forma de punição diante de Cristo. O desafio de interpretar uma figura tão complexa poderia ter resultado em uma execução caricata, especialmente nas mãos de uma atriz com pouca experiência. Entretanto, Marjorie consegue evitar qualquer exagero, entregando uma interpretação sensível e convincente. Sua personagem, que já mostrou certa autonomia ao mandar a empregada investigar Augusto, revela uma profundidade que a torna muito mais do que uma moça ingênua. Marjorie, que certamente se destaca como uma das maiores revelações dos últimos vinte anos na televisão, demonstra dedicação total ao papel, atuando com o corpo e expressando emoções intensas através de gestos e movimentos que transmitem o desespero de Mariana — como na cena em que ela tenta se matar, que é particularmente impactante. Sua conexão com Selton Mello é palpável, especialmente nas cenas românticas, que conquistam por sua beleza e naturalidade. Além disso, suas interações com Aracy Balabanian e Yanna Lavigne também merecem destaque, enriquecendo ainda mais sua performance.
O elenco de "Ligações Perigosas" é um dos pontos fortes da produção, e a participação de Patrícia Pillar, Selton Mello, Alice Wegmann e Marjorie Estiano é mais do que justificada. Os personagens Isabel, Augusto, Cecília e Mariana receberam interpretações de alta qualidade, e muitas das cenas protagonizadas por eles são de uma excelência que encanta o público. Assistir a atuações tão bem feitas é uma verdadeira satisfação, e todos demonstram um talento evidente que eleva a minissérie a um patamar superior.
A minissérie se mantém fiel ao romance epistolar de Choderlos de Laclos (e ao filme homônimo de 1988) embora faça algumas alterações já vistas na adaptação de 1989, Valmont, de Milos Forman*. Com ótima recriação de época e desempenhos competentes do elenco só penso que poderia ser uns dois capítulos mais curta. A subtrama da enfermidade de Mariana se estende um pouco mais do que o necessário. Mesmo assim é uma obra muito bem realizada pela TV brasileira.
*Spoiler do livro e do filme de Stephen Frears:
No romance, Cecilia sofre um aborto.
A adaptação e as mudanças funcionaram muito bem, só senti que retrataram mal a Cecília. Ela foi apresentada como uma garota fútil, diferente dos fatos do livro. Excetuando isso, excelente!!!
Alguém sabe onde ver sem ser pelo Globo Play?
Um grande livro adaptado de maneira mediocre pela globlixo.