Em 1941, numa pequena vila localizada na Sicília, um grupo de garotos de 13 anos de idade nutre uma profunda paixão por Malena (Monica Bellucci), a viúva de um soldado local, despertando uma história de amor, perda e coragem.
Entrei esperando um filme sobre uma mulher extraordinariamente bonita. Saí pensando em como as pessoas conseguem ser extraordinariamente cruéis.
Malena fala sobre desejo, mas, acima de tudo, fala sobre solidão. É doloroso perceber que a personagem quase nunca é enxergada por quem realmente é. Homens a transformam em fantasia. Mulheres a transformam em inimiga. E, no meio disso tudo, sobra uma pessoa tentando apenas sobreviver.
A narrativa pelos olhos de Renato torna tudo ainda mais interessante. No começo, vemos Malena através da idealização de um adolescente; aos poucos, essa fantasia se desfaz e dá lugar à compaixão. É como assistir ao nascimento da maturidade.
Monica Bellucci é magnética, mas o que mais me marcou foi sua capacidade de transmitir emoções quase sem palavras. Há uma dignidade silenciosa na personagem que permanece mesmo quando tudo ao seu redor tenta destruí-la.
Também fiquei impressionado com a fotografia e com a trilha de Ennio Morricone. Há cenas que parecem pinturas, e a música consegue carregar sentimentos que os personagens não conseguem expressar.
Para mim, Malena acabou sendo menos um filme sobre beleza e muito mais sobre o peso do julgamento, da inveja e da hipocrisia. É um daqueles filmes que continuam ecoando depois que terminam, porque fazem a gente refletir sobre quantas vezes uma sociedade condena alguém simplesmente por projetar nela seus próprios desejos, frustrações e preconceitos.
Um clássico que merece ser lembrado não apenas pela beleza de Monica Bellucci, mas pela humanidade e pela tristeza que carrega.
- as cenas do renato completamente obcecado pela malena são bem criativas e divertidas, consegue colocar na tela o inicio da puberdade e a primeira paixão de forma sexualizada na vida da pessoa, apesar de ter coisas bem bizarras - mas tudo que a cidade faz com a malena é muito revoltante, pura inveja das mulheres e os homens só querendo se aproveitar da pobre - toda parte dramática bem pesada e indigesta, felizmente o diretor consegue balancear e entregar um final satisfatório
- Na União Soviética não se come nunca! [cospe a bebida] Mas que merda é essa? - Os fascistas nos deram, pelo menos parecia com café. - Sim, e eu pareço com o Vittorio De Sica.
A referência ao ator Vittorio De Sica, que no segundo pós-guerra viria a se tornar um dos grandes cineastas do neorrealismo italiano, não parece tão aleatória quando observamos a relação do adolescente Renato Amoroso com sua bicicleta. O protagonista atravessa a puberdade sob o Estado fascista, compartilhando da lascívia masculina em torno de Malèna. No entanto, o contato direto com seu amor platônico o leva a perceber o autoritarismo patriarcal e a hipocrisia da sociedade italiana daquele período.
O filme de Giuseppe Tornatore traz inserções de filmes colonialistas da época - muitos deles produzidos em Hollywood - como representações do desejo libidinoso do adolescente Renato. Essas inserções parecem remeter ao tipo de cinema produzido durante o regime fascista: o cinema de "telefones brancos", o cinema de império e os filmes de guerra. A libido descontrolada do adolescente opera, então, como analogia da violência regeneradora em que os fascistas acreditavam.
Quando lembramos que boa parte dos grandes nomes do neorrealismo italiano estudou no Centro Sperimentale di Cinematografia ou atuou como ator e/ou diretor durante o regime fascista, o processo de amadurecimento e conscientização de Renato passa a funcionar como uma interessante alegoria do papel histórico desempenhado por esses personagens. Foram eles que construíram a imagem de uma sociedade civil vitimada pelo Estado fascista e de uma resistência ao fascismo fundada na aliança entre comunistas e cristãos humanistas. Foram eles, enfim, que romperam com o silêncio conivente e deram voz às Malènas.
Buona fortuna, signora Malèna!
Como pode as pessoas serem tão cruéis?!
Malena lindíssima
Entrei esperando um filme sobre uma mulher extraordinariamente bonita. Saí pensando em como as pessoas conseguem ser extraordinariamente cruéis.
Malena fala sobre desejo, mas, acima de tudo, fala sobre solidão. É doloroso perceber que a personagem quase nunca é enxergada por quem realmente é. Homens a transformam em fantasia. Mulheres a transformam em inimiga. E, no meio disso tudo, sobra uma pessoa tentando apenas sobreviver.
A narrativa pelos olhos de Renato torna tudo ainda mais interessante. No começo, vemos Malena através da idealização de um adolescente; aos poucos, essa fantasia se desfaz e dá lugar à compaixão. É como assistir ao nascimento da maturidade.
Monica Bellucci é magnética, mas o que mais me marcou foi sua capacidade de transmitir emoções quase sem palavras. Há uma dignidade silenciosa na personagem que permanece mesmo quando tudo ao seu redor tenta destruí-la.
Também fiquei impressionado com a fotografia e com a trilha de Ennio Morricone. Há cenas que parecem pinturas, e a música consegue carregar sentimentos que os personagens não conseguem expressar.
Para mim, Malena acabou sendo menos um filme sobre beleza e muito mais sobre o peso do julgamento, da inveja e da hipocrisia. É um daqueles filmes que continuam ecoando depois que terminam, porque fazem a gente refletir sobre quantas vezes uma sociedade condena alguém simplesmente por projetar nela seus próprios desejos, frustrações e preconceitos.
Um clássico que merece ser lembrado não apenas pela beleza de Monica Bellucci, mas pela humanidade e pela tristeza que carrega.
- as cenas do renato completamente obcecado pela malena são bem criativas e divertidas, consegue colocar na tela o inicio da puberdade e a primeira paixão de forma sexualizada na vida da pessoa, apesar de ter coisas bem bizarras
- mas tudo que a cidade faz com a malena é muito revoltante, pura inveja das mulheres e os homens só querendo se aproveitar da pobre
- toda parte dramática bem pesada e indigesta, felizmente o diretor consegue balancear e entregar um final satisfatório
- Na União Soviética não se come nunca! [cospe a bebida] Mas que merda é essa?
- Os fascistas nos deram, pelo menos parecia com café.
- Sim, e eu pareço com o Vittorio De Sica.
A referência ao ator Vittorio De Sica, que no segundo pós-guerra viria a se tornar um dos grandes cineastas do neorrealismo italiano, não parece tão aleatória quando observamos a relação do adolescente Renato Amoroso com sua bicicleta. O protagonista atravessa a puberdade sob o Estado fascista, compartilhando da lascívia masculina em torno de Malèna. No entanto, o contato direto com seu amor platônico o leva a perceber o autoritarismo patriarcal e a hipocrisia da sociedade italiana daquele período.
O filme de Giuseppe Tornatore traz inserções de filmes colonialistas da época - muitos deles produzidos em Hollywood - como representações do desejo libidinoso do adolescente Renato. Essas inserções parecem remeter ao tipo de cinema produzido durante o regime fascista: o cinema de "telefones brancos", o cinema de império e os filmes de guerra. A libido descontrolada do adolescente opera, então, como analogia da violência regeneradora em que os fascistas acreditavam.
Quando lembramos que boa parte dos grandes nomes do neorrealismo italiano estudou no Centro Sperimentale di Cinematografia ou atuou como ator e/ou diretor durante o regime fascista, o processo de amadurecimento e conscientização de Renato passa a funcionar como uma interessante alegoria do papel histórico desempenhado por esses personagens. Foram eles que construíram a imagem de uma sociedade civil vitimada pelo Estado fascista e de uma resistência ao fascismo fundada na aliança entre comunistas e cristãos humanistas. Foram eles, enfim, que romperam com o silêncio conivente e deram voz às Malènas.