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''Andando'' reflete muito do cinema de Ozu (especialmente ''Era uma vez em Tóquio''), tanto na linguagem visual quanto na forma de olhar para a família, o tempo e o silêncio. O filme gira em torno de uma reunião aparentemente comum, mas cada cena carrega camadas de ressentimento, frustração, memória e afeto contido. A câmera, quase sempre fixa, faz a gente se sentir como um hóspede silencioso naquela casa, alguém que observa, mas não interfere. Sem trilha sonora dramática, Kore-eda dá lugar à música dos sons cotidianos: o óleo fervendo, os passos no tatame, o vento nas folhas. É impressionante como ele consegue transformar o banal em algo cheio de verdade e sentimento. É um filme que pede escuta e leitura atenta, porque tudo o que importa acontece no espaço entre as palavras.
Camisa branca sobre um bronzeado impecável, paletó de linho jogado casualmente sobre o ombro, cigarro na boca. Alain Delon passeia pelo labirinto do mercado de peixes de Mongibello, ao ritmo de uma melodia composta por Nino Rota. A câmera e os olhares de quem passa se voltam para o ator, que parece se divertir com o fascínio que seu charme e magnetismo provocam. A palavra "fotogênico" parece ter sido inventada para ele. Neste cena, nasce um ícone eterno.
Esse é um dos filmes mais fracos do ciclo clássico de Bond. O filme aposta numa escala enorme, com base secreta gigante, conspiração espacial e cenários extravagantes, mas quase nada tem peso dramático de verdade. Sean Connery parece meio cansado do papel, repetindo os gestos do personagem quase no automático. A passagem pelo Japão vira mais um exotismo superficial do que um olhar real para o lugar, e a sequência em que Bond “vira japonês” soa não só constrangedora, mas também completamente desnecessária. O tratamento das personagens femininas segue um padrão já conhecido da série, mas aqui soa ainda mais frio e indiferente, bem distante da abordagem mais física e emocional que o personagem teria décadas depois com Daniel Craig. Enfim, tudo parece exagerado e meio artificial.