Partindo do clássico romance francês de Abbe Prevost, Clouzot faz uma adaptação para a França pós-Segunda Guerra Mundial onde Robert, um fazendeiro ativista, resgata a bela Manon dos moradores da vila que desejam linchá-la por ter colaborado com os nazistas. Os dois se mudam para Paris e quando encontram o irmão de Manon, que vive do mercado negro, acabam se envolvendo num mundo de exploração, prostituição e assassinato...
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Produção francesa em preto e branco que é um drama policial da Alcina, Cinédis e Les Films du Jeudi vencedor do Leão de Ouro de melhor filme no Festival de Cinema de Veneza. O filme é uma adaptação livre do romance de 1731 "Manon Lescaut", de Abbé Prévost (1697-1763), cujo nome verdadeiro era Antoine François Prévost d'Exiles.
Houve outras 21 versões desta mesma estória: 9 longas, 7 filmes para a TV, 2 minisséries de televisão, 2 episódios de TV e 1 curta. Na Itália, o filme foi exibido apenas na versão original com legendas por motivos de censura. O 1° dos 120 filmes do ator Hubert de Lapparent (1919-2021). Estréia de Rosy Varte (1923-2012). O romance trágico de Henri-Georges Clouzot (1907-1977) continua sendo uma raridade em seu cenário de thrillers e dramas sórdidos, mas contém temas aos quais ele retornaria com bastante frequência.
Um italiano Serge Reggiani (1922-2004) surpreendente, seguido de perto por um alemão Michel Auclair (1922-1988) impecável e o 2° de 9 filmes da francesa Cécile Aubry (1928-2010), numa produção perfeita de Georges Clouzot, decididamente irrepreensível! Contém várias cenas com tomadas longas e intensas. Essas tomadas longas nunca se tornam cansativas, mas mostram a complexidade do que está acontecendo. Enquanto o melodrama localiza e amplifica a realidade emocional, Clouzot faz algo semelhante com a patologia sexual. O fato de esse assunto desagradável ser obviamente muito pessoal consolida seu poder.
A parte mais interessante do filme é o segundo ato que é um grande flashback onde acompanhamos as peripécias do casal no submundo parisiense logo após a II Guerra Mundial. Mas os vinte minutos finais são decepcionantes,
se resumindo a um calvário dos protagonistas, junto à refugiados em Israel, que atravessam o deserto só para serem massacrados. São momentos angustiantes mas se alongam mais do que o necessário.
Esteticamente é lindo, especialmente esta cena final quase que retirada de um faroeste americano do John Ford , já narrativamente não me conquistou, quem sabe num dia mais propício me geraria mais interesse mas o romance atabalhoado do casal não me cativou.
"Nada é sujo quando se ama um ao outro..."
É sempre lamentável notar como quase ninguém conhece a obra do Hitchcock francês...