Melvin é um cara legal, mas um total perdedor e azarado. Uma noite ele viaja pela estrada no deserto e ajuda um velho que acabara de sofrer acidente com sua moto. O homem diz que é Howard Hughes, o famoso e excêntrico milionário. Melvin acha graça. Mas quando Howard morre, Melvin recebe uma carta dizendo que herdou parte da fortuna de Howard.
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É uma comédia até simpática com uma boa dupla de protagonistas nos idos anos 70. Este filme primevo de Jonathan Demme já deixava sua marca contando histórias divertidas com casais nada convencionais. Com tom de filme de estrada despojado, e trilha sonora bem setentista, Melvin e Howard, ganha pela simpatia de seu protagonista (Paul Le Mat, está muito bem na pele deste personagem), mas sem dúvida, não é um filme marcante e o maior representante desta década.
23.11.1985
O filme foi inspirado na história real de Melvin Dummar, que foi listado como o beneficiário de US$ 156 milhões em um testamento supostamente escrito à mão por Howard Hughes. Mas após uma série de batalhas judiciais que terminaram em 1978 o testamento foi considerado uma falsificação pelo júri e Dummar passou a ser considerado pelo público como um impostor e oportunista.
Inicialmente se cria uma expectativa de que o filme mostraria mais sobre os momentos finais da vida do magnata Howard Hughes, ou sobre suas excentricidades. Mas é frustrante quando se constata que pouco sobre o milionário é exibido, e seu tempo de tela se restringe a menos de 5 minutos.
Sem esse diferencial o filme perde grande parte do atrativo e se transforma em mais uma comédia romântica mais banal, tendo como pano de fundo a busca pelo sonho americano por um fracassado sem sorte.
De qualquer forma o filme pode servir como uma continuação de "O Aviador (2004)" por indicar a fase mais decadente de Hughes, após seus momentos de glórias.
Curiosidade: O verdadeiro Melvin E. Dummar faz uma pequena participação como o homem atrás do balcão de um terminal de ônibus.
Esse é o melhor filme da "trilogia" das comédias que eu vi que Demme dirigiu nos anos 80 (ao lado de "Totalmente Selvagem" e "De Caso com a Máfia"). Faz sentido que "Melvin & Howard" seja um road movie porque sua noção de família é tão transitória quanto pode ser a exigência de uma vida levada em trailers e quartos de hotéis. Os laços são criados para serem desfeitos e reatados sem pedir passagem. Um homem que você encontra deitado no chão da calçada pode ser tão confiável quanto sua esposa, que você nem sabe se ainda é capaz de amar, só quer manter por perto. O importante é se apegar a algo e se manter ativo (e vivo). Eu jurava que seria um filme muito mais pastelão e menos melancólico do que ele de fato é (nunca confie na capa dos DVDs de banca), mas fica bem claro que, em uma linha do tempo de influências, teríamos Robert Altman no topo, Jonathan Demme no meio (isso explica o fato de ser o mais subestimado dos três) e Paul Thomas Anderson no fim (mas sem John Cassavetes, mesmo que Altman tenha começado a dirigir um pouco antes, não existiria ninguém). O trabalho dos três se conecta muito através do retrato da masculinidade compulsória e do pertencimento a uma família, de sangue ou de convivência. A diferença é que os dois primeiros o faziam de forma mais eficiente e com menos recurso, enquanto PTA tenha se preocupado mais em criar exercícios de estilo (nos seus três primeiros filmes), em que suas prioridades como cineasta ainda não haviam se manifestado, porque tudo ainda era prematuro. Inclusive, o Anderson é meu diretor preferido, mas como agora estou vendo muitos filmes de Altman e Demme, não consigo parar de pensar que seu cinema só iria evoluir de fato a partir dos anos 2000, no período pós "Magnólia".
P.S.: Essa vibe homemade (principalmente a cena do casamento, irmã da de "Assim Falou o Amor") é muito Cassavetes também, não há como negar.
P.S. 2: Que trilha sonora! Demme foi mesmo um dos grandes.
Jonathan Demme é um diretor irregular demais. Quem assistir esse filme de começo de carreira do diretor esperando algo do nível de “Silêncio dos Inocentes”, vai se decepcionar. Aqui, a história do homem comum chamado Melvin que dá carona para um velho maltrapilho e machucado, e que se diz ser Howard Hughes (milionário produtor de cinema retratado no filme "O Aviador"), até que começa bem, mas eis que o filme mesmo é só sobre Melvin, somente Melvin. Howard só terá importância no fim da história, que por sinal é supostamente baseada em fatos reais. O personagem Melvin é um cidadão comum, que vive tentando levar a vida em diversos empregos e sempre está na pior. Mas é um drama surreal, os personagens são excêntricos e exóticos, as cenas são sempre caóticas, enfim, é um filme muito esquisito.