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Data de lançamento
5 Março 2020Duração
Zacarias é um jovem português sedento por viver grandes aventuras heroicas durante a Primeira Guerra Mundial. Enviado para Moçambique, onde o conflito se desenrola longe dos olhares do mundo, o soldado vê-se deixado para trás pelo seu pelotão e parte numa longa odisseia mato adentro, à procura da guerra e dos seus sonhos de glória.
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8.4 - Um filme surpreendente de João Nuno Pinto, que tinha tudo para se tornar numa daquelas películas de carácter pretensioso e, de certa forma, entediante, tão característico de alguma cinematografia portuguesa, "dita" de qualidade. Mas a edição das imagens, e a sua junção com a banda sonora, aliada a uma impressionante interpretação de João Nunes Monteiro, como Zacarias, um jovem soldado português enviado, na Primeira Guerra Mundial, para combater, em solo africano, nomeadamente em Moçambique, o exército alemão.
Mas mais do que vermos um retrato da guerra, puro e duro, vemos uma Viagem e uma espécie de "coming of age", ou seja, uma transformação de um jovem imaturo e pouco experiente, num verdadeiro Homem feito, com a consequente (ou inata) "perda de inocência", perante um cenário abrasador (e opressivo) da natureza e sol africanos. De certa forma, João Nuno Pinto consegue que o espectador "torça" pelo sucesso de Zacarias, perante as peripécias e dificuldades da sua viagem, que o leva, inclusíve, ao limite da sanidade mental. Uma agradável surpresa!
Certeza que estará na minha lista dos melhores filmes do ano!
Mais um filme de guerra. De interessante aqui foi a sequência em que as pretas de uma triba escravizam o colonizador português.
A impressão que dá é que a loucura e as mazelas psicológicas proporcionadas pela guerra em “Mosquito” soam muito mais como uma insanidade advinda de uma frágil articulação narrativa do que qualquer outra coisa. O filme carece muito de um equilíbrio entre vários aspectos estruturais, o que o torna na maior parte do tempo apenas um retrato confuso e sem muita direção sobre um homem no limite de sua sobriedade física e mental. Esperava muito mais.
Deslumbrante, magnífico, soberbo! Como aconteceu com alguns colegas, também pensei em VÁ EM VEJA durante a sessão. Mas achei a condução directiva muito mais assemelhada ao elã herzoguiano: a entrega do belo João Nunes Monteiro ao seu difíicil personagem é incrível e mui perturbadora. Embasbacamo-nos junto a ele, ficamos simultaneamente escandalizados e deslumbrados. A fotografia de Adolpho Veloso é soberba, o desenho de som é alucinante e a trilha musical faz uso esperto de ritmos eletrônicos. Os monólogos recitados pelo protagonista são fascinantes, um esforço do mesmo em manter-se humano, em meio a tantos absurdos e maus tratos. A guerra para o qual o rapaz alista-se é quase ignorada: há muitas outras guerras em curso, como a sua rebelião pessoal em relação à autoridade paterna e a inclemente colonização européia da África. Anotei várias frases do filme, de tão encantado que fiquei. Os encontros do personagem são contundentes, mas achei o desfecho um tanto tautológico, excessivamente óbvio, estragando infinitesimamente a beleza crua de sua mensagem. Mas foi um breve piso em falso, com a mais alarmante das intenções: o filme é magnífico: entrou na cabeceira da lista dos melhores filmes que vi este ano! (WPC>)