Data de lançamento
15 Abril 2020Duração
Década de 1970. Phyllis Schlafly (Cate Blanchett) é uma advogada e ativista conservadora, conhecida nacionalmente por suas ideias anti-feministas. Os embates entre o grupo liderado por ela e as oponentes feministas são responsáveis por mudar o cenário político-cultural dos Estados Unidos completamente.
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“Mrs. America”: quando a oposição feminina vira protagonista!
Mrs. America é uma minissérie ambientada na década de 1970 nos Estados Unidos que acompanha a conservadora Phyllis Schlafly e sua ferrenha oposição à Emenda dos Direitos Iguais, enquanto explora a atuação das líderes do movimento feminista e os conflitos políticos e sociais do período.
Irônica, envolvente e surpreendentemente divertida, a minissérie propõe um olhar pouco convencional sobre a importância do feminismo: em vez de acompanhar apenas suas líderes, coloca no centro da narrativa justamente quem mais lutou contra ele.
Assim como o estresse de um ambiente tóxico reflete bem o clima de tensão dessa história, vale lembrar que a decisão de pedir demissão nem sempre traz aquela alegria imediata, mas com certeza entrega o bem mais precioso: a paz de espírito.
A história começa com Phyllis Schlafly sendo apresentada não pelo próprio nome, mas como “esposa de Fred Schlafly”. Mãe de seis filhos e símbolo do conservadorismo, ela aparece em um evento vestida com um traje patriótico chamativo, desempenhando um papel decorativo para agradar o público — algo esperado naquele contexto. Mas a aparência engana. Ao ser notada por um político republicano, ela rapidamente revela que vai muito além da imagem: é articulada, ambiciosa e domina temas complexos como a corrida nuclear, em plena Guerra Fria.
Convidada para uma entrevista televisiva, Phyllis inicialmente é tratada com paternalismo. No entanto, quando as câmeras começam a rodar, a dinâmica muda completamente: ela assume o controle, argumenta com firmeza e desmonta o oponente diante do público. Tudo indicaria que uma mulher com essa inteligência e determinação encontraria espaço natural no feminismo. Mas sua escolha é justamente o oposto — ela se dedica a combater o movimento e a Emenda dos Direitos Iguais, enfrentando figuras como Gloria Steinem, Betty Friedan, Bella Abzug e Shirley Chisholm.
É exatamente essa inversão que torna a série tão instigante. Em vez de seguir o caminho mais previsível — o da celebração direta das conquistas feministas —, a narrativa ganha profundidade ao explorar conflitos internos e divergências ideológicas dentro do próprio movimento. Ao destacar a principal antagonista, a produção ilumina nuances que muitas vezes passam despercebidas.
Além do roteiro afiado, o elenco é um espetáculo à parte. As atrizes que interpretam as líderes feministas capturam não apenas suas ideias, mas também suas contradições e personalidades marcantes. No centro de tudo, a interpretação de Phyllis revela uma figura complexa: alguém que, enquanto defendia valores tradicionais, agia nos bastidores com estratégia, ambição e uma independência que contradizia o discurso que promovia.
A série também levanta uma questão incômoda e atual: por que algumas mulheres rejeitam o feminismo e preferem operar dentro das estruturas já estabelecidas? Ao explorar essa pergunta, a produção sugere respostas que continuam relevantes décadas depois.
No fim, “Mrs. America” desconstrói a ideia de uma união feminina automática. Mostra que, quando uma mulher decide sustentar o sistema que limita outras, ela pode se tornar uma força ainda mais poderosa do que qualquer opositor externo.
Curiosidades:
Sarah Paulson e Cate Blanchett voltam a trabalhar juntas após Oito Mulheres e um Segredo (2018).
Phyllis odiosa demais! E ainda viveu uns 90 anos por despeito, como pode né?
Eu queria ler a revista Ms. Magazine.
Excelente!! As atuações e a contextualização dos eventos foram muito bem executadas. O trabalho da Cate Blanchett na obra foi surreal, que magnífica atuação.
Cate Blanchet é um monstro <3