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Mary Dwight é anfitriã de uma boate que foi recém-adquírida por um mafioso. Ela mora junto a mais cinco garotas e esconde o emprego de sua inocente irmã, Betty. Quando Betty começa a se envolver com o mundo de Mary e com as pessoas que o compõe algo terrivel acontece e Mary começa uma difícil luta, junto ao policial Graham, contra a mafia.
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Drama de suspense policial noir em preto e branco da First National Pictures e Warner Bros. indicado a 2 categorias no Festival de Cinema de Veneza: melhor filme estrangeiro na Mussolini Cup, e vencedor da Volpi Cup de melhor atriz, Bette Davis (1908-1989), compartilhado com Talhado pra campeão (37).
O filme foi baseado na vida do gângster italiano Lucky Luciano (1897-1962), que foi finalmente preso quando algumas das prostitutas que trabalhavam em um de seus bordéis, cansadas das agressões e maus-tratos que sofriam, o denunciaram à polícia. Luciano foi processado por Thomas E. Dewey (1902-1971) que, notoriamente, não espancou Harry S. Truman (1884-1972).
Humphrey Bogart (1899-1957) e Mayo Methot (1904-1951) se apaixonaram durante as filmagens. Casaram-se assim que ele se divorciou de sua 2° esposa, Mary Philips (1901-1975). O 1° filme que Bette Davis fez depois de sua batalha judicial com a Warner Brothers para conseguir papéis melhores no cinema. Um artigo contemporâneo no "The Hollywood Reporter" observou que Michael Curtiz (1886-1962), não creditado, substituiu o diretor do filme Lloyd Bacon (1889-1955) enquanto ele estava em lua de mel. Último filme de Miriam Marlin (1905-1989).
O melodrama policial de gangues se beneficia da abordagem contundente usual da Warner, de um bom elenco e de uma visão perspicaz da classe e da colaboração entre pessoas instruídas e não instruídas.
Um dos principais filmes da carreira de Lloyd Bacon.Um noir repleto de momentos inquietos e decisivos.Davis em sua melhor forma dispensa comentários.E olha que odiou o resultado final.
>Assistido em 17 de Junho de 2023
Mulher Marcada é tematicamente ousado para uma época em que o Código Hays já asfixiava a liberdade artística em Hollywood. É um feito ainda mais impressionante quando levamos em conta o mérito de conseguir apresentar as 5 personagens que trabalham como prostitutas — ou melhor, "nightclub hostesses", como aprovado pela censura — nem como monstros imorais e corruptores de homens, nem como ingênuas e encantadoras vítimas da vida, pelo simples fato de serem as protagonistas, como tenderia a outra faceta da misoginia que ainda dita a forma como personagens femininas são escritas e retratadas por homens.
Mary Dwight, personagem da Bette Davis, é uma mulher que sabe defender seus próprios interesses e se impõe para garantir o bem estar daqueles com que ela se importa, mas tampouco se arrisca para evitar a desgraça alheia, quando não lhe convém. Sua tragédia decorrerá da própria crença de que ela é sagaz demais para cair nas mesmas armadilhas que vitimaram tantas outras mulheres nas mesmas condições que ela. À medida que suas circunstâncias mudam, ao longo do filme, Davis tem diversas oportunidades de revelar a complexidade da sua personagem e não as desperdiça. Vez ou outra, sua performance se beneficiaria se fosse mais contida, mas nada que a comprometa. Após anos de luta para conseguir papéis mais sérios e complexos, ela não desperdiçou seus esforços aqui.
Seu maior problema surge nos diálogos e estrutura da narrativa, que não são os mais inspirados, prejudicam a fluidez da história e a impedem de alcançar um patamar mais alto de qualidade e sensibilidade. O filme também tropeça numa edição, por vezes, genérica e opaca, que nada apresenta além do esperado para a época. Talvez seja mais justo chamá-la pelo que ela é, datada, pois não haveria razão para não ser assim, mas nem por isso foi algo que me deixou de chamar minha atenção de forma negativa. Sendo menos ranzinza, a fotografia garante alguns momentos de genuína beleza, com destaque para a última cena, mérito de George Barnes — melhor lembrado por seu trabalho em Rebecca, do Hitchcock. No entanto, a impressão negativa com alguns dos elementos técnicos veio como uma pequena decepção, já que reconheci o nome do diretor, Lloyd Bacon, por ter visto um breve trecho de outro filme seu, Rua 42, que me impressionou, e por isso vim esperando um filme estilisticamente mais interessante. Muito embora não seja o melhor trabalho dos seus atores, nem da direção e da equipe técnica, Mulher Marcada é um bom filme, uma boa história, e ainda merece ser visitado.
Vale pelo elenco! :)
É surpreendente saber que uma obra como essa que fala abertamente de temas polêmicos como a prostituição e a corrupção institucionalizada tenha sido levada às telas na década de 30. O roteiro não procura julgar os personagens deixando que as próprias ações destes e o resultado destas façam isso. Humphrey Bogart tem uma presença marcante em um papel coadjuvante, mas é Bette Davis a alma do filme com a sua personagem forte e imprevisível que determina o rumo e as reviravoltas da história. A cena final é memorável.