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Data de lançamento
31 Out. 2012Duração
Profundamente machucado pela morte de seu filho em um acidente de carro há nove anos, Jacques perdeu os sentidos. Seu relacionamento não sobreviveu à tragédia e Jacques partiu para a América. Agora ele está de volta na França para o funeral de seu pai. Nesse meio tempo sua esposa iniciou uma nova vida e tem um filho novo, que irá criar um misto de sentimentos nesse machucado homem.
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13/07/21 Myfrenchfilmfestival
O que torna um filme inesquecível? Talvez a beleza e a poesia extraídas de seu roteiro, talvez porque fale diretamente de sentimentos extremos que tocam nossa alma ou, acima de tudo, pela atuação forte e emocionante que um personagem exige de um ator. Por qualquer desses motivos, afirmo que "J'enrage de son Absence" (Na Sua Ausência) ocupa um bom lugar na galeria de filmes muito especiais. O enredo narra um drama profundo, monotônico, que já se encontra em seu nível mais agudo, semelhante à última puxada de ar de um náufrago.
Inegável minha admiração e apreço por William Hurt, um ator capaz de falar tudo apenas com o olhar, que imprime delicadeza e sensibilidade aos seus personagens, mesmo aqueles sujeitos às provas mais duras da vida.
Neste longa ele interpreta Jacques, um pai que carrega dores insustentáveis para qualquer mortal: o luto pela morte de Mathieu (seu único filho), a culpa por pensar que foi o responsável por isso, e a ruptura de seu casamento com a mulher que amava (Alexandra Lamy), por não conseguirem lidar com a infelicidade da perda.
Sua ex-esposa, Mado, reconstruiu sua vida, casou-se novamente e teve outro filho, mas Jacques deixou-se morrer junto com Mathieu. Sua existência perdeu o sentido. Oito anos depois, ele reencontra Mado e lhe pede que o apresente a seu filho Paul (Jalil Mehenni), que está com 7 anos. Nasce entre ele e o pequeno garoto uma relação de amizade e afeto mútuo; e uma centelha volta a aquecer o solitário coração de Jacques.
A partir de então, o filme apresenta uma metáfora que descreve com perfeição a existência de Jacques. O porão frio e escuro que ele passa a ocupar clandestinamente é quase um sepulcro, como se ele já estivesse enterrado vivo. Ele já não tem história, apenas passa a ser um espectador silencioso da vida alheia.
A cada cena percebemos a enorme ferida que ele guarda no peito, a decadência existencial e emocional que o abate, a passividade muda que brota da sua total desesperança.
O desfecho é quase insuportável, assim como o último acorde de uma ópera linda, mas terrivelmente dolorosa. Aquele olhar, de um azul profundo, atravessa a carne como faca... e ficou gravado na minha memória.
Na lista dos mais angustiantes. Lindo e tenso.
O filme realmente é forte. O drama humana, seus medos e conflitos são expostos, diria que de maneira bem crua. E isso dá um impacto!
Que forte!