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Duração
Antônio de Souza Netto é um general brasileiro que é ferido em plena Guerra do Paraguai e agora está se recuperando no Hospital Militar de Corrientes, na Argentina. Lá ele percebe que coisas estranhas estão ocorrendo ao seu redor, como o capitão de Los Santos acusar o cirurgião de ter amputado suas pernas sem necessidade e reencontrar um antigo camarada, o sargento Caldeira, ex-escravo com quem lutou na Guerra dos Farrapos, ocorrida algumas décadas antes. Juntamente com Caldeira, Netto rememora suas participações na guerra e ainda o encontro com Milonga, jovem escravo que se alistara no Corpo de Lanceiros Negros, além do período em que viveu no exílio no Uruguai.
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IMPRIMATUR - visto no cinema em 2002:
Está longe de ser uma bomba pela reconstituição, mas também não me impressionou. Deu uma guinada na carreira do ator Werner Schünemann.
Avaliação em nota: 6.7
Sabe aqueles filmes que vc sente esforço e dedicação com um orçamento apertado e que tenta narra uma vida toda em poucas cenas. Gostei e gostei bastante. Merece ser mto mais conhecido e visto apesar de ser um filme de baixo orçamento a fotografia foi mto bem executada para dar um espetáculo nas cenas de luta com sujeita e sangue.
Não é a melhor obra já feita no audiovisual sobre a Guerra dos Farrapos (nesse ponto, nada bate a insuperável minissérie "A Casa das Sete Mulheres", mais ambiciosa e muito mais completa), mas ainda funciona muito bem para exportar para um público externo um pouco da cultura sulista e os sentimentos controversos de orgulho e frustração com relação a nossa própria história. Nesse ponto, Werner Schunemann consegue concentrar com exatidão essa melancolia na figura de um dos mais icônicos personagens da Revolução, provavelmente o mais idealista e, até onde eu sei, o único dos 'cabeças' que não aceitou os termos de rendição, optando pelo exílio. Na noite em uma enfermaria fantasmagórica, Netto encara seus feitos do passado em uma narrativa fragmentada e excessivamente episódica, sem maiores conexões entre os eventos, talvez o maior defeito do filme. As atuações oscilam entre boas e algumas realmente fracas, que deixam a desejar principalmente por conta dos monólogos inspirados e loquazes do roteiro demandarem melhor entonação. Em termos de direção e produção, no entanto, Tabajara Ruas e Beto Souza fazem mágica com o orçamento consideravelmente apertado, e só por isso, já merecem consideráveis méritos. E a fotografia de nossos pampas é linda. Certamente, não é um longa perfeito, mas está longe de ser uma obra a ser desconsiderada.
"Se a uns coube o destino de Atenas, a outros coube o destino de Esparta."
Um projeto audacioso, porém me pareceu que não tiveram condições suficientes para executa-lo. Achei tudo muito resumido e concentrado. O fato de não gostar muito de Werner Schünemann talvez tenha me tirado um pouco, mas acredito que realmente faltou muita coisa aqui, principalmente se levarmos em consideração a grandiosidade e a importância dos eventos narrados.
Se o conceito de literatura regional fosse transposto para a arte cinematográfica, "Netto Perde sua Alma" serviria quase como exemplo prototípico ao conceito de cinema regional. E este estreitamento geográfico funciona tanto como seu maior trunfo quanto como seu revés. Trunfo porque o filme cumpre bem a proposta de se narrar a trajetória revolucionária do republicano liberal - e herói sul-rio-grandense - General Antônio de Souza Netto (interpretado no filme por Werner Schünemann); revés porque, incidindo especificamente num capítulo da história brasileira um tanto quanto restrito ao estado gaúcho, o filme acaba por apresentar uma narrativa igualmente restritiva, frutificando mais - e melhor - entre o público gaúcho. Além disso, alguns erros de continuidade e trabalhos de atuação insatisfatórios contribuem igualmente com o malogro da produção. A questão da linguagem, por exemplo, é mau trabalhada no filme como um todo: causa estranheza, por exemplo, o fato de a única personagem uruguaia expressar-se em espanhol, enquanto os personagens argentinos, que são em maior número, comunicarem em português.
3.2 / 5.0