A vida numa pequena comunidade rural irlandesa, nos anos 60, vista pelos olhos de Francie, menino de 12 anos. Em meio às brincadeiras com o amigo Joe e a conturbada vida familiar junto a seu pai alcóolatra e à mãe, que lentamente perde a razão, o garoto busca a redenção em fantasias espirituais.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Não sei qual nota dar, talvez por que eu esperasse um filme de terror e suspense, mas é diferente do que imaginei até mesmo porque não costumo ler todas sinopses completas dos filmes rsrs, mas na realidade é um filme de humor ácido sobre um tema pesado com uma atuação diferenciada/boa de um menino e esse é o ponto de destaque.
Eu achei um filmaço e o moleque atua muito bem.
Talvez seja a obra-prima de Neil Jordan. Um filme intimista, narrado por meio das lembranças reprimidas de uma infância corrompida. Destaque para o elenco afiado e para a aparição de Sinead O’Connor como a Virgem Maria.
Ambientado na Irlanda rural dos anos 1960, The Butcher Boy reflete um período marcado pelas cicatrizes do passado colonial britânico e suas consequências na identidade e na sociedade irlandesa. Após séculos de dominação inglesa, que reduziram a Irlanda a uma "fazenda" explorada, o país conquistou sua independência em 1922, mas herdou pobreza extrema e uma forte influência cultural inglesa. Essa tensão se manifesta no filme através do contraste entre os Brady, uma família marginalizada associada ao estereótipo de "porcos" – um insulto que ecoa o desprezo colonial – e os Nugent, que representam os "colonizadores" com seus modos refinados. A paranoia da Guerra Fria, com medo de uma explosão nuclear, amplifica a atmosfera de desconfiança na pequena cidade de Clones, enquanto a Igreja Católica, uma força dominante, reforça normas rígidas que excluem ainda mais os "indesejáveis" como Francie. Esse contexto de opressão social, combinado com traumas históricos e abusos familiares, molda a psique instável do protagonista, transformando suas brincadeiras infantis em atos de violência que refletem tanto sua revolta pessoal quanto a de uma nação marcada por um passado de subjugação.
Eu gostei, mas confesso que pensei que seria totalmente outra pegada.
Eamonn Owens dá um show como Francie Brady. É muito triste como uma sequência de descasos e negligências vai minando não só suas relações com as pessoas, mas também o seu futuro.
A relação dele com Joe no começo do filme é muito boa, pena que Joe também era uma criança e não podia entender tudo o que acontecia para poder ajudar o amigo. A ausência de uma figura paterna, já que o pai era um alcoólatra e a mãe também tinha seus problemas psicológicos, fez com que ele não tivesse uma figura em quem se espelhar e também ninguém para incentivá-lo a fazer coisas boas e dar um "rumo" à sua vida.
Isso contrasta com a presença da Sra. Nugent, que já não gostava dele e, em toda oportunidade de ser má com ele, aproveitava.
E, já que ele não tinha isso em casa, as pessoas de fora poderiam ajudar, mas a influência negativa foi maior, e bem maior que a positiva, já que esta era quase nula.
Enfim, fiquei com pena de Francie, personagem que não era puramente mau, mas que, com a ajuda do ambiente em que se encontrava e das pessoas que o cercavam, não pôde melhorar, e sua tendência foi apenas piorar e ser mais um "porco", assim como seu pai, só que de outra maneira.
Tanto que ele poderia ter sido melhor, pois ele foi bem na igreja, fazia compras, se virava com a limpeza e as refeições da casa, arrumou um emprego como açougueiro... Era só questão de ter um amigo, um exemplo ou alguém que lhe mostrasse o caminho certo.
Isso é tão verdade que era ele quem dava dinheiro para o Jimmy beber.
Esse filme se passa na Irlanda, mas, se você parar para pensar, quantas situações semelhantes não temos aqui no Brasil?
Como diria Racionais: "ele se espelha em quem está mais perto."
Assistido em 04/06/2025.
Que filme triste! 02/09/2024