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“Eu deveria rodar esse filme em vários países do Terceiro Mundo. Seria uma espécie de documentário, de ensaio... Mas dessa forma, a quem interessaria senão às poucas elites politizadas atentas aos problemas do Terceiro Mundo?”, disse Pasolini sobre esta produção. O filme nunca foi realizado, mas o cineasta o adaptou a um documentário para a TV. “É um dos mais belos filmes de Pasolini. Nada convencional, nada pitoresco, o documentário nos mostra uma África autêntica, de forma alguma exótica e, por isso, mais misteriosa que o próprio mistério da existência”, afirmou o poeta italiano Alberto Moravia.
[Sinopse retirada do site da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo]
Ps: O produtor deste filme, e de outros, de Pasolini, é Gian Vittorio Baldi, outro ótimo diretor italiano! Rara oportunidade de assistir este filme, talvez eu e uns poucos assistimos...
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Pasolini lança um olhar poético sobre a África contemporânea e faz uma analogia interessante com a Grécia Antiga.
Passeando por imagens documentadas em várias regiões do continente africano, Pasolini idealiza a partir dessas imagens, uma adaptação pra tragédia grega de Orestes, tragédia q representa o 'nascimento da justiça'. Interessante o cruzamento q ele faz entre as solidas influencias q a grecia exerce a partir do ocidente, e de como este, através dos Eua e União Soviética encontravam-se penetrados no cotidiano de países africanos recentemente livres do processo de colonização! Orestes seria a representação do africano q volta para vingar a morte do pai e a exclusão de sua vida em sua terra, nesse momento em q supostamente vários povos de países africanos começariam a construir suas nações independentes? Seria libertar-se adequando-se a um modelo q n os seus? A construção do documentário e a liberdade com q filma sua "adaptação" são de uma intriga incríveis!
A Grécia clássica com sua tradição mitológica constitui para Pasolini um momento fundamental: a imagem proposta por ele é a imagem de uma Grécia primitiva, bárbara, manifestando sua clara rejeição a qualquer idealização neoclássica. Não se trata da pátria do equilíbrio, da serenidade, da racionalidade, e sim das grandes pulsões instintivas. Partindo deste ponto de vista, Pasolini coloca-se em uma linha de renovação dos estudos clássicos que partem de Nietzsche e no século XX galgaram importantes resultados graças à contribuição de disciplinas como a antropologia e a psicanálise, colocando assim em evidência os aspectos mais obscuros e primitivos da civilização grega. O mito antigo, em particular veiculado com as teses dos tragediógrafos, cumpre a função principal de polarizar as tensões e conflitos, colocando-se como um molde de comparação ideal para o presente. Desta forma, o mito tende a assumir um sentido que vai além dos valores da razão e da História.
“E como acabarão as palavras de teu Deus, as promessas sagradas, a fé dos juramentos?
É melhor ter como inimigos os homens do que os deuses.”