Andrew Crocker-Harris (Michael Redgrave) é um professor de grego e latim que é forçado a se retirar de uma escola, devido a problemas de saúde. Entre os alunos em geral é motivo de alegria, pois Andrew é tido como um professor severo e inflexível. Na vida particular nada é diferente, pois vive com Millie Crocker-Harris (Jean Kent) um casamento fracassado, onde ela, não satisfeita em traí-lo com Frank Hunter (Nigel Patrick), um outro professor, sente um enorme prazer em magoá-lo.
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Asquith vivia uma ótima década para suas direções. Realiza um filme muito amargo aqui,propositalmente lento pra indicar perfeitamente a vida do protagonista. A cada nova cena vimos a esperança de Andrew se acabando e isso reflete em todos os pontos da sua vida,principalmente em seu emprego e casamento. Michael Redgrave em uma atuação fria,sem muito esboço,consegue passar perfeitamente bem a imagem do homem sem reação mais pra nada. Por outro lado a esposa já mostra sinais de cansaço no casamento,optando por amar outro homem mais atencioso. Em todo momento,Millie demonstra amor por Frank,que inicialmente,também é muito correspondida. De acordo que o filme vai passando,a distância entre eles vai aumentando também. O filme passa a ideia que o problema central seja a esposa e não seus companheiros e isso fica claro em algum momento ou outro,que parece ser verídico. A atuação esnobe de Jean Kent reforça essa ideia e nos faz sentir enojado em algum momento por seus feitos,suas atitudes. No terceiro ato essa sensação aumenta mais do que deveria.
Durante o percurso,muita gente estranha a intimidade entre o casal de amantes,mas ninguém tem coragem de tentar convencer o marido sobre o que está acontecendo e o roteiro nesses momentos faz o espectador ficar apreensivo por querer algo decisivo. Ou ficar com o marido ou ficar com o amante,mas a própria Millie é indecisa demais para isso.
O final é único e não premeditado. Observar a relação amigável entre os dois homens é bastante curioso e confesso que o filme não seguiria por esse rumo. O marido parece resolvido com seus dramas particulares e isso fica mais evidente com a despedida no discurso final na escola. A cena é algo bem comovente e nos faz pensar quem foi o verdadeiro vilão durante todo o filme. O marido imprestável dessa vez sofreu pouco.
Tudo nesse filme é reflexivo e se tornou pra mim uma das maiores obras daquele ano.
>Assistido em 23 de Agosto de 2026
Um tanto perigosa esta tentativa de redenção de um personagem bastante detestável, ainda que eu entenda que a construção tenha sido bem feita, bastante emotiva, com bom texto, uma pena que simplesmente não fui com a cara deste professor carrancudo e amargurado.
Especial
Um dos mais comoventes relatos que eu já tive o prazer de ver, coroado pelo trabalho monumental de Sir Redgrave. Para mim, inesquecível.
Maravilhoso!!