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O Cântico de Jimmie Blacksmith - Portugal
Sinopse
Adaptação de romance de Thomas Keneally e baseado na história real de Jimmie Governor, um aborígene que enfrentou dificuldades para se adaptar à intolerância dos brancos na Austrália e acabou assassinando uma família de fazendeiros.
O romance O Canto de Jimmie Blacksmith, escrito por Thomas Keneally e publicado em 1972, foi inspirado em fatos reais da vida de Jimmy Governor, um guarda florestal aborígene australiano. A obra recebeu grande reconhecimento, chegando a ser indicada ao Prêmio Booker daquele ano, embora tenha perdido para G, de John Berger. Anos depois, Keneally declarou que, se fosse escrever o livro nos dias de hoje, não ousaria dar voz a um personagem aborígene, preferindo narrar a história a partir da perspectiva de um personagem branco.
A história de Jimmy Governor já foi contada sob diferentes perspectivas, desde relatos históricos até adaptações literárias, como O Canto de Jimmie Blacksmith, de Thomas Keneally. Esta nova publicação oferece o relato mais claro e detalhado até agora, com um forte senso de geografia e ambientação, ajudando o leitor a compreender os eventos que levaram à explosão de violência que marcou a vida de Governor.
Nascido em 1875, em Nova Gales do Sul, Jimmy foi um jovem trabalhador que, apesar de tentar se integrar à sociedade branca, nunca foi aceito. O casamento com uma mulher branca, Ethel Page, agravou ainda mais a hostilidade que ele enfrentava.
Após anos de injustiças, Jimmy, seu irmão Joe e o amigo Jackie Underwood deram início a uma sequência de assassinatos que aterrorizou o país.
A perseguição que se seguiu durou mais de três meses, envolvendo milhares de civis e policiais. A habilidade dos irmãos em sobreviver na mata contrastava com a inexperiência dos perseguidores, gerando histeria pública.
Embora o livro reconheça a limitação de não trazer uma voz indígena direta, destaca o orgulho de Jimmy por sua origem e aponta que, mesmo cem anos depois, o racismo e o preconceito continuam a marcar a sociedade australiana.
Curiosidades: Tommy Lewis caminhava distraído pelo aeroporto de Tullamarine quando cruzou o olhar com a esposa do diretor Fred Schepisi. Não tinha qualquer experiência como ator, mas algo em sua presença chamou atenção. Dias depois, Lewis era convocado para um teste. Sem formação, sem técnicas, apenas com a força bruta de sua expressão e de sua história, foi escolhido para protagonizar O Canto de Jimmie Blacksmith (1978), um dos filmes mais ousados e incômodos da Nova Onda Australiana.
Baseado no romance de Thomas Keneally e inspirado em eventos reais, o longa conta a trajetória de um jovem aborígene, explorado e humilhado por uma sociedade racista, até o momento em que explode em uma fúria irreversível. As filmagens duraram quatorze semanas, com uma equipe mista de profissionais e amadores, e com uma tela larga de Panavision que fazia questão de mostrar a aridez tanto da paisagem quanto das relações humanas. O orçamento, cerca de 1,28 milhão de dólares australianos, tornou-se o mais alto da história do cinema nacional até então.
O lançamento foi cercado de expectativa e polêmicas. Antes mesmo de estrear, o filme enfrentou censura, greves de sindicatos e boicotes. Um documentário da ABC acompanhou os bastidores, e a imprensa local cobriu de perto a transformação de Tommy Lewis em uma espécie de símbolo de representatividade no cinema australiano. Comparado por alguns a um jovem Marlon Brando, o ator ganhou espaço nas revistas, enquanto a crítica internacional elogiava a coragem e o rigor estético da obra. Ainda assim, nas bilheteiras australianas, o filme amargou prejuízo.
A violência da história, somada ao tom sombrio e à abordagem política direta sobre o racismo estrutural do país, afastou parte da audiência. Mesmo com a aclamação em Cannes e com prêmios no Australian Film Institute Awards, o filme foi um fracasso de bilheteria em casa. Desiludido com a recepção, Fred Schepisi deixou a Austrália logo depois e partiu para Hollywood, onde construiu uma sólida carreira internacional. Somente uma década mais tarde, retornou ao cinema australiano para realizar o aclamado Um Grito no Escuro, de 1988, com Meryl Streep.
Isso só me faz pensar na música da novela escrava Isaura, vida de negro é difícil.... O filme retrata só um pouco da história, quando pesquisei tem muita coisa que não foi mostrando
Como criticar o Jimmie? Sinceramente, é muito bom ver o colonizador se f.....Claro que o final não poderia ser outro, mas ainda assim valeu a pena! Nota 8,0.
O período do cinema australiano que vai de WAKE IN FRIGHT até UTU, cobrindo toda a década de setenta até o começo dos oitenta, foi prolífico em ótimos produtos. Gerou cineastas de grande calibre, como Peter Weir e George Miller.
O CANTO DE JIMMIE BLACKSMITH é mais um representante dessa boa safra que veio da Oceania naquele período, sendo tematicamente parecido com o já citado UTU (1983), embora não tenha personagens tão memoráveis e nem a verve satírica do longa de 83. É muito bem feito esteticamente e tem cenas de revolta contra o colonialismo graficamente violentas de modo acertado, já que o tema pedia mesmo por mais choque e impacto.
Filme muito bom do diretor Fred Schepisi, com história (real) forte, que na sua primeira metade nos faz criar empatia pelo seu protagonista que sofre várias injustiças, mas na metade final, o filme muda de tom e acompanhamos sua trajetória trágica, até o seu final. Tem bonita fotografia, ritmo lento, mas que nunca chega a cansar. Um ótimo filme, que com certeza merecia ser muito mais conhecido.
O romance O Canto de Jimmie Blacksmith, escrito por Thomas Keneally e publicado em 1972, foi inspirado em fatos reais da vida de Jimmy Governor, um guarda florestal aborígene australiano. A obra recebeu grande reconhecimento, chegando a ser indicada ao Prêmio Booker daquele ano, embora tenha perdido para G, de John Berger. Anos depois, Keneally declarou que, se fosse escrever o livro nos dias de hoje, não ousaria dar voz a um personagem aborígene, preferindo narrar a história a partir da perspectiva de um personagem branco.
A história de Jimmy Governor já foi contada sob diferentes perspectivas, desde relatos históricos até adaptações literárias, como O Canto de Jimmie Blacksmith, de Thomas Keneally. Esta nova publicação oferece o relato mais claro e detalhado até agora, com um forte senso de geografia e ambientação, ajudando o leitor a compreender os eventos que levaram à explosão de violência que marcou a vida de Governor.
Nascido em 1875, em Nova Gales do Sul, Jimmy foi um jovem trabalhador que, apesar de tentar se integrar à sociedade branca, nunca foi aceito. O casamento com uma mulher branca, Ethel Page, agravou ainda mais a hostilidade que ele enfrentava.
Após anos de injustiças, Jimmy, seu irmão Joe e o amigo Jackie Underwood deram início a uma sequência de assassinatos que aterrorizou o país.
A perseguição que se seguiu durou mais de três meses, envolvendo milhares de civis e policiais. A habilidade dos irmãos em sobreviver na mata contrastava com a inexperiência dos perseguidores, gerando histeria pública.
Curiosidades: Tommy Lewis caminhava distraído pelo aeroporto de Tullamarine quando cruzou o olhar com a esposa do diretor Fred Schepisi. Não tinha qualquer experiência como ator, mas algo em sua presença chamou atenção. Dias depois, Lewis era convocado para um teste. Sem formação, sem técnicas, apenas com a força bruta de sua expressão e de sua história, foi escolhido para protagonizar O Canto de Jimmie Blacksmith (1978), um dos filmes mais ousados e incômodos da Nova Onda Australiana.
Baseado no romance de Thomas Keneally e inspirado em eventos reais, o longa conta a trajetória de um jovem aborígene, explorado e humilhado por uma sociedade racista, até o momento em que explode em uma fúria irreversível. As filmagens duraram quatorze semanas, com uma equipe mista de profissionais e amadores, e com uma tela larga de Panavision que fazia questão de mostrar a aridez tanto da paisagem quanto das relações humanas. O orçamento, cerca de 1,28 milhão de dólares australianos, tornou-se o mais alto da história do cinema nacional até então.
O lançamento foi cercado de expectativa e polêmicas. Antes mesmo de estrear, o filme enfrentou censura, greves de sindicatos e boicotes. Um documentário da ABC acompanhou os bastidores, e a imprensa local cobriu de perto a transformação de Tommy Lewis em uma espécie de símbolo de representatividade no cinema australiano. Comparado por alguns a um jovem Marlon Brando, o ator ganhou espaço nas revistas, enquanto a crítica internacional elogiava a coragem e o rigor estético da obra. Ainda assim, nas bilheteiras australianas, o filme amargou prejuízo.
A violência da história, somada ao tom sombrio e à abordagem política direta sobre o racismo estrutural do país, afastou parte da audiência. Mesmo com a aclamação em Cannes e com prêmios no Australian Film Institute Awards, o filme foi um fracasso de bilheteria em casa. Desiludido com a recepção, Fred Schepisi deixou a Austrália logo depois e partiu para Hollywood, onde construiu uma sólida carreira internacional. Somente uma década mais tarde, retornou ao cinema australiano para realizar o aclamado Um Grito no Escuro, de 1988, com Meryl Streep.
Isso só me faz pensar na música da novela escrava Isaura, vida de negro é difícil.... O filme retrata só um pouco da história, quando pesquisei tem muita coisa que não foi mostrando
Como criticar o Jimmie? Sinceramente, é muito bom ver o colonizador se f.....Claro que o final não poderia ser outro, mas ainda assim valeu a pena! Nota 8,0.
O período do cinema australiano que vai de WAKE IN FRIGHT até UTU, cobrindo toda a década de setenta até o começo dos oitenta, foi prolífico em ótimos produtos. Gerou cineastas de grande calibre, como Peter Weir e George Miller.
O CANTO DE JIMMIE BLACKSMITH é mais um representante dessa boa safra que veio da Oceania naquele período, sendo tematicamente parecido com o já citado UTU (1983), embora não tenha personagens tão memoráveis e nem a verve satírica do longa de 83. É muito bem feito esteticamente e tem cenas de revolta contra o colonialismo graficamente violentas de modo acertado, já que o tema pedia mesmo por mais choque e impacto.
Filme muito bom do diretor Fred Schepisi, com história (real) forte, que na sua primeira metade nos faz criar empatia pelo seu protagonista que sofre várias injustiças, mas na metade final, o filme muda de tom e acompanhamos sua trajetória trágica, até o seu final. Tem bonita fotografia, ritmo lento, mas que nunca chega a cansar. Um ótimo filme, que com certeza merecia ser muito mais conhecido.