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A história de retirantes da seca que foram para o litoral, primeira etapa da migração em direção ao sul, encontrando uma sina de loucura, miséria, traições e desesperança da qual o menino-protagonista deseja escapar. Uma das famílias compõe-se do pai envelhecido, inválido e um pouco desequilibrado, da mãe lavadeira, do filho, ainda jovem, mas já encarregado da subsistência dos seus. Seu irmão pequeno morre sem assistência. A irmã vê a miséria acabar com os seus sonhos. A procura de uma saída favorece a desintegração dessa família.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
A dura vida dos retirantes, em um filme bem realístico.
- a desesperança e a devastação dentro da alma que uma vida de pobreza e sem perspectivas de memória faz com o ser humano
- atuações quase amadoras e estilo bem gringo de cinema, mas nada disso prejudica o impacto da história contada
Filmado em Pernambuco,"O Canto do Mar", de 1953, é um genuíno clássico do cinema brasileiro, dirigido por Alberto Cavalcanti. Ganhou o prêmio de melhor direção no Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary (República Tcheca) e concorreu à Palma de Ouro em Cannes (França). Foi produzido em P&B pela Cinematográfica Maristela.
"O Canto do Mar" apresenta um prólogo documental no sertão pernambucano, com imagens da seca e uma solene voz reforçando o drama dos retirantes que abandonam suas casas para procurar trabalho no sul do país. A seu modo, "O Canto do Mar" procura se aproximar em parte do neo-realismo. Pode-se perceber mesmo referências ao cult italiano "A Terra Treme", dirigido por Luchino Visconti em 1948, tanto pelo tema, envolvendo uma comunidade à beira-mar, como pelas imagens do baú onde o protagonista guarda panfletos de viagem e a figura da mãe, imóvel e toda vestida de negro, observando o mar à espera do retorno do marido. Embora o filme esteja atrelado à linguagem dos estúdios, nos aspectos mais convencionais como uma certa rigidez na mise-en-scène e a impostação dos atores, a escolha por filmar em locação traz o encanto e as surpresas da cor local. O precário entrosamento entre ficção e documentário não se limita à relação sertão-mar, desdobrando-se também ao longo do desenvolvimento da narrativa. Este clássico se encontra disponível no Youtube.
Pequena pérola do cinema nacional, esteticamente lindíssimo numa mescla entre neo-realismo italiano, terror psicológico e western americano. Cavalcanti entrega uma obra riquíssima no que condiz à condição humana e seus anseios de liberdade sempre tangidas por prisões individuais e coletivas intransponíveis. A direção de elenco infelizmente é caótica.
Os problemas são abundantes: o roteiro possui julgamentos vitimistas acerca do Nordeste brasileiro e contém várias firulas e lacunas prejudiciais à trama. Os atores são bastante expressivos em seus olhares lamentosos, mas recitam os diálogos com certa dificuldade, o que não estraga o resultado final. Achei a trama inclemente e muitíssimo bem conduzida em seu buñuelismo recorrente: como de praxe, o diretor recorre aos sonhos determinantes, às confusões entre idealização compensatória e cotidiano de perdas e privações. Ótimo! (WPC>)