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Duração
Uma série de rostos, de gestos, de imagens mentais ou reais, e depois, a pouco e pouco, uma comunidade retoma forma, a dança ressurge.
A banda sonora, curiosa mistura de barulhos surdos e de música longíqua, está onipresente, como um rumor que envolve os corpos, que explica a sua origem.
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- literalmente festa estranha com gente esquisita
- o magrelão bebo deve estar tentando vestir aquela blusa até hoje
- graças ao bartas eu não vou a lituania nem se me pagarem
- rostos vazios tentando fugir da depressão que cerca
Uma garota observa seu corpo em frente a um espelho. Um lençol é incendiado num varal por um garoto, Um toque de recolher é anunciado enquanto velas ainda choram suas chamas por alguém que partiu. Uma festa onde um punhado de pessoas dançam como se aquele fosse sua última noite.
No panorama de Sharunas Bartas, os espetros já conhecidos desfilam em um ambiente de esperas e incertezas que aos poucos vão tomando formas e significados. O diretor que nasceu na Lituânia, dá vida a fantasmas que ele sabe muito bem que existiram.
Ai ai ai Puerto Rico
O verdadeiro sentido de Koridorius está do lado de fora daquelas paredes, daquelas janelas quebradas, lar do pequeno vândalo que aponta seu rifle que não atira mais, lar de pensamentos daqueles que não conseguem mais se lembrar nem amar. Ninguém fala porque não há conteúdo a ser expresso, a realidade existe simplesmente porque a vida ainda não acabou, os corpos ainda estão de pé porque há um pouco de energia a ser consumida. Com este filme, Sharunas Bartas retoma a poética reflexiva de Trys Dienos, para convertê-la em uma forma original de realismo artístico: uma visão quase musical, que marca o tempo mentalmente, com um ritmo apático e sonolento que faz da inutilidade poesia.
O segundo filme lituano de minha vida, não por acaso do mesmo diretor. Redescobri o Sharunas Bartas depois de um elogio velado da genial Claire Denis e, para além do susto inicial com a lentidão silenciosa do filme, fui agraciado com um filme belíssimo, barulhento, humano, vívido, delicioso em todo o seu encanto sôfrego... Quero ver mais deste cinema lituano, ah, eu quero. Do mesmo diretor, inclusive! (WPC>)