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Data de lançamento
24 Março 2006Duração
Bruno Bonomo (Silvio Orlando) foi um festejado diretor de filmes B. Hoje, porém, não consegue emplacar um projeto. Até que chega às suas mãos uma sátira política sobre um primeiro-ministro desonesto. No entanto, as semelhanças da ficção com o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi podem fazer que os investidores desistam do projeto.
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Indicado a Palma de Ouro e vencedor de dois prêmios fora da competição principal no Festival de Cannes. Quando me mudei para a Itália pela primeira vez este filme estava em cartaz nos cinemas, lembro que todo mundo estava comentando sobre ele e agradeço que eu não tenha ido ver naquela época em que sabia muito pouco sobre política mundial, hoje pude aproveitar muito mais. É impressionante como Berlusconi iniciou na política uma era de bufões estúpidos cheio da grana, as diferenças entre ele e o Trump são quase inexistentes, o que faz o filme ainda ter a mesma força que tinha há quase vinte anos em sua estreia, continua tão atual quanto. A direção de Moretti é sempre ótima, mas o elenco aqui se destaca ainda mais, Silvio Orlando está perfeito e a novata Jasmine Trinca, que se tornou uma atriz excepcional, já demonstra força suficiente nas cenas em que aparece. Percebo que o diretor é meio obcecado com narrativas sobre divórcio.
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Nossa! São poucas as histórias que têm a capacidade de ter um protagonista tão imensamente carismático quanto esse pequeno gigante filme de Nanni Moretti. Bruno Bonomo é um personagem apaixonante, mas não por ser extremamente gostável, mas justamente por ser humano até o último fio de cabelo. Essa personalidade demasiadamente reconhecível entre em conflito direto com um filme que é uma grande sátira sobre relações humanas e o cinema, e como essas duas coisas frequentemente caminham juntas, ou melhor, a complexidade quase cômica que a vida e o cinema podem nos proporcionar quando vemos, ainda que só de relance, essa indústria de dentro.
A propósito, a diretora estreante que vemos através de sua amizade construída com o diretor, Teresa, interpretada por Jasmine Trinca, também é igualmente carismática, mesmo aparecendo pouco. Talvez por sua imperfeição na função, mesmo que tenha muita vontade de ser bem sucedida nisso, ou talvez seja pelo voto de confiança que Bruno dá para ela, mas o filme é bom demais enquanto ela está em cena, e a troca que ela tem durante todo o longa com Silvio Orlando é sensacional. Ele, aliás, dispensa comentários. Interpretação surreal de boa, uma das melhores que eu já vi dele - e olha que ele é brilhante quase sempre. É daqueles momentos no cinema em que um personagem fica tão ligado a um ator que torna impossível de imaginar qualquer outro no lugar.
Os últimos momentos desse filme também me deixaram impressionados, porque Moretti eleva a obra a outro patamar quando, de repente, transforma o filme que está sendo filmado na conclusão de seu próprio filme. O ousado exercício de metalinguagem poderia não funcionar, mas estranhamente funciona, porque é... realmente bom. Naquele ponto, ele precisava mostrar um pouco do filme de Teresa, que, como uma boa redenção para a falta de experiência da personagem, deveria ser muito bom. Surpreendentemente ele consegue, e faz pensar o quão interessante também não seria interessante ver aquele filme que imagina um julgamento moral de Silvio Berlusconi pelos olhos de Nanni Moretti. O curioso disso tudo é que, à época, Moretti divulgou que estava, de fato, fazendo um filme sobre Berlusconi, enquanto ele ainda exercia seu segundo mandato como primeiro-ministro italiano, que chegou a declarar que jamais o assistiria, sob nenhuma hipótese. No entanto, assistindo ao filme que saiu como resultado, não deixa de ser uma peça muito bem pregada na imprensa e na classe política, para quem tem senso de humor.
Pelo nome achei que iria ter crocodilos no filme, mas ao ler a sinopse me decepcionei.
Falta mais desenvolvimento da história de Berlusconi, e a presença de Nanni Moretti no ecran, do meu ponto de vista tornariam o filme mais interessante. Nota:3 (0-5)
É uma boa premissa mas poderia ter desenvolvido melhor a trama. Mesmo assim Moretti dá conta do recado.