Um acidente de ônibus escolar provoca a morte de 20 crianças, em uma cidade no interior do Canadá. As famílias em luto são visitadas por Mitchell Stephens (Ian Holm), um advogado que tenta convencer os pais a pedirem uma indenização contra qualquer um que possam culpar. Paralelamente Mitchell enfrenta um drama pessoal, pois sua filha é viciada em drogas. A comunidade está paralisada em sua dor, mas Nicole (Sarah Polley), uma jovem que sobreviveu ao acidente, de sua cadeira de rodas talvez possa ser o testemunho que decidirá este caso.
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Esse filme tem momentos muito emocionantes e momentos de tédio absurdo. Egoyan cria tensão em algumas cenas e depois quebra essa tensão com algumas cenas boba. Ele faz isso o filme inteiro, ao invés de criar uma tensão crescente e intensa que poderia apertar nosso coração ao extremo (gosto de coisas assim).
Assim como minhas observações a respeito de suas outras obras que assisti, continuo com a seguinte opinião:
Egoyan trabalha como poucos o trato com as imagens e a forma que as coisas aparecem na tela. Esse seria um ponto muito forte.
O ponto fraco são as atuações em seus filmes. Alguns atores são muito ruins ou simplesmente: preguiçosos.
É um filme bom no fim das contas. Vale uma conferida!
06.11.2024
Sinistro esse filme. Sinistro de uma maneira misteriosa, como o conto do flautista. A cena que explica pq ela mentiu acontece lá por uma hora de filme e dura alguns segundos, se piscar perdeu. Alugou um triplex na minha mente.
Essa é uma obra-prima, impressionante, obscura, abstrata na medida...Como um quadro que revela uma visão sombria sobre uma sociedade;
Muitas pessoas não entenderam por que a Nicole mentiu e a Dolores não foi presa. Vou relatar minha visão.
Por mais que a estrela do filme seja o Ian Holm, seu personagem é apenas usado para juntar a história de um acidente numa pequena comunidade, um lugar que parece isolado e onde todo mundo se conhece. Nele há traições maritais, abuso infantil, incesto, crimes e tragédias. Também há pessoa boas, óbvio, sendo os bons pagando pelos ruins, como em qualquer ambiente. Para entender o desenrolar, é preciso focar na personagem principal do enredo: Nicole e a história do flautista. Nessa história, um flautista pune vários adultos, que não o pagaram por um serviço, usando suas crianças. No filme, a fim de revidar toda a ruindade que existe na comunidade, um acidente ocorre matando as crianças do lugar. E cabe a Nicole, paraplégica com os sonhos acabados, mentir em audiência pré-processual para que a história não desenrole e os segredos da comunidade fiquem como estão, matando-a (só adultos sem crianças a comunidade "morre"). A motorista era uma pessoa do bem, conseguiu escapar (apenas crianças morreram como punição coletiva) da tragédia, indo embora da comunidade "amaldiçoada" e arrumando novo emprego em outra cidade.
O filme é um quadro lamentável, desesperançoso e inacabado sobre futuro de crianças em uma sociedade doente.
Nota 9/10
Sempre tive curiosidade de assistir esse filme, mas só hoje consegui. Gostei do filme, o drama das famílias da cidade prende a atenção (apesar do ritmo lento), mas mesmo assim, confesso que esperava um pouco mais. Ian Holm e a Sarah Polley em boas atuações. Esse é aquele tipo de filme que não é para todos os gostos, mas vale ser conhecido.