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Data de lançamento
27 Maio 2025Duração
O excêntrico magnata Zsa-zsa Korda já sobreviveu a seis acidentes de avião e é pai de nove filhos homens e uma única menina, a freira Liesl. Ele determina que ela seja a única herdeira de seu patrimônio, mas antes, pede a ajuda da filha para garantir que seu projeto de vida saia do papel, o "Korda Land and Sea Phoenician Infrasctructure Scheme". Agora, eles precisarão viajar pelo mundo acompanhados pelo ingênuo tutor Bjorn negociar com empresários, empreiteiros e criminosos perigosos, confundindo-os sobre suas intenções para afastá-los do esquema.
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Ao transformar o intervencionismo e a geopolítica de rapina em um diorama estético impecável, *O Esquema Fenício* nos presenteia com o retrato definitivo da soberba imperialista moderna.
Wes Anderson desenha a cartografia de um mundo onde magnatas intocáveis tratam nações estrangeiras, fronteiras e vidas alheias como meros peões em seus tabuleiros de exploração particular.
A genialidade sínica do filme reside justamente em empacotar a sanha neocolonial e os golpes de estado sob paletas pastéis e enquadramentos milimetricamente simétricos.
É o imperialismo gourmetizado: atentados, espionagem industrial e espoliação de recursos naturais tornam-se aceitáveis, charmosos e digeríveis desde que executados por oligarcas de terno impecável.
Afinal, a grande piada geopolítica da obra é expor como o Norte Global consome o caos que ele próprio financia, aplaudindo a destruição de territórios distantes transformados em elegantes cartões-postais de miniatura.
Um paradigma, filme frenético e ao mesmo tempo entediante.
Menos personagens e mais destaques para suas exentricidades e cismos iam focar melhor a narrativa, que se perde em sonhos de pós morte, explicações econômicas como se o professor tivesse cheirado cocaína e praticamente uma sucessão de eventos que fariam inveja ao desventuras em série.
É praticamente unânime que esse seja um filme de 3 estrelas.
Wes Anderson segue um mestre em composição visual , em encantar o olhar com suas cores e enquadramentos milimetricamente simétricos mas em termos narrativos seus filmes ou perderam o frescor ou já não geram mais interesse. O esquema Fenício é um exemplar bem esquecível e pouco inspirado na filmografia do diretor, algo que aliás tem sido bem corriqueiro. O excesso de personagens cansa e a velocidade da trama também Todavia acredito que Anderson ainda deva entregar em breve coisa boa, mera intuição pois nada indica isso.
Se existe um cineasta contemporâneo instantaneamente reconhecível em meio a tantos outros, esse cineasta é Wes Anderson. Seu estilo visual, nisso todos concordam, é simplesmente inimitável. Com O Esquema Fenício, Anderson dá continuidade ao seu universo particular, feito de quadros milimétricos, cores pastel e diálogos esotéricos. Seus últimos filmes lembravam quase partituras orquestrais, com uma polifonia de personagens dividindo a cena de forma por vezes impressionante; aqui, porém, o cineasta coloca essa estética a serviço de um roteiro mais direto, mais concreto.
Continuo seduzido pela sua capacidade de reinventar a própria linguagem visual, revelando facetas novas dela a cada filme. Não é tarefa simples traduzir em palavras a variação que Anderson propõe desta vez. Algo se transforma na maneira como os atores ocupam o espaço e, por consequência, na maneira como os personagens se relacionam entre si.
A cena inicial entre pai e filha ilustra bem esse ponto: é um momento particularmente bem-sucedido, e a sequência inteira permanece inventiva do começo ao fim. Acompanhamos, ao longo do filme, uma trama cativante, na qual pai e filha, ainda reconstruindo os laços entre si, precisam convencer uma série de pessoas a investir financeiramente em seu projeto.
As negociações se complicam tanto pela fragilidade dessa relação recém-retomada quanto pela presença de assassinos decididos a eliminar o patriarca. O resultado é uma sucessão de cenas peculiares, absurdas e bem cadenciadas, que jamais deixam o espectador entediado.
O tom é leve, e o humor sombrio funciona com eficiência, arrancando risos e sorrisos do início ao fim sem nunca beirar o hilariante. Um elenco extravagante sustenta esse equilíbrio com naturalidade: Benicio del Toro, Mia Threapleton, Michael Cera, Tom Hanks, Bryan Cranston, Riz Ahmed, Mathieu Amalric, Jeffrey Wright, Scarlett Johansson, Benedict Cumberbatch e Bill Murray formam uma galeria de personagens cujas interações ganham vida através de diálogos artificialmente naturais. No plano formal, a realização do cineasta beira a perfeição.
Sua encenação obsessiva recompensa o espectador, como sempre, com travellings, closes precisos e movimentos de câmera calculados ao milímetro. Sua mania por simetria e composição faz de cada plano, impecavelmente enquadrado, uma pequena cena animada, sem qualquer sombra fora do lugar.
A fotografia é deslumbrante, valorizada por cenários suntuosos, adereços dispostos com evidente cuidado e uma paleta cromática vibrante. A esse conjunto somam-se sequências em preto e branco, sonhos estranhos que parecem se desenrolar na vida após a morte, no Paraíso: momentos surpreendentes e inéditos na filmografia de Anderson, prova de que o cineasta ainda guarda algo capaz de nos surpreender.
Esse universo visual esplêndido é acompanhado por uma trilha sonora original, cujas composições melodiosas se integram bem à atmosfera do filme, sem se tornarem particularmente marcantes. O desfecho é satisfatório e encerra com justiça O Esquema Fenício: um longa-metragem que passa o tempo com prazer e uma obra que merece, sem dúvida, ser apreciada.